Após negar ajuda a Roraima, é impossível que Alexandre de Moraes não seja demitido

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Kiko Nogueira, DCM em 6/1/2017

Se o governo Temer é um acidente pavoroso, como definir Alexandre de Moraes?

O ministro da Justiça tem brindado os brasileiros com longas explanações a respeito de um plano infalível para a crise no sistema penitenciário brasileiro — o qual, ele jura, não saiu do controle.

Ficou-se sabendo agora que Moraes negou, em novembro passado, o envio de tropas da Força de Segurança Nacional para Roraima.

Num ofício tornado público pela IstoÉ, a governadora Suely Campos pediu apoio “em caráter de URGÊNCIA“ (maiúsculas no original) por causa do “grande clima de tensão”.

Membros do CV e do PCC, diz o documento, estavam em pé de guerra desde agosto último. Os primeiros haviam sido isolados numa ala. Dois meses depois, soldados do PCC quebraram o muro, invadiram a área, decapitaram e queimaram os corpos de dez inimigos.

Uma bomba relógio, uma tragédia anunciada.

Moraes negou. Dada sua atuação no cargo desde o primeiro dia, seria uma surpresa que estivesse prestando atenção ao que realmente interessa.

Moraes é um falastrão que ganhou um ministério após comandar a PM paulista em sua sanha de arrebentar estudantes em protestos. Virou uma subcelebridade e passou a agir como tal.

Em outubro, falou que a guerra entre facções não passava de uma “fanfarronice”. Esta semana, repetiu a tese. “É uma questão muito mais profunda do que essa guerra, que tem que ver com a entrada de armas”, afirmou.

Insiste que o PCC não retaliou a FDN, apesar de um vídeo em que os próprios membros reforçam que é disso que se trata.

Não trabalha. No governo, é o campeão de viagens entre Brasília e São Paulo em aviões da FAB: até dezembro, foram 64 de um total de 85 traslados. Em 46 ocasiões, não havia justificativa oficial na agenda.

Num desses passeios, esteve em Ribeirão Preto apoiando o candidato do PSDB à prefeitura e aproveitou para avisar uns pangarés do MBL, diante das câmeras, que uma operação da PF aconteceria no dia seguinte. Batata.

Na quadrilha temerista, Moraes é um tropeço a mais. Incompetente, marqueteiro, deixa como legado as maiores matanças em cadeias desde o Carandiru.

A cabeça que interessa, a sua, é a que deveria ser entregue, mas não o será porque seu chefe, como ele, não tem a menor ideia do que fazer e para onde ir.

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