Leandro Fortes: O malabarismo da Folha para esconder o favoritismo de Lula

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Leandro Fortes, lido no Esquerda Caviar em 12/12/2016

MALABARISMO
Para não publicar que Lula ganha de qualquer tucano – Serra, Alckmin ou Aécio Neves – em qualquer projeção eleitoral para 2018, a Folha de S.Paulo apela para uma fantasiosa vitória de Marina Silva, em cenários de 2º turno.

Dona Santinha é uma capivara da floresta que a direita cutuca toda vez que entra em desespero.

Nunca chegou nem nunca vai chegar a 2º turno nenhum.

A não ser que essa palhaçada do juiz Moro com o Ministério Público resulte em uma abjeta condenação de Lula, mesmo assim, em segunda instância, ele ganha de qualquer um, em 2018.

#LulaLá

***

MARINA É LÍDER EM TODOS OS CENÁRIOS DE 2º TURNO. SÓ QUE NÃO…
Luis Felipe Miguel, lido no Esquerda Caviar em 12/12/2016

A manchete da Folha é “Marina é líder em todos os cenários de 2º turno”. Mas é claro que a pesquisa Datafolha tem dados muito mais significativos do que esse. Marina Silva seria uma candidata perigosa se pudesse passar a campanha inteira olhando para o lado, fingindo que as questões não são com ela. Olhei a página pessoal e o Twitter dela. Não existe um pronunciamento sobre a proposta de reforma da Providência. Só frases de efeito sobre combate à corrupção, que poderiam ser do Rogério Chequer. O último tuíte de Marina, de anteontem, é “A poeira não irá baixar se não limparmos de vez a lama da corrupção”. O destino de Marina é se liquefazer na campanha eleitoral.

A pesquisa comprova, isso sim, que a eleição é um negócio arriscado para o PSDB. São testados cenários com Aécio Neves, José Serra, Geraldo Alckmin e Sérgio Moro e eles oscilam entre 8 e 11 pontos percentuais. Só com Moro haveria chance de chegar ao 2º turno.

E o dado mais importante é que Lula lidera em qualquer cenário de 1º turno e ganha no 2º turno de qualquer candidato, exceto Marina. Isto apesar da avalanche de acusações, insinuações e mentiras contra ele, todos os dias, há anos. A campanha eleitoral seria a chance para que Lula, finalmente, pudesse apresentar seu lado.

A Folha destaca que Lula mantém alto índice de rejeição, o que também era de se esperar. Os fatos relevantes, porém, são outros. Primeiro, a rejeição a Temer é hoje maior do que a de Lula. Ou seja, a oposição ao governo golpista se tornou um trunfo eleitoral. Depois, algo que a reportagem nem sequer menciona: apesar do cerco incessante, a taxa de rejeição a Lula está em queda desde o início do ano. Estava em 57% em março, caiu para 53% em abril, para 46% em julho e chegou a 44% agora.

Não se sabe, porém, se deixarão Lula ser candidato. Os números da pesquisa geram incentivos contraditórios: para que, finalmente, seja perpetrado o golpe final, com a inelegibilidade de Lula, evitando uma possível vitória eleitoral, mas também para a prudência, já que uma ação assim pode ser a gota que falta para a convulsão social que está sendo cozinhada no Brasil.

Resta saber ainda se Lula é o candidato de que as esquerdas precisam. O governo que ele fez nos dois primeiros mandatos não é mais possível. A hora exige alguém com uma disposição de mobilização e enfrentamento, mais do que de apaziguamento e concessão. Maquiavel já dizia que o principal limite à virtù é a inflexibilidade diante das circunstâncias, o apego a velhas formas de agir mesmo quando elas pararam de funcionar. Lula ainda não mostrou ter superado esse limite.

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