Tá tudo dominado na republiqueta das bananas

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Um bando de precocemente aposentados decidindo o futuro da previdência social, incluindo o responsável pela área que só ouviu empresas de seguros.

José Carlos Peliano, via Carta Maior em 13/12/2016

Nada tenho contra as bananas, pelo contrário saudáveis, nutritivas, energéticas e até mesmo medicinais. Também nada contra qualquer república, ainda que republiqueta, pois cada uma faz o que pode para ser e estar. Agora, quando está tudo dominado numa republiqueta e das bananas, aí, meu amigo, ninguém segura.

Uma republiqueta das bananas é uma lástima, pois tremendo pejorativo que desmonta qualquer justificativa. Não consegue ser uma república de porte, como qualquer outra respeitável que se preze, tampouco aspira a um estilo melhor, honrado, pois sobressai-lhe somente a produção e o consumo de bananas. O conjunto da obra é lamentável, sofrível, sem perspectivas.

A coisa fica ainda pior, se é que é possível ficar pior, quando se percebe que nessa republiqueta das bananas está tudo dominado. As instituições que deveriam pôr ordem na casa e possibilitar a condução e o desenvolvimento de uma vida social, econômica, política e cultural salutar e benéfica para os cidadãos, ao contrário batem cabeça, perdem a cabeça e não há quem as bote novamente no lugar.

O Brasil desce a ladeira aos trambolhões, tipo assim, sem eira nem beira. O máximo que consegue é seguir a inércia do dia a dia, cada um tratando de se virar como pode para sobreviver hoje sem saber o que virá amanhã, muito menos depois.

Pois é, enquanto isso a economia fica à deriva onde os investimentos em novos projetos nem pensar, empresas reduzindo a produção ou fechando portas, trabalhadores seguindo o tranco, muitos aos montões indo para a rua se virar de qualquer jeito. E a bola de neve na queda da produção total não tem tamanho.

O resultado direto dessa zorra econômica é que não se produz nem se mantem renda, a parte que caberia à produção é aplicada no mercado financeiro para tentar segurar seu valor. Segue daí que os empresários melhor aquinhoados conseguem perder pouco, enquanto os pequenos e médios vivem um salve-se quem puder.

E os trabalhadores? Esses, pobres coitados, nem se fala. Sem empregos e salários nem pagamentos de serviços, aumentam o contingente dos desempregados, vivendo ou à custa de parentes e amigos, quando conseguem, ou enchendo as ruas atrás de qualquer coisa, nem que seja biscate, qualquer auxílio ou mesmo esmola.

Esse quadro desolador e devastador resulta diretamente da inoperância, desqualificação e engodo das instituições. O Executivo por estar nas mãos de um bando de golpistas e corruptos denunciados em várias delações; o Legislativo por seguir os mandos do Executivo de um lado e de uma maioria de parlamentares golpistas e corruptos igualmente denunciados; o Judiciário, ah! o Judiciário, o único inovador, interpretando leis e a Constituição de maneira inapropriada, nefasta, inconsequente.

Os poucos homens e mulheres ilustres, ilibados e conscientes desse País não são ouvidos, ficam à margem inquietos e desesperançados, como a maioria do povo brasileiro, sem poderem interferir no processo para tentar corrigi-lo, apenas reclamar, denunciar e escrever nas mídias alternativas.

Porque a mídia oficial está vendida, totalmente à mercê da banda podre da política nacional associada à vantagens, privilégios e irregularidades de toda ordem. Como afirmou Mauro Santayana, citando jornalista inglês de renome, “a grande mídia não mostra a notícia, ela faz a notícia”.

O circo está armado. A grande mídia faz todo dia a cabeça do brasileiro, mostrando o que quer e bem entende. Os três poderes, assim chamados, tirando os poderes dos cidadãos ao bater cabeça, ao decidir o que cada um resolve, ao prejudicar o funcionamento das leis, dos direitos e dos deveres da população.

Ninguém hoje se entende no comando da nação, seja por falta de comando reconhecido, porque grande parte golpista, seja por excesso de oportunismo, porque igualmente de grande parte golpista e denunciada. Uma vergonha, um desvario, uma desgraça.

Um bando de muito bem remunerados e precocemente aposentados decidindo o futuro da previdência social, incluindo o responsável pela área que só ouviu empresas de seguros para a definição da nova proposta.

Outros tantos desinformados e maria-vai-com-as-outras cortando os gastos públicos por 20 anos, sem ter a menor noção, como os comentaristas da mídia oficial, sobre o funcionamento das finanças públicas e sua relação com as atividades econômicas.

Um parente dos governistas golpistas destruindo a Petrobras e desmoronando todo o complexo industrial petrolífero, ajudando a desestruturar a economia nacional ao tempo em que desbanca uma das primeiras empresas petrolíferas do mundo e inovadora na área de tecnologia de extração.

Um ouvidor de empresários ditando regras para a reforma trabalhista, retirando direitos arduamente conquistados pelos trabalhadores para os tornarem massa de manobra às investidas e interesses do grande capital.

E gente que nunca deu aula na vida desarticulando a educação nacional, sem ter conversado com professores, especialistas da área, mas apenas meia dúzia de três ou quatro abelhudos, empresários do ramo e consultores do tipo de Alexandre Frota, de “currículo invejável na educação de crianças e jovens”.

E tudo isso é resultado de um movimento espúrio, ilegal, inconstitucional e alucinado de derrubada de um governo eleito democraticamente pela maioria do eleitorado. A bandeira dos tresloucados era a de retirar os “corruptos” do comando da nação. Hoje se vê que a manada dos coxinhas conseguiu pôr no lugar um indiscutível e variado bando de corruptos, denunciados pelas empresas condenadas na Lava-Jato como receptores de propinas dos mais diversos tipos.

Enquanto isso, e há longo tempo, não há nenhuma denúncia contra a então presidenta e o ex-presidente, os “corruptos” eleitos pela grande mídia. Embora a turma de Curitiba continue fechando os olhos da Justiça para os demais partidos, mas correndo atrás furiosamente para encontrar, mesmo que não haja nada, pois inventa-se, qualquer coisa contra o PT, por mais estapafúrdia e hilária que seja.

Um presidente denunciado por corrupção, da mesma maneira o presidente do Senado Federal, igualmente o presidente da Câmara, um Supremo que faz vista grossa para tudo isso, aplicando o velho jeitinho brasileiro em suas interpretações de leis, decisões e engavetamentos, uma turma de Curitiba, que desde seu começo, só cita, acusa e condena o PT, mais por convicções do que provas, não conhecendo os demais implicados, uma PGR também pouco imparcial, como sentencia Eugênio Aragão pertencente aos seus próprios quadros etc. etc. etc.

Como é possível que nesse estado de coisas sejam feitas as funestas e desastrosas reformas pretendidas? Com que legitimidade, oportunidade e autoridade? Onde está o bom senso, a justiça e a esperança? O país precisa é de líderes políticos e não de ladrões engravatados e justiceiros.

José Carlos Peliano é colaborador da Carta Maior.

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