Cálculo simples: O placar do impeachment e a manipulação da imprensa

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Fábio Lucas Oliveira, via Jornal GGN em 15/4/2016

Cansado de tantos placares e notícias que parecem mais querer influenciar a decisão do que propriamente fornecer bases sólidas para uma avaliação coerente, resolvi eu mesmo fazer um raciocínio numérico sobre a decisão de domingo, dia 15/4, em relação ao impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Para facilitar, resolvi contar os votos governistas, que precisam ser de apenas 33,3% (172 votos) dos deputados federais. Faço uma conta pessimista, do ponto de vista do governo, que é quem precisa do menor número. Desta forma, consigo uma margem de erro bem baixa. Não podemos esquecer que quem deve buscar os votos certos é a oposição, já que a abstenção – legítima no processo democrático –, favorece o governo.

Vamos partir do princípio de que o governo começa com todos os votos do seu partido (o PT) e do PCdoB, certo? Logo, Dilma parte de 68 votos (57 + 11).

Já há uma manifestação clara dos parlamentares do PSOL que, embora não apoiem Dilma, consideram o impeachment um “golpe institucional”, conforme nota da bancada. Todos os 6 parlamentares já se pronunciaram. Logo: 68 + 6 = 74.

A Rede Sustentabilidade se posicionou contra Dilma, por meio de Marina Silva. Mas 2 de seus parlamentares – Aliel Machado (PR) e Alessandro Molon (RJ) – já se posicionaram contra o impeachment, inclusive na comissão de admissibilidade. Temos: 74 + 2 = 76.

O PSB saiu do governo em 2013. Logo, dos seus 30 votos, 3 se declararam contra o impeachment. Então: 76 + 3 = 79.

O PDT tem 20 votos, mas 2 se declararam a favor do impeachment. Dos restantes, 7 estão indecisos e 12 se declararam a favor de Dilma. Mas, um deles (Flávio Nogueira – PI), é suplente e deve sair para ser substituído pelo titular do mandato. Como ele não se posicionou, sobram 11 certos, na pior das hipóteses: 79 + 11 = 90.

O PP orientou voto a favor do impeachment, mas avisou que não haverá punição para dissidentes e abriu uma votação interna. Nela, dos 51 parlamentares, 9 se posicionaram ao lado do governo. Então, temos 99 + 9 = 99.

O PSD foi o assunto do dia. Seu líder, que é o presidente da comissão do impeachment, disse que, após consulta à bancada, está contra Dilma. Mas não divulgou números. 5 deputados fizeram manifestações públicas a favor de Dilma e 15 estão indecisos, sobrando 17 que podem ser contabilizados contra a presidente. Vamos somar só os 5: 99 + 5 = 104.

O PRB tem 22 parlamentares. Apenas 1 se posicionou a favor de Dilma e ainda existem 9 indecisos. Se todos esses se posicionaram contra Dilma, sobrará apenas 1. Improvável, mas sigamos pessimistas: 104 + 1 = 105.

Do PTN, 4 deputados são a favor do impeachment, 6 estão indecisos e 3 são contra. Mantenhamos nosso raciocínio o pior possível, do ponto de vista do governo: 105 + 3 = 108.

No PTB, dos 19 parlamentares, 4 do Nordeste – Arnon Bezerra (CE), Adalberto Cavalcanti (PE), Paes Landim (PI) e Pedro Fernandes (MA) – ficam com Dilma e o partido já anunciou que não haverá punição. 108 + 4 = 112.

No Prós, houve uma articulação para que os parlamentares a favor do impeachment fossem substituídos pelos suplentes na comissão de admissibilidade. Os 2 eram a favor. A bancada é de 5 e 3 estão contra o impeachment. Logo, 112 + 3 = 115.

No PT do B, dos 4 parlamentares, 1 está indeciso e 2 são a favor do impeachment. O que sobra é vice-líder do governo na Câmara e já se manifestou na comissão de admissibilidade contra o impedimento. 115 + 1 = 116.

No PHS também há apenas um apoio já declarado, da bancada de 7. 116 + 1 = 117.

No PTN, da bancada de 13, 2 deputados já se posicionaram contra o impeachment e 4 estão indecisos. Mantenhamo-nos pessimistas: 117 + 2 = 119.

No PEN, há 2 deputados e cada um está de um lado. Continuemos a conta dos votos do governo: 119 + 1 = 120.

No PMDB, 12 parlamentares já se posicionaram contra o impedimento. Ainda devem voltar os 3 parlamentares que ocupam ministério e o partido deve perder mais um voto para o PT, de Patrus Ananias (MG), que também deve voltar para a votação, tirando um indeciso do processo. Para facilitar a conta matemática, vamos acrescentar o voto de Patrus à conta do PMDB. Logo, ficamos com 120 + 16 = 136.

No PR, fala-se em “ampla maioria” contra o impeachment. Segundo o líder, recém-eleito depois de conversas do partido justamente para ajustar o posicionamento, a legenda teria, dos 40 votos, 28 favoráveis a Dilma. 136 + 28 = 164.

Ou seja, faltando 3 dias para a votação, o governo tem, pelo menos, 166 votos. Vejam como o número é diferente dos 113 da Globo, 128 da Veja ou os 112 do “Mapa do Impeachment”. Isso sem contar os indecisos que, como disse lá no começo do texto, podem aderir ao governo ou oposição na última hora ou simplesmente não votar, inviabilizando o impeachment.

Percebem a manipulação dos veículos de comunicação? Dizer: “O governo vai perder a votação, porque cresce a cada minuto a bancada pró-impeachment”, ou ainda “governo já admite derrota” é bem diferente de dizer que nenhum dos lados iniciará a votação com vitória certa.

Será uma disputa voto a voto, decidida na última hora, e hoje o governo está mais perto da vitória. Repito: pode mudar, mas HOJE [15/4] o governo tem mais chances matemáticas do que a oposição.

É esse “pode mudar”, que falei acima, o grande diferencial. Há uma tentativa de forçar um clima entre os deputados e na sociedade, uma vez que a vitória de Dilma, apesar de toda a pressão, se coloca no horizonte. Agora, imaginem com que cara ficarão Globo, Temer, Cunha, Moro e Gilmar, depois de tanta exposição, se perderem no Congresso? Bate um desespero, certo?

RESUMO
PT 57
PCdoB 11
PSOL 6
Rede 2
PSB 3
PDT 11
PP 9
PSD 5
PRB 1
PTN 3
PTB 4
PROS 3
PTdoB 1
PHS 1
PTN 2
PEN 1
PMDB 16
PR 28
Total = 164

Fábio Lucas Oliveira é formado em jornalismo, ex-editor de política em jornais impressos e eletrônicos de Brasília, Campinas e Santos. Hoje é pequeno empreendedor do ramo de construções em Campinas (SP) e se dedica à política apenas quando acha importante desmistificar práticas antiéticas na cobertura jornalística.

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6 Respostas to “Cálculo simples: O placar do impeachment e a manipulação da imprensa”

  1. silviafitti Says:

    Fábio,
    Excelente post, agradecidos!

    PS: corrige duas coisinhas no texto pf:
    Domingo 17 de abril
    90 + 9 = 99

    abs,
    Silvia

  2. Aristóteles Barros da Silva Says:

    Wilson Maejima: concordo plenamente com suas palavras. Se não der para solucionar na boa, vamos ocupar as ruas, de sul a norte; de leste a oeste. Vamos deixar de blá blá blá e defender o que é nosso. Norteamericanos não gostam de ninguém. Por eles, arranca-se os olhos e lambe-se-lhes os buracos. O Brasil não está à venda; Ele tem dono,… somos nós! Esses gringos e seus apaniguados, traidores da Pátria, que vão baixar em outra freguesia! Aqui não tem “petrobrax”; temos Petrobrás, Pré-sal e tudo mais que nos pertence, de fato e de direito. Os Deputados que acabem com essa briga de comadre, que trabalhem pelo povo que os elegeu, votem contra essa aberração de nome estranho – “impeachment” – que se quer jogar sob a nossa Presidenta Dilma. Do contrário, serão lembrados – todos – como crápulas, vermes e abutres que, por enquanto, só tem servido aos Temer, Cunha, Serra e FHC que nos infelicitam.

  3. Wilson Maejima Says:

    PRESTEM ATENÇÃO NO TEXTO ABAIXO:
    ” Começa o plano B dos grandes centros financeiros do mundo.
    Agora começa a Grande Batalha do Atlântico Sul.”
    Vou ser direto.
    Teorias conspiratórias sempre receberam pechas pejorativas.
    Isto é uma forma de desacreditar quem ousa pensar fora da caixa.
    Mas certas teorias são amplamente confirmadas pela prática.
    Logo, a teoria que foi ao ar pelo jornalista Paulo Henrique Amorim
    Afirmando que os russos alertaram o governo brasileiro…
    Sobre o golpe da CIA mediante a manipulação dos desdobramentos da
    operação Lava-Jato
    ( aqui: http://www.conversaafiada.com.br/po…/obama-esta-na-lava-
    jato )
    É de uma precisão tremenda.
    Não temos mais tempo…
    Temos que reagir !!!
    A intenção é enfraquecer o governo…
    Enfraquecer a Petrobras para vendê-la à Chevron.
    Caçar o Lula e prendê-lo…
    Derrubar o governo Dilma…
    É retirar o Brasil do BRICS.
    A operação Lava-Jato é uma TENTATIVA de golpe.
    Sérgio Moro é teleguiado.
    Ele é um agente contratado para tentar desmantelar o
    desenvolvimentismo nacional dos últimos 13 anos e destruir o PT.
    Ele também é um desequilibrado, logo, é figura certa nos planos
    financeiros/desestabilizadores americanos.
    Não vamos poder contar.
    – Com a imprensa do golpe.
    Ela jamais atuaria contra os interesses dela mesma, qual sejam,
    recolonizar o Brasil.
    – Com aqueles coxinhas fanáticos antipetistas.
    Eles tiveram seus cérebros lavados de tal maneira que sobrou apenas
    sabão na caixa craniana.
    – Com os esquerdistas mais radicais.
    Eles sonham com um colapso que lhes daria a grande chance de lutar ao
    lado de anarquistas imbecis tacando pedras em vidraças, além de
    reafirmarem sua “revolução sem povo”.
    – Com boa parte do Judiciário aparelhado ao contrário.
    Juízes, procuradores, promotores e delegados, muitos deles, foram
    colocados ao longo dos anos em postos centrais de decisões judiciais por
    grupos golpistas do grande capital.
    Os russos com suas inteligências bem informadas deram o aviso: a Lava
    Jato é para entregar a Petrobrax à Chevron.
    Os Ivans têm experiências que dispensam maiores comentários.
    Vladimir Putin era da KGB.
    Eles sabem do que estão falando.
    O Lula avisou:
    Vai começar a bater asas denunciando o golpe e as ingerências externas
    por esse Brasil afora,
    E fora do país oportunamente também.
    Só mais um alerta !!!
    Antes eu tinha dúvidas, agora tenho certeza:
    José Eduardo Cardozo não é um banana, ele é um quinta-coluna.
    A nossa Independência AGORA vai ter que ser gritada de verdade,
    pela primeira vez.
    E espero que sem mortes…
    VAMOS NOS ORGANIZAR – VAMOS OCUPAR AS RUAS !!!

  4. edson tadeu (@edsonreis51) Says:

    completando com os 13 deputados do pp que resolveram apoiar a Presidente inclusive o proprio vice-presidente de cunha somam-se mais 13 deputados o que 186 + 13 = 199 hoje para mim baseado em seus calculos cheguei a essa soma a favor do governo. 199

  5. bloglimpinhoecheiroso Says:

    Olhe isso.
    Articulados por Lula, 186 deputados assinam frente parlamentar contra o golpe
    https://limpinhoecheiroso.com/2016/04/14/articulados-por-lula-186-deputados-assinam-frente-parlamentar-contra-o-golpe/

  6. edson tadeu (@edsonreis51) Says:

    DANDO UMA SOMA MAIS AJUSTADA digo o seguinte: vamos dizer que dos indeciso a metade vote com Dilma PDT DE 7 -3 VOTAM COM DILMA, DO PSD DE 15 7 VOTAM COM DILMA PRB DE 9 4 VOTAM COM DILMA PTN DE 6 -3 VOTAM COM DILMA DO PTDOB DE 2 I VOTA COM DILMA, DO PTN DE 4 2 VOTAM COM DILMA. O QUE EQUIVALE A MAIS 20 VOTOS A FAVOR DO GOVERNO SEM CONTAR QUE AQUI NAO SE LEVOU EM CONSIDERAÇAO OS INDECISOS DO PMDB. QUE É A MAIOR BANCADA – TEVE UM DEPUTADO DO PT QUE CHEGOU AOS NUMERO QUE EU CHEGUEI AQUI 186 A FAVOR DE DILMA. confiram

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