Lula defende que Moro seja investigado por relações com EUA

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Lula voltou a dizer que espera receber um pedido de desculpas quando os procuradores da República reconhecerem que não há como provar as acusações contra ele.

Cíntia Alves, via Jornal GGN em 11/1/2017

O ex-presidente Lula disse que o golpe na presidente Dilma Rousseff teve como finalidade quebrar empresas brasileiras e entregar as riquezas sob tutela da Petrobras a multinacionais, com ajuda do desgaste imposto ao antigo governo e ao PT pela Lava-Jato.

Ele afirmou, na quarta-feira, dia 11/1, que as denúncias de que os Estados Unidos estão interferindo na política nacional e têm relações não transparentes com a força-tarefa do Ministério Público Federal que investiga a estatal de petróleo deveriam ser investigadas pela bancada do PT no Congresso. Lula citou o juiz Sérgio Moro, que vem impedindo que os elos entre a Lava-Jato e agentes estadunidenses sejam abordados no julgamento do caso tríplex.

“A bancada de deputados do PT e os senadores do PT, quando o Congresso voltar a funcionar, têm obrigação de investigar essas denúncias de envolvimento norte-americano junto ao Ministério Público Federal, junto ao juiz Moro e à Polícia Federal. Porque esse país tem mais de 500 anos e não aceita a interferência de norte-americanos aqui”, disparou Lula.

O ex-presidente esteve na Bahia para 29° Encontro Estadual do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Ele discursou para uma plateia que interrompia com gritos de “Fora Temer” e “Brasil urgente, Lula presidente”.

Lula aproveitou a oportunidade para afirmar que será o candidato do PT na disputa pela presidência da República em 2018, “se for necessário”. O Estadão reproduziu e deu destaque a esta fala em sua matéria sobre o evento, sem mencionar o pedido de Lula para que Moro e a força-tarefa sejam investigados pelas relações suspeitas.

O petista ainda disse que todos têm direito de ser candidato, de Michel Temer a Sérgio Moro. O que não pode, na opinião dele, é dar o golpe na democracia alienando a opinião pública.

O discurso de Lula também foi marcado por lembranças das realizações dos governos petistas nas áreas da economia e políticas sociais. Ele disse que foram os acertos do PT, e não os erros, que provocaram o ódio de setores da mídia, política e Judiciário a buscar a extinção do partido.

“Nós não somos perdoados porque erramos, nós não somos perdoados porque conseguimos provar nesse País que a única chance de sair da crise não é penalizar mais o trabalhador. Eles já são penalizados desde que nasceram”, disse Lula, defendendo que o Estado volte a intervir com políticas de crédito e uso de bancos públicos para fomentar o consumo e retomar o crescimento.

Lula voltou a dizer que espera receber um pedido de desculpas quando os procuradores da República reconhecerem que não há como provar as acusações contra ele. O petista foi denunciado por obstruir a Lava-Jato, comandar o esquema de corrupção na Petrobras e receber vantagens indevidas da Odebrecht e OAS.

O ex-presidente prometeu percorrer o País em 2017 para “recuperar a imagem do meu partido” e sua própria imagem. “Eu aprendi a andar de cabeça erguida nesse país e não vou baixar a cabeça para ninguém. […] Eu não devo nada. […] Nós vamos voltar.”

***

LULA: “DEVERIAM PERSEGUIR OS QUE ESTÃO QUERENDO VENDER A PETROBRAS”.
Via Brasil 247 em 11/1/2017

Em discurso no 29º Encontro Nacional do MST, que acontece em Salvador nesta quarta-feira (11), o ex-presidente Lula, sem citar nomes, voltou a criticar a “perseguição” a ele e ao PT, e sugeriu que “eles devem perseguir os que estão querendo vender a Petrobras”, se referindo à Operação Lava-Jato.

“Eles querem criminalizar o país. Eles caminham para transformar o PT em um partido ilegal. Eles tentam criminalizar o Gabrielli (ex-presidente da Petrobras), porque houve plataforma de solda que era feita na China, em Cingapura ou na Coreia, que gerava emprego e riqueza lá, que ele trouxe para fazer no Brasil, para formar engenheiros da indústria naval aqui, formar técnicos aqui. Deveriam perseguir estes que agora estão entregando a Petrobras”, disse Lula.

O ex-presidente elogiou a conduta de Gabrielli, também presente ao evento.

“Eu quando indiquei um diretor da Petrobras, o cara tinha 30 anos de Petrobras. Nunca a Polícia Federal tinha dito que ele era ladrão, nunca a empresa tinha dito que ele era ladrão. Nunca o Ministério Público tinha dito. Se esses caras cometeram erros, que paguem pelos erros que cometeram. Mas a Petrobras não pode ser vendida por conta disso. A Petrobras é do povo brasileiro. Eles nunca aceitaram quando nós fizemos a lei da partilha, que o petróleo deixou de ser do cara que ia buscar ele lá e passou a ser do povo brasileiro”.

Lula insinuou envolvimento dos Estados Unidos no cenário político brasileiro, e pediu investigação de suposto envolvimento dos EUA “junto ao juiz Moro”, ao MP e à PF.

Em referência ao atual governo, o ex-presidente afirmou que “eles nunca aceitaram que esse país fosse independente de verdade”. “Esse pais é um continente sozinho. Esse país precisa parar de ter complexo de vira-lata”.

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