Após reunião com Temer e FHC, Aécio diz que povo tem de engolir perda de direitos

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Via Dever de casa em 3/1/2017

Em um texto para ser lido nas entrelinhas, um metido a espertalhão e cínico Aécio Neves diz que o povo aceita perder direitos e que a lei tem que alcançar o Lula. O artigo “Não há alternativa a não ser acreditar e seguir em frente” foi publicado na Folha de S.Paulo de segunda-feira, dia 2/1, e é também uma forte defesa às medidas de morte do Temer.

Veja alguns trechos e o que está por trás deles.

“Assim, não há por que esperar por soluções simples ou saídas fáceis, tampouco rápidas, depois de um trecho tão longo de equívocos, desvios e falhas graves acumuladas”.

Neste trecho, ele tenta convencer de que para combater a crise é necessário que o povo aceite as propostas nada fáceis do Temer, como idade mínima de 65 anos para aposentadoria, rebaixamento do modo de correção do salário mínimo e fim dos direitos trabalhistas contidos na CLT, dentre outros males. Há também a ideia de que o crime maior do PT foi não ter feito todo o mal que o Temer está agora a fazer.

“Enquanto fazemos a arrumação da casa revirada, é importante reconhecer que partimos agora de um patamar bem diferente, inédito. Uma nova consciência nacional nasceu nas ruas e decretou que não há mais espaço para o ufanismo populista, para gestões demagógicas de salvadores da pátria ou para quem se limita à administração diária da pobreza em vez de buscar a sua superação”.

Aqui ele tenta induzir o leitor de que essa “nova consciência nacional nascida das ruas” é a voz do povo, que não aceita mais que governos “populistas” promovam programas sociais, como Bolsa-Família, aumento do salário mínimo acima da inflação, Minha Casa, Minha Vida, Ciência sem fronteiras, Pronatec, Fies etc. É também uma crítica velada à era petista. Com outras palavras, Aécio diz que “para arrumar a casa revirada” e superar a pobreza é preciso depenar o povo.

“Precisamos deixar definitivamente de ser o país em que há leis que ‘pegam’ e as que ‘não pegam’ ou que não alcançam a todos”.

Neste trecho, ele refere-se de forma sutil à possível prisão de Lula, algo sem que, ele sabe, torna sua eleição [dele] a presidente da República ainda mais impossível. E, talvez sem se dar conta, o tucano refere-se também a ele mesmo, que embora seja um dos mais delatados na Lava-Jato, até agora continua solto e contando lorotas pelos jornais.

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