Fiocruz: “Como controlar dengue e Zika com a PEC 241?”

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Para a Fiocruz, o controle de epidemias vai ficar comprometido com os cortes. Foto: CDC.

Importante entidade de pesquisa no Brasil diz que saúde e estudos vão ficar comprometidos com os cortes propostos pela medida – que avança com tudo

Via Revista Brasileiros em 5/10/2016

Uma das instituições de pesquisa mais respeitadas no País, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulga carta em que exorta o governo a não aprovar a PEC 241 (Proposta de Emenda Constitucional). Medida promete congelar os recursos da saúde e educação nos próximos 20 anos.

Na PEC, o orçamento previsto para as áreas é ajustado apenas pela inflação – e, mesmo se a receita ou PIB do País crescer, não haverá mais recursos. A proposta avança no Congresso. Um primeiro relatório, favorável à sua aprovação, foi apresentado na terça-feira, dia 4/10, na Câmara Federal. Votação em plenário está prevista para o dia 10.

“A Fiocruz pode assegurar que os riscos e danos à saúde e à condição de vida das pessoas são inevitáveis. Cabe assim a pergunta: como assegurar controle de epidemias como Zika, dengue e chikungunya com congelamento de recursos?”

A carta da entidade cita estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). E mostra o seguinte cenário:

a) caso essa PEC houvesse sido aplicada a partir de 2003, a saúde teria perdido 42,1% dos recursos, o equivalente a uma perda de R$257 bilhões;

b) sendo implementada a partir de 2017 e considerando 20 anos à frente, o estudo aponta perdas entre R$654 bilhões e R$1 trilhão (a depender do comportamento da economia).

Para a Fiocruz, a aplicação da PEC 241 segue a premissa de que o momento demanda cortes de gastos sociais para a retomada da economia. Essa visão para a entidade é incorreta. Cita a carta:

“Evidências mostram o fracasso das da restrição de gasto público como estratégia para retomada do crescimento.”

Sobre a importância da Fiocruz: A primeira entidade a isolar o vírus HIV na América Latina
A história da entidade começa em 1900 – quando, pelas mãos do bacteriologista Oswaldo Cruz, o Instituto foi responsável pela erradicação da epidemia de peste bubônica e a febre amarela da cidade.

A entidade também sempre perdeu com o avanço de movimentos autoritários. Perdeu autonomia com a Revolução de 1930. Com o golpe de 1964, foi atingida pelo chamado Massacre de Manguinhos: a cassação dos direitos políticos de alguns de seus cientistas.

A Fiocruz foi a primeira instituição a isolar o vírus HIV pela primeira vez na América Latina – e ainda desenvolveu testes rápidos que detectam o vírus em 2012. Seu papel durante a epidemia de Zika foi fundamental: confirmou os primeiros casos, divulgou estudos sobre outras formas de transmissão e desenvolveu testes para detecção. O instituto também está desenvolvendo uma vacina contra o vírus.

Leia a íntegra da carta da Fiocruz.

Leia também:
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PEC 241: Para variar, os mais pobres pagarão o pato

Uma resposta to “Fiocruz: “Como controlar dengue e Zika com a PEC 241?””

  1. Jésus Araújo Says:

    Custa acreditar que pessoas dotadas de bom senso tenham proposto e votado a PEC 241. Que está por detrás disso? E lembre-se de que os recursos assim congelados sofrerão retirada de 30% por conta da DRU (mordida aumentada de 20% para 30% na atual administração do país).

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