ONG diz que 8 homens têm a riqueza dos mais pobres. Olhe a África para entender

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Bill Gates e Warren Buffett riem à toa.

Um estudo da Oxfam mostra que a desigualdade social entre “super-ricos” e pobres pode ser maior do que pensamos. Para além da pesquisa, Thomas Piketty é mais atual do que nunca. Um estudo mais antigo, também.

Pedro Zambarda em 17/1/2017

São oito homens. Na sua maioria, são brancos e empresários ligados aos ramos de tecnologia, mercado financeiro, telecomunicações, internet e varejo. Eles são Bill Gates, da Microsoft; Amâncio Ortega, da Inditex; Warren Buffett, maior acionista da Berkshire Hathaway; Carlos Slim, proprietário do Grupo Carso; Jeff Bezos, da Amazon; Mark Zuckerberg, do Facebook; Larry Ellison, da Oracle; e Michael Bloomberg, da agência de informação de economia e finanças Bloomberg. Eles foram alvo de uma pesquisa do Comitê de Oxford de Combate à Fome (Oxfam) na realização do Fórum Econômico Mundial de Davos neste começo de 2017.

O documento circulou no noticiário da imprensa mundial e trouxe o título Uma economia para os 99%, continuando as críticas que ganharam força na crise norte-americana que persiste desde 2008. No comunicado oficial da diretora-executiva da Oxfam Internacional, Winnie Byanyima, ela afirmou que “quando uma em cada dez pessoas no mundo sobrevive com menos de US$2 por dia, a imensa riqueza que acumulam apenas alguns poucos é obscena”. Oito bilionários, portanto, ganham a mesma coisa do que 3,6 bilhões de pessoas em situação de absoluta miséria.

Há mais dados no relatório. Entre 1988 e 2011, a renda dos 10% mais pobres da população mundial aumentou em média US$3,00 por ano, enquanto a do 1% mais rico cresceu 182 vezes mais, a um ritmo de US$11800 mil/ano. Ao invés de se chocar com estes dados, ou taxá-los de “estudo comunista”, vale conhecer o trabalho do professor francês Thomas Piketty, que alcançou status pop mundial com o livro O Capital do Século 21 a partir de 2013.

Piketty analisou o gráfico de concentração de renda em 200 anos. Apesar de homenagear O Capital de Karl Marx, as semelhanças morrem no título. O livro na verdade estabelece patamares gráficos de risco social com o aumento progressivo da desigualdade social e econômica. Desde o período pós-Segunda Guerra Mundial, os riscos não estiveram tão grandes quanto neste período entre 2014 e 2017. As consequências das disparidades, segundo Thomas Piketty, é justamente a crise da União Europeia, a Primavera Árabe, as crises envolvendo Estados Unidos e Rússia, além dos conflitos que hoje existem no Brasil.

Entrevistei Piketty no final de 2014. Ele disse claramente que entendia quais eram os motivos para que eleitores pobres tenham votado em Dilma ou Lula e no PT: Redução da desigualdade social. E por que a Petrobras está em crise? Por que o impeachment de Dilma Rousseff ocorreu? Trata-se de uma mobilização da chamada plutocracia: Os super-ricos que têm influência política, entre os quais os oito da pesquisa da Oxfam.

O golpe contra Dilma se desenha neste ambiente de crise econômica e ampliação de desigualdades.

Thomas Piketty escreve também sobre as crises europeias e é insuspeito de ser um militante de esquerda. É tão crítico com a direita quanto é pela esquerda opressora de Nicolas Maduro ou Hugo Chavez. Os prejuízos aos trabalhadores comuns estão no centro de seu estudo.

O segundo levantamento que endossa os estudos da Oxfam sobre os super-ricos é da pesquisadora americana Nancy Hafkin, que foi mostrada no Brasil em 2014. O trabalho chama-se Women in Global Science & Technology (WISAT) e envolve as mulheres e as denúncias de violência em eleições de 2007 no Quênia, na África.

No levantamento da professora doutora, as regiões africanas com mais isolamento feminino levam a menos inclusão digital. Na mesma pesquisa, nos locais onde o machismo predomina a desigualdade social é maior, uma vez que o poder econômico das mulheres é muito reduzido.

A pesquisa de Nancy casa com um dado importante da Oxfam: Segundo o levantamento, as mulheres sofrem maiores níveis de discriminação no trabalho e assumem a maior parte das funções não remuneradas. No ritmo atual, a humanidade ainda levará 170 anos para se conseguir a igualdade salarial entre homens e mulheres com a situação social e econômica que se aprofunda diretamente na crise.

Portanto, antes de defender Bill Gates e acreditar que a desigualdade social o tornará menos rico, olhe para a África. Observe as mulheres.

A resposta está aí.

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