“Um presidente da República que tem medo de ser vaiado em velório está morto!”

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Velório de Dom Paulo: Cadê Temer?

Paulo Nogueira, via DCM em 15/12/2016

“Um presidente da República que tem medo de ser vaiado em velório está morto!”

Eis uma tirada que é candidata a Frase do Ano de 2016. Ela estava hoje [15/12] nas redes sociais, intensamente compartilhada.

A autora é Ivana Bentes, acadêmica e ensaísta, e a sentença nasceu da notícia de que Temer estava com medo de ir ao velório de Dom Paulo para evitar vaias [Leia abaixo o texto de Kiko Nogueira].

Bem, em pouco tempo Temer provou ser uma das maiores covardias que a República já produziu, e num dos momentos que demandam mais bravura.

É inepto, é sem carisma, é inconfiável, é despido de ética. É tudo isso, mas é principalmente medroso.

E um presidente sem coragem é um não presidente.

Penso nesse atributo essencial de Temer e me ocorre, sempre, um ensaio de Montaigne exatamente sobre o medo. As palavras de Montaigne sobre o medo são um patrimônio da humanidade.

Diz Montaigne: “O medo é a coisa de que mais medo tenho no mundo. Ele ultrapassa, pelos incidentes agudos que provoca, qualquer outra espécie de acidente. Como escreveu Ênio, o pavor acaba com qualquer resquício de sabedoria num homem”.

Observe Temer e veja quanto Montaigne estava certo.

Medo de um velório?

Que mais falta a Temer? Ter medo de barata? De fantasma? Do escuro? (De pedir dinheiro, sabemos que não. Mas isso não é propriamente um ato de coragem.)

Esperar que ele tenha coragem de fazer o que deveria fazer agora – renunciar – é inútil.

Só empurrado pelas ruas ele vai deixar o poder.

Ruas já.

Longe do Planalto, Temer estará condenado a se esgueirar eternamente pelos subterrâneos – pelo medo de ser vaiado.

“Meu maior medo é ter medo”. Montaigne não poderia estar mais certo, e cada um de nós deveria ter esta frase impressa na mente – ou correremos o risco de agir como Temer.

Ia terminar este artigo com Montaigne, mas dadas as circunstâncias me sinto obrigado a repetir Ivana: “Um presidente da República que tem medo de ser vaiado em velório está morto!”

Morto.

Temer está morto.

***

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O ex-presidente Lula foi prestar suas últimas homenagens a Dom Paulo.

TEMER E DOM PAULO: O GOLPE GEROU UM PRESIDENTE MORTO VIVO COM MEDO DE VELÓRIOS
Kiko Nogueira em 15/12/2016

A ausência de Michel Temer no velório Dom Paulo Evaristo Arns não deveria surpreender ninguém. Segundo o Estadão, auxiliares do presidente consideram que o “ambiente de esquerda pode gerar algum tipo de desconforto”.

Em nota, Michel disse que “Dom Paulo foi um defensor da liberdade e sempre teve como norte a construção de uma sociedade justa e igualitária”.

MT passa para a história não apenas como um golpista, um conspirador, mas como um ser humano desprezível.

Não apenas um líder de um esquema corrupto, mas um homem incapaz de qualquer gesto que não seja medíocre.

Temer é a banalidade da mesquinhez. Nesse quesito, é imbatível. Pense numa iniquidade que um sujeito relativamente com a cabeça no lugar não faria – Michel faz.

Ele convoca a imprensa para o dia em que vai buscar o filho na escola em Brasília. Ele mente sobre um jantar com Putin que nunca existiu.

E ele já havia passado por um vexame no funeral da Chapecoense, quando montou um bunker no aeroporto esperando que os familiares das vítimas fossem ali receber sua bênção.

O pai de um dos jogadores pediu-lhe “vergonha na cara”, inutilmente. Inventou que não podia falar que iria por razões de segurança. No estádio, foi recebido com silêncio.

A diferença entre Dom Paulo e ele é gigantesca. Dom Paulo será lembrado pelas próximas gerações, entre outras coisas, como uma referência de luta pelos valores democráticos e pela civilidade.

Temer também não será esquecido, mas pelos motivos opostos.

O fato de seu comparecimento ser discutido com assessores é sintomático de sua pusilanimidade. Trata-se de uma obrigação moral, não apenas de estado.

Ser apupado ou não, nessa hora, é absolutamente secundário. E posso estar errado, mas quem vai se preocupar em hostiliza-lo num enterro?

A morte nos iguala a todos, diz o provérbio latino. No universo paralelo de Michel Temer, alguns são mais iguais que outros. Cairá como um pulha e como tal será eternizado.

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