Até a Folha publicou notícia sobre abertura da empresa da Globo em paraíso fiscal

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OBScena: Guardo exemplar da Folha de S.Paulo, de 14/7/1996, portanto antes da parceria do jornal Valor, onde provava a existência de paraíso para sonegadores.

REDE GOLPE
Gilmar Crestani, via Ficha Corrida em21/3/2016

O golpe tem nome, CNPJ, endereço, três irmãos na lista da Forbes, histórico de ataques à democracia, parceria com ditadores, manipulação de eleições, manipulação de informação e debates para favorecer caçador de Marajás, programa para mostrar o que é bom para os seus, que havia capturado mediante o esconderijo da amante na Espanha, e compadrio nos vazamentos seletivos e silêncio com os envolvidos com narcotráfico.

O editorial mais famoso de todos os tempos no Brasil saudava a chegada da ditadura de 1964 com as seguintes palavras:

Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, que obedientes a seus chefes demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.

De fato, os grupos que apoiaram a ditadura viveram dias gloriosos. Cresceram e se multiplicaram na mesma proporção das vidas ceifadas nos DOI-Codi da vida. O regozijo era tanto que até peruas eram emprestadas para que os corpos torturados, estuprados, dilacerados fossem jogados nas valas clandestinas do Cemitério de Perus. E é fácil de identificá-los; não aprenderam a viver na democracia. O golpe é sempre latente. A principal filial, a mais identificada com a matriz do golpismo, acaba de falir em Santa Cataria. É a mesma que teve apreensão de jornais na democracia, porque tentava, na véspera de eleições favorecer o cavalo do comissário. Nunca havia sido molestada na ditadura, mas sofrera revés por não ter trocado o chip… Matriz e filial, com a captura do então chefe do Executivo Federal, foram salvas, respectivamente, pelo BNDES e pelo Banco do Brasil. Ah, sem contar o presentinho, por bom comportamento, que o cavalo do comissário deu de presente, a CRT.

O dinheiro sonegado das copas de 2002 e 2006 foram usados para comprar estatuetas, criar institutos de captura (Innovare), insuflar o ódio, esconder 450 kg de informações que estavam num heliptero. As denúncias de lavagem de dinheiro em paraísos fiscais, pela matriz e suas filiais, se avolumaram ao longo do tempo. Onde estão as instituições responsáveis pela apuração? Fazendo parceria, na lavagem!

Manipulação de eleições com fartura de faturas: a primeira tentativa de fraudar o processo democrático deu-se em 1982, no famoso escândalo da Proconsult. O grupo tentou fraudar a contagem de votos para Leonel Brizola para colocar no governo do Rio de Janeiro um cupincha ou capacho. Não há hierarquia entre estas palavras e aquele que pretendiam beneficiar. Pior, reincidiu em pelo menos mais duas oportunidades: na manipulação do debate de 1989, para favorecer, vejam só, outro Naleão! Depois, em 1994, para beneficiar o amante da funcionária, vazaram, via Parabólica, o lema que os identifica: “Eu não tenho escrúpulos; o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”. Mostrar o que é bom para eleger o capturado, esconder o que prejudicaria o faturamento do BNDES para salvar os negócios. O vazamento seletivo, como mostraram as Parabólicas, está no DNA. O poder deles é tanto que se fizerem um exame de DNA vão conseguir provar que seus candidatos são filhos de outros.

A democracia é fatal à serpente como sol aos zumbis. Sem os dutos de dinheiro público para irrigar a “fatura”, a fartura desaparece. A solução é simples: mostra o Darf!

A Rede Golpe não pôs o ovo da serpente, é A SERPENTE!

***

PARA ENTENDER O CASO GLOBO/FHC E AS OFFSHORES NO PANAMÁ
Existem fortes indícios de práticas como organização criminosa, “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores, sonegação fiscal, além de outras ações contra a administração pública, contra o sistema financeiro nacional e contra a ordem tributária envolvendo Globo, offshores (empresas de papel), a Brasif e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Via Teoria e Debate em 14/3/2016

Apresentamos ao Ministério da Justiça e ao Ministério Público, eu e o deputado Wadih Damous (PT/RS), pedido de investigação sobre as relações entre a Globo, offshores (empresas de papel), a Brasif e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Nosso pedido foi subscrito por 25 outros parlamentares do PT e do PCdoB.

A trama é relativamente complexa. A ramificação tem como centro a Rede Globo. Mas o emaranhado começou a ser descoberto com a Mossack Fonseca, empresa sediada no Panamá.

No mundo existem dezenas, senão centenas, de empresas criadas pela Mossack Fonseca para lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial. É o que dizem reportagens do jornal O Globo e do site português Vice. De acordo com as investigações jornalísticas, empresas de papel criadas pela Mossack Fonseca auxiliaram na ocultação de fortunas de pessoas como Rami Makhlouf (Síria), Muammar Kaddafi (Líbia) e Robert Mugabe (Zimbábue). A Mossack Fonseca, por exemplo, segundo o Portal Sudestada, tem o mesmo endereço da Brikford Overseas S.A., cujo diretor é Eugênio Pedro Figueiredo, preso em decorrência do escândalo da Fifa.

A panamenha ganhou – e logo perdeu – os holofotes da grande mídia brasileira por conta das operações policiais Lava-Jato e Ararath. A Murray Holding LCC, ligada à Mossack Fonseca, é dona de alguns apartamentos no condomínio Solaris, no Guarujá. Segundo a revista Época, a publicitária Nelci Warken – que os investigadores suspeitam ser uma laranja – afirmou, em depoimento à PF, que “a offshore era de sua propriedade” e que “usou a Murray para esconder seu patrimônio e sonegar tributos”.

Carolina Auada e Ademir Auada, representantes da Mossack Fonseca no Brasil, foram interceptados pelos investigadores da PF destruindo provas. Por isso eles foram presos, mas pouco depois o juiz Sérgio Moro mandou soltá-los, sob a justificativa, publicada na Folha de S.Paulo: “Apesar do contexto de falsificação, ocultação e destruição de provas, […] na qual um dos investigados foi surpreendido, em cognição sumária, destruindo quantidade significativa de provas, a aparente mudança de comportamento dos investigados não autoriza juízo de que a investigação e a instrução remanescem em risco”.

O que aconteceu para Moro, que sem justificativas para preventiva deixa muita gente presa, soltar essas duas pessoas? O que aconteceu é a Rede Globo.

E aqui entra o trabalho dos blogs. Nossa contribuição foi basicamente reunir o trabalho investigativo feito pela mídia independente e pedir formalmente apuração jurídica das denúncias.

Globo/Mossack Fonseca
São basicamente dois pontos de possível conexão entre a Globo e a Mossack Fonseca: uma mansão em Paraty e o respectivo heliponto. A mansão, segundo a Bloomberg, e depoimento de pessoa que trabalhou na construção do imóvel, pertence de fato à família Marinho.

No papel, a Paraty House e o heliponto estão registrados no nome da Agropecuária Veine, que tem em seu quadro de sócios a Vaincre LCC. Pesquisas da Rede Brasil Atual e do Viomundo indicam que a Vaincre LCC é uma empresa de papel ligada à Mossack. Quem explica como isso funciona é a própria gerente no Brasil, Renata Pereira Britto, presa na operação Lava-Jato. Segundo O Globo, em depoimento à PF, ela disse “que a empresa disponibilizava aos clientes um ‘estoque de empresas de prateleira’ no exterior. As offshores, segundo Renata, já vinham inclusive com diretoria constituída, e o cliente precisava apenas escolher um dos nomes da lista fornecida pela Mossack”.

O objetivo disso não necessariamente é ilegal. O problema é quando elas servem para ocultar patrimônio obtido de forma ilícita – vindo de sonegação de impostos, por exemplo, do que a Globo já foi acusada.

A Vaincre LCC tem o mesmo representante legal, o mesmo endereço e a mesma controladora da Murray Holding LCC, justamente a empresa dona de apartamentos no edifício Solaris, a mesma empresa cuja proprietária diz que usou a offsshore para sonegar tributos.

Conforme investigação do Tijolaço, a Agropecuária Veine declara dedicar-se “a serviços de preservação de animais silvestres, especialmente vieiras e mexilhões para preservação ambiental”. Como questiona o jornalista Fernando Brito, por que um anônimo que “quer preservar nossos animais silvestres” constrói para isso “uma mansão e opera um helicóptero de luxo”?

A possível relação dos Marinho com as offshores é reforçada pelos seguintes elementos, encontrados pelo Viomundo e pelo Tijolaço. O endereço da Agropecuária Veine registrado no Ministério da Fazenda é o mesmo endereço de uma sociedade entre Paula Marinho e João Roberto Marinho. Já o endereço de correspondência da Agropecuária Veine é o endereço da Lagoon, empreendimento de entretenimento que funciona na Lagoa Rodrigo de Freitas, no espaço cedido ao genro de João Roberto Marinho, Alexandre Chiappetta de Azevedo, marido de Paula até 2015.

O envolvimento da Globo no emaranhado de offshores não acaba aí. Como apuraram os blogs, a controladora da Agropecuária Veine (“dona” da mansão e do heliponto que seriam dos Marinho) é, como indicam as investigações do Tijolaço e do Viomundo, a empresa Blainville International Inc. A Blainville tem várias ligações com a Sunset Global Services Ltd. Corp: ambas foram abertas pelo escritório Icaza, Gonzalez – Ruiz & Aleman e ambas teriam o mesmo endereço no Panamá. A Sunset seria de propriedade de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras. Já o escritório Icaza, Gonzalez – Ruiz & Aleman também aparece na constituição da Chibcha Investment Corporation, outra empresa sediada no Panamá e que teria os irmãos Marinho como sócios.

Além da questão patrimonial há o meio ambiente. O heliponto em Paraty foi autorizado em 2009 e em 2015 pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) sem a licença ambiental necessária. A Paraty House já foi objeto de processos administrativos e judiciais por desrespeitar as normas ambientais, mas até agora a mansão encontra-se na área de forma irregular.

O que é interessante é que, embora os Marinho neguem a propriedade de fato desses bens, ninguém até agora apareceu para reivindicar a posse da joia arquitetônica. No papel a dona é a Agropecuária Veine, mas a pessoa de carne e osso que está por trás dessa empresa não levantou a mão até agora.

Globo/Brasif
A Agropecuária Veine é ao mesmo tempo “filha” da Mossack Fonseca e ligada por empresas de papel à Brasif. A Brasif, por sua vez, está ligada à Globo pelo pagamento de Mirian Dutra, ex-namorada de FHC. Temos algo como: Globo – Veine – Brasif – FHC – Globo.

Vamos aos detalhes. O helicóptero que serviria à família Marinho é de propriedade de um consórcio entre a Agropecuária Veine e a empresa Santa Amália. É o que apurou o Tijolaço. O consórcio Veine-Santa Amália teria tido como testemunha de sua constituição Alexandre Chiappetta de Azevedo, o genro de João Roberto Marinho.

O consórcio Veine-Santa Amália, a empresa Santa Amália e a Brasif S.A. Importação e Exportação teriam todos o mesmo endereço. É o mesmo endereço que consta na planta básica da Fundação Libertas – antiga Previminas, que administra os planos de saúde das empresas do governo de Minas Gerais e também seus fundos de pensão. Quem administrou essa fundação foi o ex-deputado Fábio Avelar (PSDB/MG). Segundo apurou o Viomundo, funcionários afirmam que no endereço nunca funcionou o consórcio nem pousou algum helicóptero.

O Tijolaço apurou que o helicóptero Augusta 109 posteriormente foi transferido à Vattne Administração. A Vattne funciona na mesma sala da Cia Brasif Consórcio Empreendimento Luziania, do grupo Brasif.

A Brasif era proprietária da Eurotrade Ltd., com sede nas ilhas Cayman. A Eurotrade Ltd. firmou, em 2002, contrato com a jornalista Mirian Dutra, segundo a qual FHC – com quem ela teria um filho – usou essa empresa para bancá-la no exterior. A Brasif era concessionária das lojas Duty Free nos aeroportos.

A Brasif, segundo a Folha de S.Paulo, conseguiu “derrubar medida criada no governo FHC para limitar a US$300 por pessoa (eram US$500) o gasto nos free shops, além de ter dominado praticamente sozinha a concessão desse tipo de loja em aeroportos.

A intermediação do contrato entre a Eurotrade Ltd. e Mirian Dutra foi feita por Fernando Lemos. Ele era dono da Polimídia, que teve contratos com o governo entre 1993 e 2010. Segundo O Cafezinho, a irmã de Mirian Dutra, Margrit Dutra Schmidt, era esposa de Fernando Lemos e também proprietária da Polimídia. Ela, como apurou a imprensa, seria funcionária “fantasma” do gabinete do senador José Serra. Haveria aí um favorecimento indevido a Margrit, irmã de Mirian Dutra? Uma troca de favores com uso do patrimônio público?

Mirian Dutra trabalhou para a Globo por 35 anos, sendo os últimos 25 em Portugal e Espanha. Segundo ela, em entrevista ao Diário do Centro do Mundo, o diretor de jornalismo da Globo Alberico de Souza Cruz a ajudou a sair do Brasil. Alberico obteve onze concessões de TV do governo federal nos anos de FHC, através das empresas Divinópolis e São Luiz. Há indícios de troca de favores com recursos públicos. Além disso, as empresas Divinópolis e São Luiz foram, como apurou o DCM, constituídas em sociedade com Jonas Barcellos, dono da Brasif.

Parece clara uma triangulação FHC – Globo (Alberico) – Brasif, em que as duas empresas cuidaram de manter Mirian Dutra no exterior, recompensadas com favores do governo federal.

Mirian também disse que uma forma de retribuição do governo FHC à Globo foram os muitos financiamentos a juros baixos concedidos à emissora via BNDES, que, conforme concluiu o Tribunal de Contas da União, entre 1997 e 2002, “o BNDES repassou 2,5 vezes mais dinheiro para o grupo Globo do que o repassado para outras empresas do mesmo ramo que pleitearam empréstimos junto ao banco público. Ou seja, a cada R$3,50 liberados pelo BNDES, R$2,50 foram para a Globo, restando, portanto, apenas R$1,00 para todas as concorrentes do mesmo ramo”.

Há também, segundo o blog Desenvolvimentistas e o blog O Cafezinho, a portaria do Ministério da Fazenda de n° 04/1994 pela qual “FHC efetivamente pode ter pago parte de sua dívida política com a Globo, que liderou a operação, junto com Antônio Carlos Magalhães, para ‘exilar’ Mirian Dutra na Europa”. Segundo O Cafezinho, “essa portaria beneficia diretamente a Globo, dando isenção de IPI (Imposto de Produtos Industriais) para a importação de alguns maquinários específicos”.

Há ainda as relações da Globo/Mossack com o caso Fifa, que é investigado pelo FBI, mas isso é tema para outro artigo. Portanto, existem fortes indícios da prática de crimes como organização criminosa, “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores, sonegação fiscal, além de outras ações criminosas contra a administração pública, contra o sistema financeiro nacional e contra a ordem tributária. Esperamos que a Polícia Federal e o Ministério Público, com seu poder de investigação recentemente constitucionalizado, apurem esses possíveis crimes.

Paulo Pimenta é jornalista, deputado federal e vice-líder do PT na Câmara.

Créditos de Joaquim de Carvalho e Renan Antunes de Oliveira do Diário do Centro do Mundo, Fernando Brito do Tijolaço, Luiz Carlos Azenha do Viomundo, Helena Sthephanowitz da Rede Brasil Atual, Miguel do Rosário de O Cafezinho, Renato Rovai da Revista Fórum, Paulo Henrique Amorim do Conversa Afiada e Luiz Nassif do GGN. As referências e os documentos anexados podem ser encontrados na representação que apresentamos formalmente.

2 Respostas to “Até a Folha publicou notícia sobre abertura da empresa da Globo em paraíso fiscal”

  1. Guimarães Oliveira Advogados Says:

    Neste tempos de Lava Jato, todos o blogueiros do país deveriam resgatar e trazer à luz do conhecimento da população o livro-bomba “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr. Este livro é um verdadeiro kit completo sobre corrupção e lavagem de dinheiro: cada denúncia apresentada já vem com as respectivas provas, na forma do fac-símiles de certidões públicas extraídas de cartórios aqui e no exterior. Cada ladrão graudíssimo da cena nacional política é apontado ali com nome, sobrenome, CPF, CNPJ e endereço.

  2. John Jahnes Says:

    Alguem tem que ter bom senso e ser honesto no STF. PARABENS DR. TEORI.
    GILMAR E ROSA mostraram e provaram porque LULA disse que o STF está acovardado.
    SERÁ QUE PRECISA DE MAIS PROVAS DA COVARDIA INSTITUCIONAL DE ALGUNS DE CERTOS MINISTROS DO STF?
    Mas minha grande dúvida continua sem resposta: _ PORQUE O STF AINDA MANTÉM EM SEU QUADRO DE MINISTROS, ESSE TAL GILMAR MENDES, QUE COMO JOAQUIM BARBOSA DISSE HÁ MUITO TEMPO ATRÁS, “”ESTÁ DESTRUINDO A JUSTIÇA DO BRASIL” – “DESTRUINDO A CREDIBILIDADE DO JUDICIÁRIO BRASILEIRO”” ?

    A Ministra Rosa Weber soltou a seguinte afirmação no seu voto: “Não tenho prova cabal contra Dirceu – mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite”.
    http://cartamaior.com.br/?/Coluna/O-ultimo-julgamento-de-excecao-e-o-fim-de-uma-farsa/29577

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