Morre Fidel Castro, um homem que antecipou o futuro

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Em 26/11/2016

“Uma revolução não é um mar de rosas. É uma luta de morte entre o futuro e o passado.”
Fidel em 1961, quando a Revolução Cubana completava apenas dois anos e ele 34.

Segundo informação de Olavo Pereira de Queiroz, presidente da Associação José Martí do Rio Grande do Norte, nosso comandante Fidel Castro faleceu às 22:29 (horário local) de sexta-feira, dia 25/11, aos 90 anos. Queiroz, que está em Havana, afirmou que a notícia foi dada pelo presidente Raul Castro na tevê cubana.

Fidel estava muito à frente de seu tempo. Ele escreveu seu nome como um dos grandes líderes da História, principalmente como o defensor dos explorados e dos que sofrem com a opressão e a injustiça. Por isso mesmo foi odiado pela burguesia e seus fantoches, que contra ele assacam toda sorte de calúnias.

No entanto, nada abalou o amor que o povo cubano e a humanidade progressista devotam a este exemplo do “homem novo”, solidário, ético, audaz, e que jamais desistiu de lutar para antecipar para todos os povos um futuro de paz e justiça social.

Abaixo, uma coletânea textos publicados na Síntese Cubana conta um pouco da trajetória de Fidel que se mistura com a história de Cuba.

CRONOLOGIA DO GOVERNO DE FIDEL CASTRO
1º de janeiro de 1959:
O ditador Fulgêncio Batista deixa Cuba e revolucionários liderados por Fidel Castro tomam o poder.

Fevereiro de 1960: O vice-primeiro-ministro soviético Anastas Mikoyan visita Cuba; firma acordos de comércio de açúcar e petróleo, os primeiros de muitos acordos em mais de 30 anos.

Junho de 1960: Cuba nacionaliza refinarias de petróleo norte-americanas por recusarem a refinar petróleo soviético. Quase todos os outros negócios dos Estados Unidos na ilha são expropriados antes de outubro.

Outubro de 1960: Washington proíbe exportações a Cuba, com exceção de comida e remédios.

16 de abril de 1961: Castro declara Cuba Estado socialista.

17 de abril de 1961: 1.297 exilados cubanos apoiados pela CIA (agência de inteligência dos EUA) invadem a Baía dos Porcos. Ataque fracassa dois dias depois.

22 de janeiro de 1962: Cuba é suspensa da OEA (Organização dos Estados Americanos); e reage pedindo uma revolta armada em toda a América Latina.

7 de fevereiro de 1962: Washington proíbe todas as importações cubanas.

Outubro de 1962: O presidente norte-americano John F. Kennedy (1961-63) ameaça Cuba para forçar a remoção de mísseis nucleares soviéticos; dias depois os soviéticos concordam em retirar as armas e Kennedy decide não invadir Cuba.

Março de 1968: Governo de Castro assume praticamente todos os negócios privados do país, menos pequenas propriedades agrícolas.

Julho de 1972: Cuba se une ao Comecon (mercado comum do antigo bloco socialista, liderado pela União Soviética).

Abril de 1980: Governo declara que cubanos podem deixar o país. Começa crise de refugiados; cerca de 125 mil pessoas abandonam Cuba até setembro de 1980.

Dezembro de 1991: Colapso da União Soviética acaba com ajuda a Cuba, cuja economia cai 35% até 1994.

Agosto de 1994: Castro declara que não vai impedir saída de cubanos que tentam deixar país; cerca de 40 mil pessoas se dirigem aos EUA por mar. EUA e Cuba firmam acordo expandido de migração.

Outubro de 1997: Partido Comunista de Cuba realiza 50º Congresso; Castro reafirma seu irmão mais novo, Raul Castro, como sucessor.

Janeiro de 1998: Papa João Paulo 2º visita Cuba.

23 de junho de 2001: Castro tem um leve desmaio durante discurso baixo sol.

16 de dezembro de 2001: Embarcações de milho e frango congelado chegam ao porto de Cuba, representando as primeiras vendas diretas de comida norte-americana ao país em quase 40 anos.

6 de março de 2003: Parlamento cubano elege Castro para seu sexto mandato de cinco anos como presidente do Conselho de Estado, órgão supremo do governo cubano.

18 de março de 2003: Governo cubano anuncia medidas contra dissidentes que acusa de trabalhar com oficiais norte-americanos para minar o sistema socialista. Setenta e cinco dos críticos mais radicais de Fidel são sentenciados a penas de seis a 28 anos de prisão.

20 de outubro de 2004: Castro tropeça e cai após um discurso e quebra o braço direito.

Novembro de 2004: Cuba liberta seis dissidentes políticos, incluindo o escritor Raul Rivero, em um movimento visto como tentativa de ganhar apoio da União Europeia.

2 de fevereiro de 2005: Castro chama o presidente norte-americano, George W. Bush, de ‘perturbado’, em resposta à declaração dos EUA de que Cuba seria um berço de tirania.

15 de junho de 2006: Raul Castro diz que o Partido Comunista permanecerá no controle de Cuba em caso de mudança de líder.

31 de julho de 2006: Fidel Castro cede temporariamente poderes a Raul Castro para passar por uma cirurgia gastrointestinal.

13 de agosto de 2006: Castro completa 80 anos. As celebrações são adiadas para dezembro para que ele possa se recuperar.

2 de dezembro de 2006: Não comparece a uma parada militar que comemorava o 50º aniversário da Revolução Cuba e não aparece nos festejos de seu aniversário.

28 de março de 2007: Publica uma série de ensaios chamada “Reflexões de um Comandante-Chefe”, em que trata de sua atuação na política internacional, mas continua afastado.

18 de junho de 2007: A ex-combatente, cunhada de Fidel e mulher de Raul Castro, Vila Espin, morre aos 77 anos.

13 de agosto de 2007: Fidel completa 81 anos, mas não comparece às comemorações.

14 de outubro de 2007: Castro faz um telefonema transmitido ao vivo em Cuba a seu aliado Hugo Chávez, que diz a ele: “Você nunca morrerá”.

18 de dezembro de 2007: Castro divulga ensaios em que afirma não querer o poder eterno e não pretender “obstruir o caminho para os mais jovens”. Repete o tema dez dias depois, em seção parlamentar.

20 de janeiro de 2008: Castro é reeleito ao parlamento, mas deixa a possibilidade de se manter como presidente em aberto.

19 de fevereiro de 2008: Fidel Castro anuncia que não voltará a assumir o cargo de presidente de Cuba.

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FRASES DE FIDEL CASTRO
A REVOLUÇÃO
“Posso dizer agora, 46 anos depois do triunfo, que o que alcançamos está muito além dos sonhos que podíamos conceber na época, e éramos bastante sonhadores no início” Em entrevista a Ignácio Ramonet, no livro “Biografia a duas vozes” (editora Boitempo)

“Esta revolução pode ser destruída. Nós poderemos destruí-la se não formos capazes de corrigir nossos erros. Se não conseguirmos pôr fim a muitos vícios: muito roubo, muitos desvios e muitas fontes de abastecimento de dinheiro dos novos-ricos” Em “Biografia a duas vozes”

“Isso já não é somente uma questão de princípios ou uma questão de ética, mas é, inclusive, de certo modo, uma questão de estética. Estética em que sentido? Penso que a revolução é uma obra que deve ser aperfeiçoada; em suma, é uma obra de arte” Em entrevista a Frei Betto, no livro “Fidel e a Religião” (editora Brasiliense, 1ª edição de 1985)

“Com a Revolução, o povo começou a ser soldado, funcionário, administrador, parte da ordem social, do Estado e da autoridade. De modo que, se em princípios do século 18 um rei absolutista da França pôde dizer: ‘O Estado sou eu’, em 1959, quando triunfou a Revolução e o povo chegou ao poder, se armou e defendeu o país, então o cidadão comum pôde dizer: ‘O Estado sou eu’”. Em “Fidel e a Religião”

“Desenvolvemos uma guerra de movimento, como já disse, de atacar e retirar-se. Surpreendê-los. Desenvolvemos a arte de confundir as forças adversárias, para obrigá-las a fazer o que queríamos” Explicando a estratégia de guerra irregular empregada na revolução cubana, em “Biografia a duas vozes”

“A nossa revolução é um exemplo do que significa acreditar nos homens, porque nossa revolução começou do nada. Não tínhamos uma única arma, não tínhamos um único tostão, os que iniciaram a luta eram completamente desconhecidos e, ainda assim, enfrentamos aquele poderio” Em discurso em 1987, publicado em “Che na Lembrança de Fidel” (Casa Jorge Editorial, 1997)

“Condenem-me, não importa. A história me absolverá”. Durante seu julgamento, em 16 de outubro de 1953, por liderar a tentativa de tomada do quartel Moncada

“É preciso saber usar as armas que se tem e é preciso se distanciar totalmente de todos os livros e de todas as fórmulas das academias”. Revelando o que julga ser o segredo do sucesso militar

“A Igreja de Cuba não era popular, não era propriamente uma Igreja do povo, não era a Igreja dos trabalhadores, dos camponeses, dos favelados, dos setores humildes da população”. Em “Fidel e a Religião”

O SOCIALISMO E A URSS
“Em certo ponto, chegamos à conclusão de que, se fôssemos diretamente atacados pelos EUA, os soviéticos jamais lutariam por nós” C
omentando a Guerra Fria, em 2003

“Na URSS houve fenômenos históricos que não ocorreram aqui. O fenômeno do stalinismo não se deu aqui; não se conheceu nunca no nosso país um fenômeno dessa natureza, de abuso do poder, de autoridade, de culto à personalidade. Aqui, desde o início da Revolução, foi feita uma lei que proibia pôr o nome de dirigentes em uma rua, em uma obra, em uma estátua. Aqui não há retratos oficiais nas repartições públicas” Em “Biografia a duas vozes”

“É o que queremos ser: comunistas! É o que queremos continuar sendo: comunistas! Essa é a nossa vanguarda, uma vanguarda de comunistas! Esse é o nosso Congresso: o Congresso dos comunistas e de um povo que o apoiou, um povo de comunistas. Não existiu, nem existe nem existirá força no mundo capaz de impedi-lo” Em informe ao 2º Congresso do Partido Comunista Cubano, em 1980 (publicado no Brasil como “Retrato de Cuba”, editora Quilombo, 1ª edição em 1981)

“O socialismo não chegou aqui por clonagem, nem por inseminação artificial. Eu não conhecia, em janeiro de 1959, um único soviético” Negando o auxílio de comunistas antes da vitória da revolução cubana, em “Biografia a duas vozes”

AUTOAVALIAÇÃO, LEGADO
“O que é um ditador? É alguém que toma decisões arbitrárias, unipessoais, por cima das leis, que não obedece a nada além de seus próprios caprichos ou sua vontade. Eu não tomo decisões unipessoais. Este não é sequer um governo presidencialista. Nós temos um Conselho de Estado. Minhas funções de dirigente fazem parte de um coletivo. As decisões importantes são analisadas, discutidas e sempre tomadas coletivamente. Não posso nomear nem o mais humilde funcionário público”
Em entrevista a Ignácio Ramonet, no livro “Biografia a duas vozes”

“Sou contrário a tudo que possa parecer um culto à personalidade, e você pode constatar, eu já falei disso, que neste país não há uma única escola, fábrica, hospital ou edifício que tenha meu nome. Não há estátuas minhas e praticamente nenhum retrato meu” Em entrevista a Ignácio Ramonet, no livro “Biografia a duas vozes”, quando questionado sobre as diferenças entre o regime cubano e o soviético

“As próximas gerações nos verão como vemos o homem primitivo, tenho essa convicção. Talvez se recordem de uma etapa histórica em que a humanidade quase desapareceu, em que ocorreram coisas terríveis, de quando éramos bárbaros incivilizados” Em entrevista a Ignácio Ramonet, no livro “Biografia a duas vozes”, quando questionado sobre seu legado

“Dediquei toda minha vida a lutar contra a injustiça, contra todo tipo de opressão, a servir os outros, a praticar e difundir a solidariedade” Em entrevista a Ignácio Ramonet, no livro “Biografia a duas vozes

“Não sei o que pretendem com essa coisa tão ridícula. Não tenho nem um centavo meu, não administro um centavo. Terei a glória de morrer sem uma divisa convertível”. Sobre a revista Forbes colocá-lo como um dos chefes de Estado mais ricos do mundo, no livro “Biografia a duas vozes”

“Ao longo dos anos, a influência, o poder, em vez de irem me transformando negativamente, a cada dia sou menos vaidoso, menos pretensioso, menos auto-suficiente”. Em 2003, no livro “Biografia a duas vozes”

LIBERDADE DE EXPRESSÃO
“Se você chama de liberdade de imprensa o direito de contra-revolucionários e dos inimigos de Cuba de falar e escrever livremente contra o socialismo e contra a Revolução, eu diria que não estamos a favor dessa ‘liberdade’. Enquanto Cuba for um país bloqueado pelo império, atacado permanentemente, vítima de leis iníquas como a Helms-Burton, um país ameaçado pelo próprio presidente dos EUA, não podemos dar essa liberdade aos aliados dos nossos inimigos cujo objetivo é lutar contra a razão de ser da sociedade”
Argumentando contra as críticas às restrições à liberdade de expressão em Cuba, no livro “Biografia a duas vozes”

“Quem teme o pensamento livre não educa os povos, não os ajuda, não se esforça para que adquiram o máximo de cultura, de conhecimentos históricos e políticos os mais diversos e para que apreciem as coisas pelo valor em si, e que as coisas saiam de suas próprias cabeças” Argumentando contra as críticas às restrições à liberdade de expressão em Cuba, no livro “Biografia a duas vozes”

“Como falar em liberdade de expressão em países que têm 20% ou 30% de analfabetos e 80% entre analfabetos plenos e funcionais? Com que critério, com que elementos podem opinar”. Argumentando contra as críticas às restrições à liberdade de expressão em Cuba, no livro “Biografia a duas vozes”

DIREITOS HUMANOS
“Acredito que não haja um país com histórico mais limpo em matéria de direitos humanos do que Cuba. No terreno da educação e da saúde não há nenhum país no Terceiro Mundo, e até no mundo capitalista desenvolvido, que tenha feito o que nós fizemos. A mendicância, o desemprego, foram erradicados. Os vícios, o consumo de droga, o jogo, também desapareceram. Você não encontrará aqui crianças pedindo esmolas, dormindo na rua, descalças ou desnutridas”
Em entrevista a Ignácio Ramonet, no livro “Biografia a duas vozes”

“Hoje o país se concentra nas batalhas, lá em Genebra, na comissão de Direitos Humanos da ONU, onde todo mundo sabe o show que é promovido ano após ano, as mentiras e as calúnias que dizem ali contra nós. O mundo não fica sabendo que 80% das medidas em defesa dos direitos humanos que essa comissão aprova são propostas de Cuba” Em entrevista a Ignácio Ramonet, no livro “Biografia a duas vozes”

“Em todos os lugares, em todas as épocas, os atos daqueles que agiram contra seu país a serviço de uma potência estrangeira sempre foram considerados terrivelmente graves. Ninguém pode mencionar um único caso de tortura, de assassinato, de ‘desaparecimento’, algo tão comum e corrente na América Latina” Justificando repressão a dissidentes em Cuba

EUA E AMÉRICA LATINA
“Os mexicanos e os argentinos que saem de seus países são chamados de imigrantes. Todos os que saem de Cuba são exilados”.
Defendendo a ideia de que boa parte dos cubanos que vão aos EUA o fazem por motivos econômicos, em 2004

“Desde o primeiro momento, o governo norte-americano tratou de criar uma imagem desfavorável da Revolução Cubana. Fizeram grandes campanhas publicitárias contra nós, grandes tentativas de isolar Cuba. Para frear a influência das ideias revolucionárias. Romperam as relações diplomáticas em 1960 e adotaram medidas de bloqueio econômico” Argumentando contra as críticas às restrições à liberdade de expressão em Cuba, no livro “Biografia a duas vozes”

“Fracassado o ‘milagre brasileiro’, evidenciado o papel nefasto das empresas multinacionais e do capital estrangeiro que introduziram deformações perigosas na economia brasileira, resta, entretanto, o fato de que o crescimento econômico – desigual, porém notável – do Brasil introduz interesses que se chocam com os do imperialismo norte-americano. A inevitável tendência econômica converte o Brasil num contraditor em potencial dos Estados Unidos” Em “Retrato de Cuba”

“Que me cortem a mão se alguém encontrar uma única frase dita com o propósito de rebaixar o povo norte-americano. Seríamos fanáticos ignorantes se puséssemos a culpa no povo norte-americano pelas diferenças entre os governos”. Após dizer que sentia “aperto no coração” ao pensar nas vítimas do 11 de setembro

SOCIEDADE
“A sociedade de consumo é uma das mais tenebrosas invenções do capitalismo desenvolvido. Tento imaginar 1,3 bilhão de chineses com o nível de motores e automóveis dos EUA. Não posso imaginar a Índia, com 1 bilhão de habitantes, vivendo em uma sociedade de consumo. Essa ordem é incompatível com os recursos essenciais limitados e não-renováveis do planeta e com as leis que regem a natureza e a vida”
Em entrevista a Ignácio Ramonet, no livro “Biografia a duas vozes”

“A ética não é uma simples questão moral, é que a ética rende frutos” Explicando os motivos que levaram os rebeldes cubanos a cuidar de inimigos feridos durante a luta para chegar ao poder

“A gente pensa que o dinheiro é decisivo. Errado. O nível de conhecimento e educação que as classes têm é que é decisivo” Em entrevista a Ignácio Ramonet, no livro “Biografia a duas vozes”

“É a educação que transforma um animalzinho em homem. Ele nasce com todos os instintos: egoísmo, mil coisas. São instintos; mas ele vai lutando contra os instintos” Em entrevista a Ignácio Ramonet, no livro “Biografia a duas vozes”

AS GRANDES DATAS DO GOVERNO E DA VIDA DE FIDEL
12/8/1926: Fidel Alejandro Castro Ruz nasce em Birán, no Leste de Cuba. Filho de imigrante espanhol e de uma camponesa cubana, é o terceiro filho de uma família de sete filhos. Cursou escola primária religiosa e, mais tarde, o colégio jesuíta de Santiago de Cuba e de Havana.

1945: Fidel entra para a faculdade de Direito da Universidade de Havana. Militante ativo da Federação Estudantil Universitária.

1947: Fidel participa da expedição lançada contra o ditador Rafael Leónidas Trujillo, na República Dominicana. A ação fracassa, mas Fidel consegue escapar.

1948: Em visita à Bolívia, participa de violentas manifestações provocadas pelo assassinato do líder populista Jorge Eliecer Gaitán. Entra para o Partido do Povo de Cuba (PCC, ortodoxo) que milita principalmente contra a corrupção governamental. Casa-se com Mirtha Díaz-Balart, mãe de Fidelito, único filho de Fidel conhecido publicamente.

1949: 1º setembro: nasce seu primeiro filho, “Fidelito”.

1950: Se forma em Direito.

1952: Protesta contra o golpe de Estado de Fulgêncio Batista apoiado pelos Estados Unidos. A ditadura estabelecida pela presidência de Batista foi marcada pela violência e pela repressão.

1953: Em 26 de julho, Fidel lança o ataque ao quartel Moncada, em Santiago de Cuba, segundo maior depósito de armas do regime de Batista. A operação foi um fracasso. Preso oito dias mais tarde, é condenado a 15 anos de prisão ao fim de um processo em que foi responsável pela própria defesa, conhecida como “A Historia me Absolverá”.

1955: Fidel é anistiado. Funda o Movimento Revolucionário 26 de julho (data do ataque a Moncada) Em julho, parte para o exílio no México, onde conhece o médico e amigo Ernesto Che Guevara.

1956: Em 2 de dezembro, desembarca no iate Granma, em Cuba com outros 81 homens. A expedição teve de enfrentar as tropas do governo em Alegria del Pio, nas proximidades de Sierra Maestra. Apenas 16 pessoas sobreviveram, entre elas Fidel, seu irmão Raul e Che Guevara. Finalmente, conseguem entrar em Sierra Maestra, onde iniciam o movimento guerrilheiro contra o regime que durou 25 anos.

1957: 16 fevereiro: conhece Celia Sánchez, mulher fundamental em sua vida.

1959: Vitória da guerrilha castrista em 1º de janeiro com a fuga de Batista. Fidel é nomeado comandante-em-chefe das Forças Armadas, mas exerce ao mesmo tempo o cargo de primeiro-ministro. A Reforma Agrária de maio desse ano ataca os latifundiários; fixa uma indenização aos proprietários antigos; cria o Instituto Nacional de Reforma Agrária, encarregado por melhorar a agricultura e redistribuir as terras confiscadas… Quase 90% das terras estavam nas mãos de proprietários norte-americanos. Mais tarde, confisca também dos Estados Unidos as indústrias que haviam se instalado em Cuba.

1960: Fidel pronuncia pela primeira vez a frase “Pátria ou Morte”. Restabelecimento das relações com a URSS: uma aliança estratégica que durou até 1991, até o fim da União Soviética.

1961: Os Estados Unidos rompem as relações diplomáticas com Cuba.

Conhece Dalia Soto del Valle, com quem teve cinco filhos e vive até hoje.

16 abril: proclama socialista a revolução.

17-19 abril: derrota uma invasão de 1.400 anticastristas na Baía dos Porcos.

1º dezembro: declara a revolução marxista-leninista.

1962: Em 22-28 de outubro protagoniza a “crise dos mísseis”.

1965: O até então Partido Unido da Revolução Socialista (PURS) passa a ser o Partido Comunista de Cuba. Fidel é eleito primeiro secretário.

1967: Em 9 de outubro: Ernesto Che Guevara, amigo e companheiro de Fidel, morre na selva boliviana.

1968: Em janeiro, denúncia de uma corrente pró-soviética no seio do PCC oposta à linha cubana (35 apparatchiks são condenados).

1975: Em novembro, Cuba participa abertamente da guerra da Angola.

1976: Em dezembro, Fidel é eleito presidente do Conselho de Estado, órgão supremo do executivo.

1979: Em setembro, Fidel é eleito presidente do Movimento de Países Não Alinhados na VI Cúpula de Havana.

1980: Em maio, no Porto de Mariel, mais de 120 mil cubanos (os Marielitos), autorizados a abandonar Cuba, partem para os Estados Unidos.

1985: Fidel Castro designa seu irmão como sucessor. Abandona o hábito de fumar. Até então, sua imagem era vinculada a uma pessoa barbuda, sempre de uniforme verde-oliva e com charuto na mão.

1988: Fidel Castro começa a se distanciar da URSS de Mikhail Gorbachov e critica severamente a Perestroika. Em 22 de dezembro, assina o tratado sobre a África meridional, em Nova York. O acordo contempla um calendário de retirada dos 50 mil soldados cubanos que ainda estavam em Angola.

1985: Em 6 de agosto, deixa de fumar os charutos “Cohiba”.

1989: Surge o lema “Marxismo-leninismo ou morte”. A partir dessa data, todos os discursos oficiais de Fidel se encerravam com a ideia de ‘Socialismo ou Morte”, seguida da já conhecida “Pátria ou morte, venceremos”. Em 13 de julho, a execução de quatro militares de alta patente, principalmente a do general Arnaldo Ochoa, herói das guerras da Etiópia e Angola, escandaliza o Exército e o povo cubano.

1990: “Período especial em tempo de paz”: regime de economia de guerra destinado a enfrentar o fim da ajuda soviética que a ilha recebia. Em fevereiro, Fidel põe fim ao multipartidarismo.

1991: Em abril, retirada do contingente militar cubano estacionado no Congo desde 1977. Em setembro, Fidel anuncia que jamais se aposentará da política. Em novembro, declara que “Cuba não está a venda”, mas está disposta a acolher os investimentos estrangeiros.

1992: Ofensiva diplomática para romper com o isolamento do país que se depara com uma profunda recessão econômica provocada pelo desaparecimento da URSS. Em julho, a Assembleia Nacional (Parlamento, unicameral) legaliza a criação de empresas mistas com investimentos estrangeiros e prevê a eleição de deputados por sufrágio universal. Ao mesmo tempo, a lei concede mais poderes ao chefe de Estado, que, a partir de então, pode decretar Estado de Emergência. Primeira visita oficial de Fidel a um país da Europa Ocidental para a II Cúpula Ibero-Americana, realizada em Madri.

1993: Para Fidel, “o ano mais difícil da Revolução”, quando ele promulga no dia de seu aniversário a legalização da posse de dólares em Cuba. Assim, ele confirma um processo de reformas econômicas bem controladas: “são concessões que temos de fazer, mas para salvar o socialismo”, justifica. Em 24 de fevereiro são realizadas as eleições legislativas nas províncias e 92,97% dos eleitores votam em candidatos únicos. Em 3 de julho, militares russos que estavam na ilha desde 1963 voltam para casa com suas famílias. Em 23 de dezembro, assinatura do acordo econômico russo-cubano.

1994: Giro pela África Meridional. Fidel assiste à posse de Nélson Mandela. Em 14 de junho, Fidel faz sua primeira aparição em público sem o uniforme verde-oliva na IV Cúpula Ibero-americana de Cartagena, na Colômbia. Em julho, milhares de cubanos embarcam em transportes precários rumo à Flórida para escapar de um país mergulhado em uma enorme crise econômica (a “crise dos balseiros”. Pela primeira vez na história do regime, centenas de manifestantes enfrentam policiais em Havana. Candidatos à emigração desviam embarcações. Fidel decide que não vai proteger as fronteiras de Cuba com os Estados Unidos e, assim, abre as “comportas para saiam os cubanos que quiserem”. O fluxo em massa de emigrantes (29 mil, no total) obriga Washington a renunciar à sua política de acolher os cubanos que praticava há 30 anos.

– Setembro: Havana e Washington chegam a um acordo sobre migração: os Estados Unidos repatriariam todos os cubanos ilegais em seu território com a condição de que Cuba não os punissem. Em troca, Washington concorda em conceder 20 mil vistos por ano aos cubanos que quiserem deixar seu país.

1995: Em março, pela primeira vez desde 1959, Fidel se apresenta em público de terno e gravata para uma cúpula organizada pelas Nações Unidas na Dinamarca. É recebido, depois, pelo presidente francês François Mitterrand com todas as honras de um chefe de Estado.

1996 – Em 24 de fevereiro, Washington acusa os caças cubanos de atacar em espaço aéreo internacional dois monomotores civis fretados por organizações anticastristas. Em 12 de março, o presidente norte-americano Bill Clinton assina a lei Helms-Burton que reforça o embargo comercial contra Cuba, medida que já havia sido fortalecida pela Lei Torricelli em 1992. Em 19 de novembro de 96, Fidel faz sua primeira visita ao Vaticano e conversa com o Papa João Paulo II. O líder cubano convida o Papa a visitar Cuba.

1997: Em julho, os restos mortais de Che Guevara são encontrados na Bolívia e levados a Cuba. Em agosto, autoridades cubanas desmentem boatos que surgiram em Miami sobre a internação e morte de Fidel. Em outubro, o V Congresso do PCC elege Fidel para o cargo de primeiro secretário e ele nomeia seu irmão Raul como sucessor. Em dezembro, em homenagem à visita do Papa João Paulo (21 a 25 de janeiro de 1998), Fidel anuncia que o 25 de dezembro será feriado em Cuba, três décadas depois do Natal ter sido excluído do calendário oficial cubano.

1998: Recebe o Papa João Paulo II em visita história a Cuba (21 a 26 de janeiro).

1999: Recebe Hugo Chávez em sua primeira visita como presidente (17 janeiro). Preside a Cúpula Ibero-Americana em Havana (15-16 novembro). Mobiliza Cuba pela volta do menino náufrago Elián González, disputado com a Flórida e devolvido à ilha sete meses depois (novembro).

2001: Sofre um desmaio em um ato público em Havana (23 de junho).

2002: Recebe o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter.

2003: Ordena a detenção de 75 opositores (18-20 março). Execução de três sequestradores de uma embarcação (11 de abril).

2004: Fratura o joelho esquerdo e braço direito ao cair depois de um discurso em Santa Clara (20 de outubro). Tira o dólar de circulação (8 de novembro).

2005: Sela aliança com Chávez com acordos da Alba (29 de abril).

2006: Evo Morales se soma à união de Fidel e Chávez (29 de abril). Anuncia que sofreu uma crise de saúde e delega o poder a seu irmão Raul Castro (31 de julho).
31 julho: cede o poder provisoriamente ao irmão Raul Castro, por crise de saúde.

2007
2 dezembro: candidato a deputado

2008
19 fevereiro: renuncia à presidência de Cuba após 19 meses de convalescença.

CURIOSIDADES
PALAVRAS E MAIS PALAVRAS
Fidel Castro foi autor do discurso mais longo já proferido em uma Assembleia-Geral da ONU. Em 1960, falou por quatro horas e 29 minutos.

LULA A SERVIÇO DA CIA?
De acordo com a Folha de S.Paulo, durante o governo Collor, Fidel Castro veio ao Brasil e visitou Lula. O petista ofereceu um jantar secreto em sua casa, e pediu a Marisa, sua mulher, que preparasse a comida. Um dos membros da equipe de Fidel provou cada iguaria, e nada constatou. Na hora do jantar, Fidel tentou engolir um bife rolê inteiro, e engasgou com o palito. Sem respirar, o “comandante” começou a ficar roxo, até que tapas de Lula em suas costas resolveram o problema. Mais tarde, o futuro presidente contaria a colegas de partido: “Quase matei o Fidel, o que nem a CIA conseguiu. Iam acabar achando que eu era um agente norte-americano, como diziam quando eu comecei a carreira de sindicalista”.

CARTA AO PRESIDENTE DOS EUA
Em 1939, aos 13 anos, Fidel Castro enviou uma carta a Franklin Roosevelt, presidente dos EUA à época, pedindo uma nota de 10 dólares. “Nunca vi uma nota verde norte-americana de 10 dólares e gostaria de ter uma”, escreveu. Recebeu uma resposta padronizada. “Disseram-me, como piada, que se Roosevelt tivesse me enviado os 10 dólares, eu talvez não tivesse causado tantas dores de cabeça aos EUA”, comentou o dirigente no livro Fidel Castro, biografia a duas vozes.

FIDEL EXPLICA A BARBA…
“A barba surgiu das difíceis condições que enfrentávamos na guerrilha. Não tínhamos lâmina de barbear nem navalhas. Quando nos vimos no coração da montanha, a barba e o cabelo de todo mundo haviam crescido, e no final isso se transformou em uma espécie de identificação. Tinha seu lado positivo: para que infiltrassem um espião na guerrilha, era preciso prepará-lo com muita antecedência, para que o indivíduo tivesse uma barba de seis meses. Além disso, a barba tem uma vantagem prática: você não precisa se barbear todo dia. Se você multiplicar pelos dias do ano os quinze minutos diários que leva para fazer a barba, vai verificar que dedica quase 5500 minutos a essa tarefa. Como uma jornada de trabalho representa 480 minutos, isso significa que, ao deixar de fazer a barba, você ganha por um ano uns dez dias”. A explicação foi dada em entrevista para o livro Fidel Castro, biografia a duas vozes.

…E O UNIFORME
“É, antes de tudo, uma questão prática, porque com o uniforme não preciso colocar gravata todos os dias. E evita o problema de ficar escolhendo o que vestir, que camisa, que meias, para deixar tudo combinando”, disse o ditador, no mesmo livro.

“NÃO SOU DITADOR”
Apesar dos mais de 47 anos que passou no comando de Cuba sem disputar eleições, Fidel Castro não se considerava um ditador. “Não posso nomear nem o mais humilde funcionário público”, dizia. Ao falar sobre tiranos de outros países, o cubano não primava pela diplomacia, como é possível ver nos casos abaixo e ao lado, em que dispara críticas até mesmo a ditadores comunistas.

MAO TSÉ-TUNG
“Mao Tsé-tung escreveu páginas brilhantes na história. Mas tenho a absoluta convicção de que na etapa final da sua vida cometeu grandes erros políticos. Não foram erros de direita, foram erros de esquerda ou, melhor dizendo, ideias extremistas de esquerda. Os métodos para pôr essas ideias em prática foram severos, injustos, como durante a chamada “revolução cultural”, e acho que, como consequência de uma política extremista de esquerda, houve depois uma guinada para a direita dentro do processo revolucionário chinês, porque todos esses grandes erros tiveram sua contrapartida.”

SLOBODAN MILOSEVIC
O ex-ditador iugoslavo era outro criticado por Castro. “Milosevic foi um desastre como dirigente, racista, corrupto, só apostava na força”, disse o cubano em 2005.

MOCINHO OU BANDIDO?
Quando menino, Fidel gostava de filmes de faroeste. “Eu levava a sério as habilidades daqueles caubóis. Depois, já adulto, divertia-me com aquilo como algo cômico. Daqueles revólveres cujas balas nunca acabavam, só quando convinha que acabassem; não havia metralhadoras naquela época, e eram tiros e mais tiros…”

ALUNO NOTA 10?
Aos 12 anos, quando estudava em um colégio de jesuítas, Fidel precisava tirar a nota máxima em todas as disciplinas para que sua tutora desse a ele dinheiro para comprar a revista de história em quadrinhos “El Gorrión”. Então, o menino disse à direção da escola que havia perdido sua caderneta de notas, para ganhar outra. De posse de duas cadernetas, falsificava as notas. “Eu só colocava dez. Nenhum nove. Minha tutora acreditava que eu era o aluno mais brilhante que já havia passado pela escola”.

HEMINGWAY
O escritor norte-americano Ernest Hemingway, ganhador do Nobel da literatura em 1953, possuía uma casa em Cuba e ficou amigo de Fidel. “Ele gostava de Cuba. Viveu aqui, deixou-nos muitas coisas, sua biblioteca, sua casa, que é hoje um museu. Gostaria de tê-lo conhecido melhor, de ter tido mais intimidade”.

MAIS HEMINGWAY
Um dos livros do norte-americano influenciou inclusive as táticas militares de Fidel. Li ‘Por quem os sinos dobram’ pela primeira vez na minha época de estudante. E depois devo ter lido mais de três vezes. Conheço também o filme que foi feito mais tarde. Esse livro me interessava porque tratava de uma luta na retaguarda de um exército convencional. Falava na vida na retaguarda, e nos esclarecia sobre a existência de uma guerrilha, sobre como esta pode agir em um território supostamente controlado pelo inimigo. ‘Por quem os sinos dobram’ nos permitia enxergar essa experiência. Voltamos a ele sempre, para consultá-lo, para nos inspirarmos, até quando éramos guerrilheiros”.

MERETRIZES GABARITADAS
Em 1995, durante uma entrevista coletiva, questionado sobre o fato de que cubanas com terceiro grau estavam sendo levadas à prostituição pela crise que decorreu do colapso do regime soviético, Fidel fez uma plateia de jornalistas inicialmente hostis rir com um jogo de palavras: era a educação em Cuba tão boa que até as prostitutas tinham diploma.

FIDEL, SOBRE CHE
Em discurso presenciado por mais de 1 milhão de pessoas em Havana, Fidel homenageou Che Guevara. De acordo com o livro Che – Na lembrança de Fidel, da Casa Jorge Editorial, o ditador declarou: “Se queremos um modelo de um ser humano que não pertença ao nosso tempo, mas ao futuro, eu digo, das profundezas do meu coração, que este modelo, sem uma única mancha em sua conduta, sem uma única mancha em sua ação, sem uma única mancha em seu comportamento, é o Che!”

STALIN
“Stalin cometeu erros políticos e erros táticos, e não vou entrar nos problemas internos, que são conhecidos, o abuso da força, a repressão, o culto à personalidade. Teve visão e alguns méritos, mas métodos autoritários, brutais, repressivos. E a grande culpa que teve por esse país ter sido invadido, em 1941, por milhões de soldados alemães”.

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