Mídia francesa se espanta com o baixo preço cobrado pela Petrobras pelo pré-sal

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Imprensa francesa confirma o que a Federação Única dos Petroleiros (FUP) denuncia há tempos: “A gestão Parente-Temer está entregando nossas reservas estratégicas a preço vil”.

Conceição Lemes, via Viomundo em 27/12/2016

Na quarta-feira [21/12], a Petrobras fechou acordo com a petroleira francesa Total estimado em US$2,2 bilhões. Ele prevê a cessão à Total dos direitos de exploração destas áreas do pré-sal: 22,5% do campo de Yara e 35% do campo de Lapa, que começou a operar no dia anterior na Bacia de Santos.

O acordo envolve ainda compartilhamento de terminal de regaseificação e transferência de fatias em térmicas, entre outros negócios.

Para a imprensa francesa, a Total fez um bom negócio com a Petrobras.

O Les Echoes, tradicional diário francês de economia, destaca (o negrito é nosso):

Esses campos “guardam reservas gigantescas de petróleo e o valor pago foi interessante.
[…] as reservas do grupo francês serão acrescidas de 1 bilhão de barris, a um custo estimado entre US$1,75 e US$2,4 o barril. Nas reservas adquiridas anteriormente pela companhia, o preço do barril custou US$2,55.

A Radio France Internationale, também conhecida como RFI, em matéria transmitida para o mundo inteiro na sexta-feira, 23 de dezembro, conclui:

“A Total pagou pouco em relação ao que vai lucrar extraindo o petróleo brasileiro”.

A RFI é uma rádio pública francesa, com sede em Paris.

O Viomundo conversou com João Antônio de Moraes, diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), sobre essa repercussão.

Viomundo – O que achou da avaliação da imprensa francesa?
João Antônio de Moraes –
Só confirma o que a FUP e os movimentos sociais vêm denunciando há bastante tempo. A gestão Pedro Parente-Michel Temer está entregando nossas reservas de petróleo a preço vil. Veja bem. É a imprensa francesa assumindo que a França está levando grande vantagem em cima do Brasil ao se apossar de nossas reservas de petróleo a um preço muito aquém do mercado internacional.

Viomundo – O que significa esse acordo com Total?
João Antônio de Moraes –
Perda de soberania energética. Ele fere a nossa soberania energética, independentemente do preço. E, mais uma vez, confirma que o golpe, longe de ser para combater a corrupção, veio para entregar as riquezas do nosso povo e liquidar os direitos trabalhistas. A questão energia também estava no centro dos golpes contra Getúlio Vargas e João Goulart.

Viomundo – Explique melhor.
João Antônio de Moraes –
Nos anos 50, houve uma tentativa de golpe contra o presidente Getúlio Vargas. Foi logo após a criação da Petrobras.
Já João Goulart, depois de tomar posse, havia dito que iria nacionalizar as refinarias de petróleo. Na sequência, ele foi vítima de um golpe. E a exemplo desses dois golpes, o contra a presidenta Dilma veio para entregar as nossas riquezas.

Viomundo – Supondo que o preço fosse justo, valeria a pena vender esses ativos à Total?
João Antônio de Moraes
– Ainda assim seria ruim para o Brasil, pois o país perderia controle sobre reservas extremamente estratégicas. As áreas sob o controle da Petrobras garantem o abastecimento do Brasil. Já sob o controle da Total garantem o abastecimento da França.

Viomundo – O que fazer?
João Antônio de Moraes –
Mais do lamentar, a gente tem que lutar e resistir para impedir que essa situação continue. E nisso os blogs da imprensa alternativa, progressista, como o Viomundo, têm um papel importante em divulgar o que a grande mídia esconde todos os dias.

Leia também:
Petrobras começa a operar campo do pré-sal e o vende no dia seguinte

2 Respostas to “Mídia francesa se espanta com o baixo preço cobrado pela Petrobras pelo pré-sal”

  1. daysens Says:

    Sinto-me envergonhada perante os demais Povos deste Planeta.
    Todo governo deve sempre e sempre, nos seus atos de governo, atuar no interesse de seu Povo. Tão somente no interesse de seu Povo.
    Por que aqui age-se em oposição aos nossos interesses.
    Como explicar isto?
    Como?Como?

  2. Péricles Pegado Cortez Says:

    Canalhas,Canalhas, Canalhas! Que falta faz um Lott, não precisava nem Napoleão. Esses “acordos” lesivos ao país vem de longe. Lembram da TBG (gás da Bolívia)? Deve ser a próxima a ser entregue a Total ou a BG. A privataria tucana só não entregou naquela altura, porque perderam as eleições. A clausula entreguista previa: assim que tubo encher (capacidade máxima), passaríamos o controle para BG/TOTAL. Pois, até isso acontecer tinha a clausula “ship or pay”, ou seja, pagávamos o tubo cheio a Bolívia, mesmo sem consumir. Como as térmicas demoraram a entrar em funcionamento, pagamos anos sem consumir. Viva a privataria tucana, estão de volta com força total. Pobre povo brasileiro, o único consolo é que a maioria nem sabe o que se passa. Não há inimigo que não possa ser vencido! Ah! é o mesmo Parente! coincidência? Não, é para terminar o serviço incompleto.

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