Dória estuda forma de cobrar os blocos de rua do Carnaval de São Paulo

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Via Jornal GGN em 21/1/2017

A gestão de João Dória Jr. (PSDB) na prefeitura de São Paulo estuda cobrar dos bloquinhos que organizam carnaval de rua na região de Pinheiros e Centro uma “contrapartida” pelos eventos a partir de 2018. Segundo o titular da subprefeitura da Sé, o volume de blocos cresceu de um ano para outro e o de patrocinadores, também. Moradores teriam reclamado da sujeira provocada pelas festividades e a Prefeitura não acha justo que apenas a administração municipal lide com os custos da limpeza e organização.

PREFEITURA DE SÃO PAULO ESTUDA COMO “COBRAR” OS BLOCOS DE RUA
Via Estadão

Os prefeitos regionais da Sé e de Pinheiros, região central e zona oeste, respectivamente, estudam formas de pedir contrapartidas a blocos de carnaval e patrocinadores em 2018. Neste ano, dos 495 grupos cadastrados, mais da metade vai desfilar nessas regiões.

Na região da Sé, o número de blocos passou de 70 no ano passado para 163. Eduardo Edloak, prefeito regional da Sé, disse estudar já para o próximo ano uma mudança para que o “ônus do evento” – com a logística e apoio da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), limpeza, fiscalização de vendedores irregulares e segurança com a Guarda Municipal – não seja apenas da Prefeitura.

“Para o próximo ano, devemos fazer portarias que exijam um pouco mais de organização e estrutura. Principalmente, contrapartida de patrocinadores, que são cada vez maiores, e devem compensar esse tipo de despesa”, disse Edloak.

Para este ano, a prefeitura regional já restringiu a concentração ou dispersão de blocos na Praça Roosevelt. “Foi impressionante como os moradores se organizaram e relataram danos e a sujeira causados pela multidão. Por isso, decidimos por restringir”, disse. No ano passado, ao menos cinco blocos fizeram a concentração na praça.

O desfile de blocos na Rua da Consolação ainda é estudado, especialmente aos domingos quando a Avenida Paulista é fechada aos carros. O único bloco que deve circular na via é o Acadêmicos do Baixo Augusta – que vai manter o mesmo trajeto do ano passado –, um dos maiores do carnaval de São Paulo e que espera reunir 300 mil foliões neste ano.

Alê Youssef, um dos fundadores do Acadêmicos, disse que o diálogo para ajustes no carnaval de rua de São Paulo é importante desde que sejam promovidos pelo viés cultural e sem alterar a estrutura atual. “Nosso principal desafio agora é evitar que aventureiros tentem de alguma forma privatizar o carnaval de rua. É muito importante que ele se mantenha assim livre, democrático e descentralizado. Porque essa não é a decisão de um partido ou um político, mas uma conquista da sociedade que há anos vem batalhando pelo carnaval”, disse.

O tema do Acadêmicos neste ano será “Primeiramente… a cidade é nossa”, uma referência à ocupação dos espaços de São Paulo. “Somos um bloco ativista e aproveitamos o carnaval para fazer uma reflexão ou crítica”, disse Youssef. Durante o desfile, serão feitas intervenções artísticas – segundo um dos integrantes, uma delas será um grafite em um dos prédios da Consolação – e a presença de artistas como Fafá de Belém, Tulipa Ruiz e Tiê.

Novo. Um dos novos blocos a desfilar no centro de São Paulo é o Pagu. Idealizado e fundado pela cineasta Mariana Bastos, de 34 anos, e a produtora de cinema Thereza Menezes, de 31 anos, o bloco surgiu com o objetivo de empoderar as mulheres. “O carnaval é um dos momentos em que as mulheres mais sofrem assédio e violência. São objetificadas na festa e nós queríamos mudar essa participação”.

Desde novembro do ano passado, elas estão ensaiando e montaram uma bateria formada apenas por mulheres e repertório composto só por músicas de cantoras. “Excluímos marchinhas machistas, que são muitas. Vamos cantar Elza Soares, Clara Nunes”, disse Mariana.

Pinheiros. Na região de Pinheiros, onde o número de blocos passou de 78 para 111 neste ano, algumas contrapartidas já estão sendo negociadas com os organizadores. De acordo com Paulo Mathias de Tarso, prefeito regional, há uma negociação para que os blocos limpem a sujeira que seus foliões deixarem após o cortejo.

“É uma contrapartida voluntária e a maioria teve boa vontade em aderir. Para o próximo ano, vamos ter que colocar mais compromissos para os blocos, mas tudo será discutido com eles”, disse Tarso.

Outra alteração na região é que a saída dos blocos deve ocorrer no máximo às 15h – no ano passado, era até as 17h. A dispersão deve ocorrer até as 20h, como já ocorria antes. Também aumentou o número de vias restritas, incluindo as avenidas Rebouças e Brasil, além da Alameda Santos e da Rua Groenlândia. Os blocos podem apenas cruzar essas vias.

Dos 111 blocos, cinco desistiram de desfilar na região. Segundo Tarso, dois deles porque esperavam fazer o cortejo em avenidas maiores, como a Rebouças. “Eram megablocos de Salvador que se inscreveram pela primeira vez e queriam usar a Rebouças, mas dissemos não, porque não há condições de o bairro acomodar de forma segura e confortável”.

Questionada sobre as contrapartidas, a Secretaria de Cultura disse que “não há nada a adiantar” sobre o próximo ano.

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