Entreguismo: Em segredo, Brasil volta a negociar Base de Alcântara com os EUA

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Base de Alcântara.

Iniciativa partiu do chanceler Serra. A primeira oferta brasileira teria sido recusada.

André Barrocal, via CartaCapital em 20/1/2017

Brasil e Estados Unidos retomaram secretamente as negociações de um acordo sobre o uso de uma base militar brasileira no Maranhão para o lançamento de foguetes norte-americanos. Encerradas em 2003, início do governo Lula, as conversas voltaram por iniciativa do ministro das Relações Exteriores, José Serra, interessado em uma relação mais carnal entre os dois países.

O embaixador do Brasil em Washington, Sérgio Amaral, conversou sobre o assunto com o subsecretário de Assuntos Políticos do Departamento de Estado norte-americano, Thomas Shannon, ex-embaixador em Brasília. Uma proposta mantida até aqui em sigilo foi elaborada e apresentada pelo Itamaraty a autoridades dos EUA. Teria sido rejeitada, segundo CartaCapital apurou.

A Base de Alcântara é tida como a mais bem localizada do mundo. Dali foguetes conseguem colocar satélites em órbita mais rapidamente, uma economia de combustível e dinheiro.

No fim do governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), de quem Sérgio Amaral era porta-voz, houve um acordo entre os dois países. Foi enviado ao Congresso brasileiro, para a necessária aprovação. Logo ao herdar a faixa do tucano em 2003, o petista Lula enterrou o caso.

Um dos ministros a defender o arquivamento naquela época foi o hoje colunista de CartaCapital Roberto Amaral, então na Ciência e Tecnologia. Por seus termos, relembra ele, era um “crime de lesa-pátria”.

Os EUA impunham várias proibições ao Brasil: lançar foguetes próprios da base, firmar cooperação tecnológica espacial com outras nações, apoderar-se de tecnologia norte-americana usada em Alcântara, direcionar para o desenvolvimento de satélites nacionais dinheiro obtido com a base. Além disso, só pessoal norte-americano teria acesso às instalações.

“O acordo contrariava os interesses nacionais e afetava nossa soberania”, afirma Amaral. “Os EUA não queriam nosso programa espacial, isso foi dito por eles à Ucrânia.”

Enterrada a negociação com Washington, a Ucrânia foi a parceiro escolhido em 2003 para um acordo espacial. Herdeira da União Soviética, tinha tecnologia para fornecer. Brasil e Ucrânia desenvolveriam conjuntamente foguetes para lançamentos em Alcântara, com o compromisso de transferência de tecnologia de lá para cá.

Um telegrama escrito em 2009 pelo então embaixador dos EUA em Brasília, Clifford Sobel, e divulgado pelo WikiLeaks, relata uma conversa tida por ele com o então representante ucraniano na cidade e mostra a desaprovação do Tio Sam ao entendimento Ucrânia-Brasil. Os EUA não queriam “que resultasse em transferência de tecnologia de foguetes para o Brasil”.

O entendimento do Brasil com a Ucrânia foi desfeito em 2015, após consolidar-se lá um governo pró-EUA.

Na proposta sigilosa de agora, o Brasil teria oferecido a base em troca de grana e tecnologia. As proibições do acerto de 2002, chamadas “salvaguardas”, seriam flexibilizadas. Teria sido esse o motivo da recusa norte-americana.

3 Respostas to “Entreguismo: Em segredo, Brasil volta a negociar Base de Alcântara com os EUA”

  1. Leonardo Couto Says:

    Chega de sermos passivos não aguento mais o imperalismo de Psdb,Eua e oligarquias o Brasil deste tamanho com o potencial incrível reduzido a nada para sermos esta porcaria,é necessário lutar pelo menos por um sistema mais justo que este ,vamos lutar por algo melhor social democrata martoviana,liberalismo social,socialismo marxista,anarquismo lutem não engulo mais isto que querem colocar para a humanidade.

  2. Geraldo Lobo Says:

    O canalha quer uma “base” para os seus mestres amigos aqui dentro do país pra facilitar-lhes a vida e criar ainda maiores embaraços a todos! Não presta!

  3. Jésus Araújo Says:

    Havia outras cláusulas,como proibição de revista das autoridades brasileiras aos contêineres vindo à base ou dela saindo, determinação de julgamento pelas leis estadunidenses de ocorrências na base, mesmo envolvendo cidadãos brasileiros.
    A base se transformaria num enclave estadunidense em território brasileiro. E uma pergunta: que interesse leva o Chanceler Serra a propor renovar o processo de entrega da base de posição geográfica tão privilegiada, onde o Brasil poderá, além de entrar no seleto grupo de nações com tecnologia espacial, alugar o lançamento de foguetes de outras nações? Ou as razões são as mesmas do projeto já aprovado de entrega do Pré-sal às multi do petróleo?

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