República do Paraná: O plano de levar Lula para Curitiba poderia ter acabado em tragédia

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Cerca de 100 soldados da Polícia da Aeronáutica cercaram o jatinho que levaria Lula a Curitiba. A equipe da Lava-Jato desiste do plano A.

Jari Mauricio da Rocha, via Carta Maior em 8/3/2016

O que teria, de fato, atrapalhado os planos de levarem o ex-presidente Lula para Curitiba é uma das questões mais levantadas após a última tentativa da equipe de Moro.

Aeroporto de Congonhas, sexta-feira, 4 de março, cedo da manhã.

Soldados da Polícia da Aeronáutica estranham a movimentação de outros policiais armados.

Bloqueiam a entrada e não deixam eles entrarem no aeroporto. Não teriam reconhecido a farda que foi usada pela Polícia Federal, que estava fortemente armada.

Um dos soldados avisa ao coronel o que está ocorrendo.

O coronel fica furioso.

O reforço é chamado. Em poucos minutos a Polícia da Aeronáutica está preparada com centenas de homens para, se preciso for, confrontar os policias da PF.

A confusão é enorme, então descobre-se que o ex-presidente estava sendo conduzido. Neste momento, o coronel assume o comando do aeroporto e dá ordens para que 100 homens da Polícia da Aeronáutica cerquem o jatinho que, segundo lhe informaram, levaria o ex-presidente Lula para Curitiba.

Mais tensão.

Sabe-se então que Lula está na sala da PF para interrogatório. Neste instante é aventada a decisão de invadir a sala para resgatar o ex-presidente. Há uma negociação, mas o coronel, que segundo consta é legalista, teria perguntado: “O que vocês pensam que estão fazendo com um ex-presidente?”

Em meio a isso, o ex-deputado professor Luisinho já estaria protestando contra a detenção de Lula e há uma baderna enorme defronte a sala da PF. Manifestantes contra Lula entram em êxtase.

Desmentidos surgem, mas o coronel do aeroporto não dá sinais de recuar. A PA permanece a postos, pronta para qualquer tentativa de condução de Lula.

A equipe da Lava-Jato desiste do plano A, que seria levar Lula à Curitiba, onde deputados de oposição já estariam comemorando.

Além disso, decidem reduzir o tempo do interrogatório, que era para ser bem mais longo e, consequentemente, mais cansativo ao ex-presidente.

A Polícia da Aeronáutica, sob o comando do coronel, não arreda pé.

Diante do impasse, o juiz Sérgio Moro teria dado ordens para abortar a operação.

O ex-presidente Lula é libertado.

A operação fracassou.

Quem forneceu essas informações, relatou tudo isso, exatamente desta forma.

Provavelmente quem esteve no local, naquela fatídica manhã de sexta-feira, possa ter visto parte desse impasse.

Sobre a veracidade desta versão, cabem duas questões: de fato aconteceu desta maneira, a partir da ótica do narrador; ou, como disse a personagem do filme Cortina de Fumaça, Paul Benjamin, interpretado por William Hurt, após ouvir a história de Natal de Auggie Wren (Harvey Keitel): “Para se contar uma boa história tem-se que saber apertar as teclas certas. E nisso, você é mestre”.

Quando o narrador dessa história terminou de contar, me disse: “Podia ter acontecido uma tragédia. Foi muito tenso”.

A mim coube apenas a fidelidade do relato sem o uso de qualquer recurso literário.

Leia também:
Coletânea de textos: Doutor Sérgio Moro e sua Operação Lava-Jato
Coletânea de textos: Lula, o melhor presidente da história do Brasil

3 Respostas to “República do Paraná: O plano de levar Lula para Curitiba poderia ter acabado em tragédia”

  1. Marcel Leal Says:

    O problema dessa história é que a Band News mostrou várias vezes o jatinho da FAB e, em nenhum momento, se vê sequer um soldado da aeronáutica (ou qualquer outro policial) em volta ou perto dele. As imagens, ao vivo durante o depoimento de Lula, mostram o avião sozinho no pátio.

  2. Péricles Pegado Cortez Says:

    TOMARA QUE SEJA VERDADEIRA! O QUE MAIS PRECISAMOS NESSA HORA É UMA FAs LEGALISTA!

  3. Rogério Guimarães Oliveira Says:

    O que contém neste artigo faz todo o sentido.

    Afinal, por que levaram Lula até o aeroporto de Congonhas para ser interrogado? Um local, como se sabe, de fácil acesso e com fluxo enorme e intenso de pessoas circulando, o que daria a um possível confronto entre militantes pró e contra Lula dimensões gigantescas.

    Se a condução coercitiva era para evitar tumultos, como justificou Moro, o aeroporto escolhido para a colhida do depoimento do ex-presidente era o pior local da Capítal paulista. Mais lógico seria levar Lula para um local discreto da PF, de difícil acesso e afastado de aglomerações públicas. Isto daria lógica ao argumento do juiz.

    Logo, o plano inicial talvez fosse exatamente este: levar Lula até Congonhas e embarcá-lo a força e um jatinho que o conduziria até Curitiba, para o deleite dos comissários da República de Curitiba e aumento de poder do próprio juiz Moro. A imprensa e os opositores iriam ao delírio numa hipótese destas.

    Chegando em Curitiba, Lula passaria a ser interrogado em local secreto, por salivantes procuradores e delegados. Talvez até pelo próprio Moro, sem dar tempo para a chegada de seus advogados e conselheiros (afinal, a ilegalidade de procedimentos já está correndo solta mesmo na Operação Lava Jato).

    Porém, o ambiente em Congonhas ficou tenso demais naquela manhã e alguma coisa poderia dar muito errado com este plano. Então, optou-se pelo plano “B”, para não correr-se riscos tão elevados de um grande fiasco judiciário. Moro então recua e autoriza que Lula fosse ouvido ali mesmo, no próprio aeroporto, onde já se encontrava.

    Agora, acrescente a isso tudo um plausível Plano C (ou “quinto elemento”, como diriam alguns), nesta hipótese de condução coercitiva de Lula a Curitiba. No meio do caminho, uma pane derruba o jatinho, matando o mais expressivo líder político brasileiro de todos os tempos, resolvendo o maior problema enfrentado pelas oposições conservadoras para retornarem ao poder.

    Plausível?

    Quem duvidar desta hipótese deve lembrar-se de Eduardo Campos. Morto em um jatinho “sem dono” que caiu misteriosamente, há dois anos, durante a campanha presidencial.

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