Oliver Stone: “Os Estados Unidos precisam de um candidato como o Lula”.

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Oliver Stone afirmou que ataques a Lula são tentativa de destruir sua imagem para as próximas eleições. Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula.

NO BRASIL, OLIVER STONE VISITA LULA E DIZ QUE EUA AJUDARAM NO GOLPE
Renomado diretor veio ao país para lançar novo filme que trata da perseguição a Edward Snowden, que vazou dados confidenciais norte-americano.
Via RBA em 8/11/2016

O cineasta norte-americano Oliver Stone se encontrou na tarde de terça-feira, dia 8/11, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo. Em visita ao Instituto Lula, Stone prestou solidariedade ao ex-presidente quanto à perseguição política que vem sofrendo.

Para Stone, os ataques a Lula têm como objetivo inviabilizar a sua candidatura à Presidência da República em 2018. O encontro entre o cineasta e o ex-presidente foi intermediado pelo escritor Fernando Morais.

Em entrevista ao portal UOL, o diretor afirmou que o que ocorreu no Brasil foi um golpe de Estado, que contou com a participação dos Estados Unidos. “É, verdadeiramente, a definição de um golpe de Estado. E os Estados Unidos apoiaram. Eles reconheceram o novo governo imediatamente”, afirmou.

Já à revista GC Brasil, Stone falou sobre as eleições norte-americanas, disse ser indiferente ao resultado delas e, admirador de Lula há anos, avaliou que a esquerda norte-americana não tem um candidato com o perfil de Lula. “Os Estados Unidos precisam de um candidato como o Lula”, afirmou.

“Os Estados Unidos estão trabalhando em todos os lugares do mundo: Ucrânia, Ásia, Europa, para atingir seus objetivos. Tem a ver muito com o que o Snowden fala: controle total, nova ordem mundial”, disse Stone.

O roteirista e diretor – vencedor de duas estatuetas do Oscar por Platoon (1986) e Nascido em 4 de Julho (1990) – Oliver está no Brasil para o seu mais novo filme, Snowden: herói ou traidor, que conta a história do agente de segurança norte-americano, Edward Snowden, que vazou dados secretos da diplomacia dos Estados Unidos e, desde então, vem sofrendo perseguição. O filme entra em cartaz na quinta-feira, dia 10/11.

Leia na íntegra a entrevista de Oliver Stone.

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Snowden não esperava encontrar na CIA e na NSA um controle tão massivo de informações pessoais em diferentes países.

SNOWDEN CONTRA O IMPÉRIO NORTE-AMERICANO VIRA FILME DIRIGIDO POR OLIVER STONE
História do ex-agente da CIA e da NSA que revelou esquemas de espionagem do governo norte-americano ganha máscara hollywoodiana.
Gabriel Valery, via RBA em 7/11/2016

“Não se trata de terrorismo, e sim de controle socioeconômico.” Dois livros, nove visitas à Rússia, diversas entrevistas e materiais sobre Edward Joseph Snowden deram corpo à pesquisa do roteirista e diretor Oliver Stone – vencedor de duas estatuetas do Oscar por Platoon (1986) e Nascido em 4 de Julho (1990) – em seu mais novo longa-metragem. Snowden: herói ou traidor entra em cartaz quinta-feira, dia 10/11, no circuito nacional de cinemas e traz questionamentos sobre o controle exercido pelo modelo imperialista geopolítico norte-americano.

O filme retrata um período da história de Snowden, analista de sistemas que trabalhou no órgão de inteligência dos Estados Unidos, a CIA, e na agência nacional de segurança, a NSA. Interpretado por Joseph Gordon-Levitt (A Origem, 2010), a história trabalha os aspectos sociais que levaram um jovem conservador, aos 29 anos, a denunciar um esquema intenso de espionagem promovido pelo governo dos Estados Unidos.

Snowden iniciou seu envolvimento com o Estado quando ingressou nas forças armadas. Após severos traumas físicos, teve de abandonar a carreira. Seu ímpeto de continuar a servir seu país fez o jovem autodidata, que não chegou a completar o ensino médio, a tentar uma vaga na CIA. Conta a história que a curiosidade e a vontade de ter acesso a informações confidenciais influenciaram a escolha. Entretanto, o que ele encontrou ao longo de sua carreira foi além do que esperava.

Sensível em relatar a confusão do rapaz ao perceber o nível do controle exercido pelas agências de segurança de seu país, o enredo se desenvolve em duas frentes. A primeira retrata seu contato com os jornalistas Glenn Greenwald, Laura Poitras e Jeremy Scahill, que venceram o Pulitzer pela história revelada por Snowden, publicada no jornal inglês The Guardian, e no norte-americano The Washington Post. Contrapondo interesses mais diversos do capital, os profissionais lutaram pela pauta. E foram essenciais para ajudar o ex-agente a escapar de um tribunal de exceção ao qual seria submetido caso fosse extraditado.

A outra linha temporal do filme traça o período em que Snowden trabalhou para o governo. Por meio de uma máscara hollywoodiana, Oliver Stone encaixa o enredo nos padrões da Jornada do Herói. O personagem central passa por pontos comuns em diversos filmes nesta estrutura clássica descrita inicialmente pelo mitólogo Joseph Campbell. Não à toa, em sua entrevista para ingresso na CIA, Snowden cita Campbell como uma referência. Ali, é possível ver a face de Stone, que executa o formato de forma exemplar.

Dentro do formato padrão do herói, encontra-se o relacionamento do personagem com Lindsay Mills, interpretada por Shailene Woodley (Divergente, 2014). Os altos e baixos do casal são bem explorados pelo roteiro, bem como um quadro de epilepsia, doença que acompanha Snowden. Até hoje, Lindsay vive com seu namorado, que recebeu asilo na Rússia. De maneira acertada, o longa foca seu desenvolvimento na questão da espionagem, entretanto, a fuga do ex-agente de Hong Kong (país onde trabalhou e concedeu a entrevista aos jornalistas) para a Rússia merecia um filme específico. Mas é fato que a película já ultrapassa as duas horas de duração, o que talvez tenha impedido um maior foco neste ponto. Nada que tire o mérito da obra, apenas uma escolha dos realizadores.

Pontos críticos
O longa de Oliver Stone dialoga de certa forma com outras obras que denunciam abusos e falhas com consequências destrutivas do imperialismo norte-americano. É o caso de A Grande Aposta (2015), que traz grande elenco, incluindo Brad Pitt (Clube da Luta, 1999) e Steve Carell (Foxcatcher, 2015), para escancarar a podridão do sistema financeiro dos Estados Unidos, que após uma rede fraudulenta envolvendo agências de risco, bancos e seguradoras, levaram o mundo a uma severa crise em 2008.

Da mesma forma, o filme que relata a história de Snowden não deixa de lado a crítica ácida ao país. Inicialmente inclinado ao conservadorismo, o protagonista ingressa nas forças armadas enquanto o republicano George W. Bush estava no poder impondo uma ofensiva militar no Iraque e no Afeganistão. Após descobrir que a espionagem governamental atingia a todos os cidadãos, especialmente os norte-americanos, além de perceber ataques aleatórios dos militares contra famílias do Oriente Médio, Snowden deposita confiança na ascensão do democrata Barack Obama à Casa Branca para reverter a situação. A realidade, entretanto, é bem diferente.

A política externa praticada por Obama não alterou a vigilância das agências de segurança. Ao contrário, ao denunciar o esquema, o democrata atacou Snowden, o declarando fugitivo e o atacando em diferentes discursos. Então, o ex-agente percebe que as guerras e o combate cego ao terrorismo não passam de justificativas para que o país possa exercer seu domínio hegemônico global.

Neste contexto, chama a atenção do público brasileiro a aparição da presidenta reeleita em 2014, Dilma Rousseff (PT), que foi alvo de espionagem dos Estados Unidos. Em uma das mais emblemáticas cenas do filme, o personagem central explica que este controle é útil ao governo norte-americano para garantir seu interesse em recursos econômicos e naturais externos. Neste momento, também flashes da estatal brasileira Petrobras. Certeiro, o texto do filme cita a influência norte-americana em golpes de estado promovidos em países do terceiro mundo.

O controle acaba desencadeando um processo quase paranoico no ex-agente. Snowden não aceita regressar ao seu país, pois considera que seu julgamento seria praticado por corte injusta. Dessa forma, segue exilado na Rússia. Suas denúncias atingiram como uma bomba o governo norte-americano. Obama, devido à pressão popular, teve de mudar seu discurso, proibindo a espionagem aleatória dos órgãos de segurança governamentais.

O filme traz o desequilíbrio geopolítico criado por Snowden, chamando à reflexão sobre os crimes do Estado norte-americano. Traçando um paralelo com o julgamento de Nuremberg, que condenou nazistas do comando, bem como policiais, juízes e alemães de diversas profissões, indiscriminadamente, apenas por estarem presentes no regime, Oliver Stone questiona até quando as práticas imperialistas dos Estados Unidos passarão impunes.

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