10 anos: Tragédia no metrô de São Paulo traz a marca da privatização

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Railídia Carvalho, via Vermelho em 12/1/2017

De 2006 a 2008 as obras da Linha 4 amarela do metrô de São Paulo contabilizaram 11 mortes. A informação é do coordenador da Secretaria Geral do Sindicato dos Metroviários do Estado de São Paulo, Wagner Fajardo. Desse total, sete pessoas morreram no desabamento ocorrido há dez anos na Estação Pinheiros pertencente à Linha 4. Desde 2006, o sindicato denunciava os acidentes nas obras da Linha amarela, inclusive o soterramento de um operário na estação Fradique Coutinho.

Além da morte do trabalhador, outros operários sofreram lesões e casas foram danificadas em 2006, ano em que ocorreram 14 acidentes (lesões, morte e casas impactadas pela obra) na construção da Linha 4. Fajardo lembra que à época o sindicato produziu um jornal enumerando os casos.

“Foi a crônica de uma morte anunciada. O acidente [Pinheiros] já foi precedido de outras mortes nas obras da linha amarela e este, em especial, temos convicção que foi negligência da construtora. Não tem como comprovar até porque a forma como foi feita a apuração à época foi tratada pela mídia como se fosse uma fatalidade quando sabemos que não foi”, afirmou o dirigente.

Na quinta-feira, dia 12/1, quando se completaram 10 anos da tragédia na Linha amarela, o Sindicato dos Metroviários realizou um ato simbólico em frente à estação Pinheiros para denunciar a impunidade e o projeto de privatização do metrô dos mandatários do PSDB paulista, que comandam o governo do estado de São Paulo há 20 anos.

“A Linha 4 amarela foi concebida para ser privatizada e durante todo o processo de construção ela sempre teve esse viés privatizante. A própria concepção da construção dessa linha já foi diferente das demais. Tivemos o absurdo de ter um processo em que a própria empreiteira se fiscalizava por isso não foi possível intervir para evitar o acidente à época porque a fiscalização do metrô não dava aos técnicos responsáveis por ela o poder de interceder e corrigir os problemas que eram apontados”, esclareceu Fajardo.

A obra da Linha 4 estava sob a responsabilidade do consórcio Via Amarela, que era liderado pela Odebrecht e tinha a participação de Camargo Corrêa, OAS, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez. Em novembro do ano passado, os representantes das construtoras foram absolvidos pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. O procurador-geral de Justiça de São Paulo apresentou recurso especial ao Superior Tribunal de Justiça alegando que houve negligência por parte dos responsáveis pela obra.

Fajardo não poupa críticas ao Ministério Público e alega que o processo de apuração do acidente foi obscuro. Segundo ele, o sindicato, ao lado da Federação dos Metroviários de São Paulo, tentou em vários momentos interromper as obras para uma auditoria técnica, mas não conseguiu. Ele lembrou ainda que a blindagem por parte das construtoras impediu que deputados do PT e do PCdoB participassem da apuração.

“Vários interesses cercaram essa obra, que teve apuração parcial e obscura. Para se ter uma ideia, à época, o sindicato não conseguiu fazer contato com nenhum familiar de nenhuma das vítimas. As empreiteiras cercaram os familiares. Nem a mídia conseguiu acesso”, enfatizou o metroviário.

Fajardo informou que a Linha 4, que é privatizada, é campeã de defeitos técnicos. “No entanto, a mídia só aponta os defeitos na parte estatal. Naquela linha tem trabalhadores não reconhecidos como metroviários, não têm direito aos salários e nem aos benefícios como metroviários. São proibidos de protestar”, enumerou.

Pesquisa encomendada em agosto do ano passado pelos metroviários apontou que a maioria da população vê a privatização do metrô como sinônimo de aumento da tarifa do transporte. “Quando a pesquisa questiona sobre prioridade, a população fala que é necessário a contratação de mais funcionários, ampliação da rede e aumentar o número de linhas. A privatização aparece como a última prioridade”, completou Fajardo.

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