A paulada que Meirelles levou da diretora do FMI em Davos

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Desigualdade é importante para ela, não para ele.

Paulo Nogueira, via DCM em 19/1/2017

Temer não foi a Davos pelo motivo habitual: medo.

Durante os dias do encontro de líderes políticos e empresariais em Davos, ativistas de esquerda aproveitam para mandar suas mensagens ao mundo.

Cobri Davos duas vezes, e vi os ativistas em ação.

Temer seria um alvo óbvio, por tudo o que representa. E qualquer manifestação contra ele, em Davos, teria repercussão planetária.

Que a imagem do Brasil no mundo está imensamente desgastada pelo golpe é claro.

Você não tem nem que ouvir rebeldes antissistema.

A diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, por exemplo, fez questão de contradizer a principal autoridade brasileira em Davos, o ministro Meirelles, quando este defendia as reformas conservadoras em curso no Brasil.

A prioridade das políticas econômicas deve ser o “combate à desigualdade social”, disse Christine.

Meirelles tergiversou diante da intervenção de Christine. Ela fora clara, e ele foi obscuro – e inconvincente.

Meirelles disse que países em desenvolvimento como o Brasil têm uma “dinâmica diferente”.

Aparentemente, ele quis dizer que os brasileiros engolem tudo com sua “dinâmica diferente”.

Assim, não seria necessário grande esforço, segundo a lógica de Meirelles, para convencer os trabalhadores a aceitar medidas que imporão a eles o que a moderadora do debate definiu como “grandes sacrifícios”.

Somos passivos. Somos bovinos. Somos inútil, como diz o filósofo Roger.

Li essa notícia na BBC Brasil. Pesquisei no Google para ver se algum jornal dera a colisão de Meirelles com Christine.

Não encontrei nada.

A mídia brasileira sabe o que dá – e o que esconde.

Só falta Meirelles fazer Temer acreditar em nossa “dinâmica diferente”.

Se ele fizer isso, talvez Temer deixe de fugir de um povo que, segundo seu ministro da Economia, aceita tudo.

2 Respostas to “A paulada que Meirelles levou da diretora do FMI em Davos”

  1. Jésus Araújo Says:

    O julgamento de Millôr é, certamente, muito severo às vezes. Mas um dado é preciso ser tomado em consideração para se avaliar o papel dos média, da imprensa. Graciliano Ramos, quando menino, gostava muito de ler jornais. O pai o estimulava, mas prevenia: “Pode ler, mas lembre-se, os jornais têm donos”. Os donos, claro, têm interesses e, consequentemente, têm partido político. Não se exige neutralidade nos jornais, o que se exige é objetividade ao noticiar. Neutralidade e objetividade não são a mesma coisa. O público tem de ser bem informado, para isto é que os jornais existem. Sonegar a notícia, adulterá-la ou torcê-la em benefício de um lado, selecionar as notícias conforme o interesse (vazamentos ou denúncias seletivos) violam a ética e são procedimentos inaceitáveis. Esses pecados, vimos nesses últimos anos, nossa imprensa tem cometido.

  2. Jésus Araújo Says:

    Não se deve espantar com esse silêncio da imprensa. Estamos vendo-o há anos na campanha da imprensa, dos média aliás (são dos mesmos donos), pata preparar o golpe. E nos lembramos de Millôr Fernandes: “A imprensa brasileira sempre foi canalha”.

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