Luciano Martins Costa: A que veio o governo de baixo clero do inquilino do Planalto

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Em lugar dos anunciados cortes nos gastos públicos, o que se observa é o aumento dos dispêndios em propaganda, no esforço urgente de produzir credibilidade.

Luciano Martins Costa, via Revista Brasileiros em 27/10/2016

Os movimentos recentes do inquilino do Planalto revelam a que veio o governo do “baixo clero” da política nacional. Não se trata, como dizem os editoriais e a maioria dos articulistas e analistas abrigados na mídia hegemônica, de um programa de recuperação da economia nacional ou de restauração da moralidade nos negócios públicos.

O que estamos assistindo é a adequação do Estado aos interesses de uma parcela do capital nacional, justamente aquela parte que nunca foi desmamada, ou seja, aquele desvão do capitalismo que não aprendeu a viver a plenitude do risco e da concorrência.

Enquanto lhes foi conveniente a política de subsídios, eles aceitavam passivamente que o governo destinasse parte de seus recursos à administração de doses maciças de ações em projetos de interesse social.

Agora que os recursos minguaram, procuram assegurar que o Estado preserve seus privilégios e lhes crie oportunidades de investimento de baixo risco. O plano de redução dos custos sociais e os programas de privatização são o eixo dessa estratégia.

Em lugar dos anunciados cortes nos gastos públicos, o que se observa é o aumento dos dispêndios em propaganda, no esforço urgente de produzir credibilidade: não apenas aumentou o número, a frequência e a extensão dos anúncios oficiais na mídia que apoiou a troca no comando do Executivo, mas também está em curso um trabalho intenso de convencimento das populações do chamado Brasil profundo, onde centenas de carros de som foram contratados para repetir as promessas de um futuro melhor.

Até mesmo no sertão da Bahia, onde há fartura de rios de águas límpidas, os vilarejos são visitados diariamente por propagandistas prometendo “o fim da seca”.

Curiosamente, também nesses lugares trafegam caminhões, que transportam o produto das grandes empresas agrícolas, com letreiros anunciando “Moro 2018″.

Não se pode adivinhar o efeito dessas artimanhas de comunicação, mesmo porque em todo o território nacional predomina a onipresente Rede Globo de Televisão, retransmitida indefinidamente Brasil adentro.

O que, sim, se pode especular é: o que vai acontecer com os aliados do inquilino do Planalto, aqueles que o conduziram ao poder, se o “juizeco de primeira instância” – como qualificou o presidente do Senado, Renan Calheiros – continuar tomado pelo furor messiânico do justiçamento.

O deputado Eduardo Cunha já foi enviado para o limbo. Renan pode ser o próximo. O senador Aécio Neves se recolheu a uma cuidadosa discrição. O ex-ministro Joaquim Barbosa, que protagonizou papel semelhante ao do juiz paranaense, soube fugir dos holofotes e se ocupa em estabelecer sua banca de advogado em São Paulo.

Nesse passo, não seria absurdo considerar a hipótese alardeada em letreiro de caminhão. Então tudo faria sentido.

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