Militância do PSB exige que deputados votem contra impeachment

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Miguel Arraes, com Lula e Eduardo Campos ao fundo, em foto de 2002. Foto: Marcia Gouthuier / Folhapress.

Em manifesto, dirigentes e militantes afirmam que “partido que teve Miguel Arraes não pode estar nas fileiras de Michel Temer”.

Cida de Oliveira, via RBA em 15/4/2016

São Paulo – Militantes, senadores, deputados, governadores, prefeitos e vereadores filiados ao PSB estão entre os mais de 350 signatários de uma carta entregue na tarde de sexta-feira, dia 15/4, à secretária especial da executiva nacional do partido, Mari Trindade, em Brasília. No manifesto, eles cobram que os deputados do partido votem contra o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, no domingo, dia 17/4.

“O manifesto é o recado de que a militância não aceita compor governo com Michel Temer. A militância não foi ouvida pelo partido quando decidiu apoiar o impeachment de Dilma”, afirma a advogada Fernanda Rosas Pires de Saboia, militante do PSB, que coordenou a coleta de assinaturas.

Sem revelar nomes, ela diz que entre os manifestantes contra a decisão do partido estão quadros e militantes do Piauí, Pernambuco, Amapá, Maranhão, São Paulo, Rio Grande do Sul, Distrito Federal e Rio de Janeiro. “Somos nós que seguramos as bandeiras, que ajudamos na eleição dos quadros do partido.”

Fernanda entende que o PSB está sendo incoerente com sua história ao apoiar o golpe à democracia por meio do impeachment. “Um partido que teve Miguel Arraes e toda sua biografia, que nasceu com um projeto claro, de governo inclusivo, não pode aceitar compor um governo com Michel Temer”. “Saímos do governo (Dilma) pela porta da frente. E nunca entraremos em governo pela porta dos fundos.”

Por meio de sua assessoria de imprensa, a executiva nacional do PSB disse que não vai se manifestar sobre o assunto.

Cargos
Em nota divulgada na sexta-feira, dia 15/4, o PSB negou informação do jornal O Globo de que o partido estaria negociando dois ministérios em eventual governo Temer.

Segundo o comunicado, o partido jamais negociou ministérios e nunca se reuniu para discutir apoio ao governo federal em caso de afastamento da atual presidente. “É espantoso que notícias mentirosas sejam publicadas às vésperas do processo de impeachment sem que a reportagem tenha o cuidado de ouvir a direção nacional do PSB, principalmente os dois dirigentes citados na matéria.”

A reportagem cita o nome do ex-deputado Beto Albuquerque e o ex-governador do Espírito Santo Renato Casagrande.

Confira a íntegra:

CARTA DA MILITÂNCIA AO PARTIDO SOCIALISTA BRASILEIRO
“O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons!” (Martin Luther King)

Em outubro de 2013, o Partido Socialista Brasileiro decidiu sair do governo Dilma por não acreditar no rumo que as coisas vinham tomando na condução do país. Naquela ocasião, o saudoso líder Eduardo Campos fez questão de mais uma vez frisar o compromisso com as transformações econômicas e sociais que o governo Lula havia proporcionado ao país, ressaltando todo o orgulho que ele tinha de ter feito parte daquela história. Eduardo apontava as imensas contradições na condução da gestão nacional, e antevia a chegada da crise econômica e política, denunciando as equivocadas decisões fiscais, mas principalmente ressaltando o perigo que era compartilhar tanto poder com o PMDB.

Já em 2013, o sonho da militância socialista era apresentar uma nova forma de fazer política, para avançar ainda mais no debate das desigualdades sociais e regionais, com um pacto federativo para o país. As ideias da “nova política” foram defendidas de maneira cativante, firme e entusiasmada por Eduardo, até o último dia de vida. Por motivos lamentáveis e pueris, durante o período eleitoral, o PSB e sua militância sofreram campanha covarde de difamação, liderada pelo PT e seus (ex) aliados, mas também por setores do PSDB, impedindo que o país tivesse segundo turno entre duas mulheres de origem nas lutas populares.

Passado mais de um ano do processo eleitoral, a direção nacional do PSB deixou de lado a proposta de construir uma alternativa de esquerda para o país e, em nome do pragmatismo e fisiologismo eleitoreiros que assolam os partidos atualmente, alimenta incessantemente uma campanha contrária à democracia e a legalidade, não só contra o (péssimo) governo democraticamente eleito, mas também contra o próprio legado do governo Lula, que sempre orgulhou a militância e sempre entusiasmou Eduardo.

Hoje assistimos constrangidos à união de dirigentes do PSB com aqueles que sempre foram os nossos adversários. A insensatez é tanta que atentam contra a democracia, tentando tirar do poder a presidente, que não cometeu crime, para colocar algumas das figuras mais nocivas da sociedade brasileira – aqueles que sempre denunciamos. É justamente por isso que decidimos que não iremos nos calar!

Somos totalmente contrários à proposta do PMDB e a forma como seus caciques conduzem a República, seu partido e seus parlamentares. O Projeto do PMDB não é um projeto que representa o nosso partido. Um partido que tenta chegar ao poder com eleições indiretas, aliado à mídia e todas as forças conservadoras do país, além de nunca ter sido legitimados pelas urnas, é totalmente avesso à democracia e liberdade proposto pelo PSB.

Sejamos claros e honestos com o Brasil: no domingo os deputados não intentam votar o impeachment da presidente, mas aprovar uma rede de conchavos e acordos espúrios que visam a levar Michel Temer à Presidência da República. A agenda que Temer e seus asseclas defendem para o país é a de retirar direitos dos trabalhadores, promover o conservadorismo religioso, frear a política de redução das desigualdades sociais, ignorar o debate da soberania nacional – tudo patrocinado pela velha elite de empresários paulistas, que não se conforma com o crescimento econômico das regiões Norte e Nordeste do Brasil.

A agenda Temer é exatamente a que aprendemos a combater desde a nossa criação, com João Mangabeira e com as figuras de Antônio Cândido e Francisco Julião mobilizando as ligas camponesas. A nossa luta sempre será inspirada em figuras como Antônio Houaiss e Jamil Haddad. Desde que o também saudoso líder Miguel Arraes passou a dirigir o PSB, a nossa luta e a nossa formação passaram a ser ainda mais focadas nos valores da soberania nacional, e na defesa dos direitos da classe trabalhadora e dos mais carentes. Quem cerrou fileiras com esses grandes dirigentes jamais tolerará o atentado que o PSB tenta impingir à democracia e às nossas bandeiras históricas.

Diante de tudo isso, a militância vem repudiar os deputados que estiveram em reunião com Michel Temer, assim como clamar para que os parlamentares do PSB VOTEM CONTRA o golpe que está sendo gestado no Congresso Nacional e no Palácio do Jaburu, e voltem suas energias a construírem uma alternativa de esquerda a esse projeto que hoje dirige o país.

Não vamos desistir do Brasil: Socialismo e liberdade!

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2 Respostas to “Militância do PSB exige que deputados votem contra impeachment”

  1. Selma Schiedeck Says:

    Que parte os deputados não entenderam???

  2. daysens Says:

    A pergunta que não quer calar:o que houve ontem, afinal?????

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