Via Folha online em 2/3/2016
Um apoiador do empresário João Dória na disputa interna do PSDB pela candidatura à Prefeitura de São Paulo afirmou, à Polícia Civil, que trabalhou transportando eleitores até os locais de votação no domingo, dia 28/3, quando o partido realizou a primeira etapa das prévias paulistanas. A informação consta de boletim de ocorrência lavrado após uma confusão interromper a eleição no diretório do Tatuapé (SP).
O militante que assumiu na delegacia que estava transportando eleitores até o local de votação é Albino José Seriqueira, conhecido como Bininho, que fazia campanha para Dória. Ele falou com a polícia porque foi agredido por um morador da região durante a confusão que acabou encerrando a eleição no Tatuapé.
Bininho deu uma série de entrevistas sobre o que havia ocorrido e ganhou notoriedade por ter ficado com calças arriadas no meio da confusão. Segundo o registro no B.O., Bininho disse à polícia que “participava da votação para escolha do candidato à Prefeitura de São Paulo pelo diretório do PSDB – Tatuapé, levando e trazendo eleitores”.
“Quando chegou ao local dos fatos, a confusão já estava instalada”, diz o documento. Bininho disse ter levado um soco no rosto durante a briga.
Dória vem sendo acusado pelos adversários nas prévias de ter comprado votos. Ele venceu a primeira fase das prévias e agora vai disputar o 2º turno contra o vereador Andrea Matarazzo (PSDB/SP).
Aliados de Matarazzo e Trípoli fizeram uma representação contra Dória por abuso de poder econômico à direção municipal do partido.
O empresário cresceu na disputa interna com o apoio do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Questionado sobre as acusações de compra de votos, Alckmin saiu em defesa de Dória e disse que as alegações eram “ridículas”.
Dória, por sua vez, nega qualquer irregularidade e disse que fez sua pré-campanha com base nas regras estabelecidas pelo PSDB paulistano.
Baixaria
Os militantes prestaram depoimento porque a polícia foi acionada para conter o tumulto que se instalou no local de votação das prévias no Tatuapé. O boletim de ocorrência informa que as autoridades foram acionadas para conter uma “invasão por membros de uma facção criminosa” que tentavam “mediante ameaça, impedir a votação de filiados do PSDB”.
Moradores da região teriam reconhecido um dos três rapazes que invadiram a zona de votação. No B.O. ele só é identificado pelo apelido, Geleia.
A Folha reuniu informações com moradores no dia em que houve a confusão e cruzou os dados com o relato que consta no documento da Polícia Civil. Geleia seria um morador conhecido na região e é descrito no B.O. como integrante de uma facção criminosa.
Na ocasião, os moradores disseram que Geleia decidiu invadir o local ao perceber que uma mesária, apoiadora do deputado Ricardo Trípoli, estava sendo pressionada por aliados de João Dória a retirar da ata de votação o registro de que o grupo ligado ao empresário estaria oferecendo cerveja e churrasco para atrair militantes.
Geleia não é militante do PSDB, mas conhece os moradores da região e acompanhava o processo de votação à distância, em um bar.
Pessoas que acompanharam a confusão disseram à reportagem que ele teria invadido o local para encerrar a discussão.
Segundo o relato registrado no B.O., Geleia determinou a dois jovens – aparentemente menores de idade – que danificassem as urnas e os computadores que estavam sendo usados.
Ele ainda teria agredido uma mulher com um soco no rosto e ameaçado outra militante do PSDB com um banco.
No dia da confusão, o deputado Ricardo Trípoli disse não reconhecer os autores da agressão a militantes do Tatuapé nem estimular a violência.
Leia também:
● Baixaria tucana: Brigas e invasão afetam prévias do PSDB em São Paulo
● Coletânea de textos: Alckmin e sua mediocridade
● Coletânea de textos: Trensalão tucano e a grande quadrilha
● Coletânea de textos: FHC, o vendilhão da Pátria
● Coletânea de textos: Lista de Furnas, Aécio Neves e o brilho de sua carreira
● Coletânea de textos: José Serra, o Zezinho entreguista
● Coletânea de textos: Álvaro Dias, Beto Richa, Banestado e outros personagens da República do Paraná
● Coletânea de textos: O início do fim da era plim-plim
● Coletânea de textos: Sonegação é crime, estúpido!
● Coletânea de textos: Gilmar Mendes, o defensor-geral do retrocesso
● Coletânea de textos: O nome é Petrobras e não Petrobrax, estúpido!
● Coletânea de textos: Quem tem Cunha, tem medo
● Coletânea de textos: A mídia como ela é… golpista e manipuladora
● Coletânea de textos: Os coxinhas marchadores, o fascismo e o impítiman
● Coletânea de textos: Doutor Sérgio Moro e sua Operação Lava-Jato
● Coletânea de textos: O Judiciário brasileiro, que serve só à elite, é caro e ineficiente