Quem lava a jato não lava direito

Sergio_Moro82

Quem lava a jato não lava a fundo, principalmente se os lavadores não enxergam ou não querem enxergar todas as pistas ou pontas de sujeiras.

José Carlos Peliano, via Carta Maior em 18/2/2016

De novo chover no molhado. A mesma ladainha de inquietação, irritação, indignação, e outros tantos ãos dados pela frustração de ver a justiça brasileira, nem toda é claro, deixar de ser imparcial.

Essa história de só se ver a justiça funcionando depois que ela é procurada torna a vida do cidadão presa a advogados e ritos e processos e a um emaranhado de passos e providências para que enfim uma reclamação, uma investigação, uma apuração, e que tais, possam ser feitas oficialmente.

Enquanto isso não se dá, quem tem amigos, afinidades, simpatias e expectativas de um lado da justiça e das chefias de algumas instituições constituídas acaba se dando bem. Muito bem mesmo.

O bordão do Planeta dos Homens de Jô Soares de anos atrás serve bem aqui: “Não precisa explicar, eu só queria entender”. Está claro que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Mas porque duas coisas semelhantes são tratadas de maneira diferente?

Esse assunto já foi abordado inúmeros vezes aqui na Carta, tanto por mim quanto por outros colunistas e colaboradores. Ocorre que ou corre e o bicho pega, ou fica e o bicho come. Nem uma coisa nem outra, no entanto, vamos tentar ver os fatos de outro campo de visão.

O governo e o partido do governo são o prato de todo dia da oposição e da justiça. Se não de toda a justiça constituída que a outra parte se pronuncie então. O fato é que de levar tantas bordoadas diariamente governo e partido deixaram de ser pobres indefesos para heróis sobreviventes.

Ou mais que isso, passaram a ser os inimigos mais tenazes da oposição constituída em seus vários escaninhos, linhas de ação e tomadas de decisão. Querem de tudo e por tudo de acabarem com o governo eleito, o PT e com seu ex-presidente emblemático Luís Inácio Lula da Silva.

Se esses são inimigos pelo que fizeram nesses anos todos, merecem então o galardão de terem governado desde o povo, pelo povo e para o povo. Contra interesses manifestos e constituídos contra as políticas sociais de melhoria da distribuição de renda e da redução da pobreza.

Vamos às fichas respectivas ou pelo menos a uma parte delas, a que se conseguiu até agora ser visualizada aqui e ali. Só para se ter uma ideia, mesmo que aproximada, de quem está interessado em acabar com o governo, o partido e o ex-presidente.

Uma das assessoras do governador Geraldo Alckmin (PSDB) de São Paulo é esposa do procurador-geral do Estado – na verdade ela está na consultoria jurídica da Secretaria de Governo ligada à Casa Civil da Governadoria.

No recente episódio da oitiva de Lula e sua mulher, suspensa pelo Conselho Nacional do Ministério Público, o procurador geral se manifestou publicamente em defesa do procurador que chamou pela oitiva e manifestou sua opinião sobre o caso antes de ela ocorrer. Mas isso como diria Paulo Henrique Amorim não vem ao caso.

A outra esposa, a do juiz Sérgio Moro, advoga para o PSDB do Paraná a multinacionais do petróleo. Embora uma coisa não tenha necessariamente a ver com a outra, o episódio da batalha campal com os professores do estado, envolvendo a polícia paranaense, não deu em nada até agora. Mas do mesmo modo que os casos anteriores, isso também não vem ao caso.

Consta por igual que o pai e o primo do juiz Moro são pessoas ligadas ao PSDB. O que a princípio não é nada demais, pois cada um segue o que quer e bem entende. O que até dá para entender, no entanto, a corrente do partido de oposição que liga todas essas pessoas.

Mas deixando de lado a filiação e a escolha partidárias, porque de novo não vêm ao caso, vamos passar em revista apenas algumas parcialidades da Operação Lava-Jato, não pelos feitos, por si questionáveis muitos deles, mas pelos não feitos.

Esse o problema da operação, quem lava a jato não lava a fundo, principalmente se os lavadores não enxergam ou não querem enxergar todas as pistas ou pontas de sujeiras.

Começando pelo fato mais recente. O senador Aécio Neves foi citado por dois principais delatores da Lava-Jato, o primeiro Alberto Youssef, e o segundo Fernando Moura, os quais reforçaram as suspeitas de que a diretoria de Furnas, então nas mãos de Dimas Toledo, recolhia propina mensalmente, algo em torno de US$100 mil para o partido do senador. Mas nenhuma delas até agora veio ao caso e continuam esquecidas e descasadas uma da outra.

Entre outros fatos já publicados e amplamente divulgados na rede social, não evidentemente na carcomídia, estão alguns que se seguem envolvendo o senador e/ou membros de seu partido. Nenhum deles foi averiguado oficialmente pela justiça que se presta a fazer justiça apenas contra o partido do governo e seus representantes.

Desvio de verbas da saúde de Minas Gerais no valor de R$7,6 bilhões no período em que o senador mineiro ocupava o governo do estado.

Envolvimento de lideranças tucanas (especialmente seu ex-presidente Sérgio Guerra) no escândalo da Petrobras, segundo depoimento do ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, por terem ajudado a esvaziar CPI em 2009 sobre a empresa.

Pelo menos R$400 milhões no esquema dos negócios dos metrôs de São Paulo e Distrito Federal, envolvendo a francesa Alstom por suborno a políticos ligados ao governo de São Paulo para ganhar o contrato de expansão do Metrô do estado e a alemã Siemens, que admitiu ter formado um cartel com outras 13 empresas para fraudar as licitações do metrô de Brasília

Desvio de aproximadamente R$120 bilhões, denunciado, registrado e documentado amplamente pelo jornalista Amaury Ribeiro no livro A Privataria Tucana durante o período das privatizações no governo de Fernando Henrique Cardoso. Segundo consta os recursos encontravam-se aproveitando o sol e a praia de paraísos fiscais.

A lista é em verdade muito mais extensa, mas não é o objetivo aqui citá-las todas. Apenas jogar com os dois lados da moeda. De um lado personagens jurídicos importantes no palco do julgamento da Operação Lava-Jato e correlatas e de outros personagens políticos igualmente importantes fora do mesmo palco. A operação não lava direito, só à esquerda, mantendo a direita livre e desimpedida.

Que não é um julgamento imparcial todos nós já sabemos, que querem acabar com o governo, seu partido e Lula igualmente já sabemos, que querem voltar ao poder para mandar e desmandar também sabemos, o que ainda não sabemos é a extensão, a força e a ira de todos os que votaram em Lula e Dilma nesses anos todos. Eles da oposição não passarão, nós passarinho!

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Uma resposta to “Quem lava a jato não lava direito”

  1. Jésus Araújo Says:

    Nas livrarias, uma obra crítica e objetiva sobre a Lava-a-jato, do mesmo autor de A Outra História do Mensalão: A Outra História da Lava-Jato(?); como uma operação necessária se tornou uma ameaça à democracia. O autor, Paulo Moreira Leite, jornalista investigativo, já consagrado por sua honestidade intelectual e competência profissional, possui as qualidades do bom zagueiro: chega junto, marca em cima e rebate de primeira. Acompanha a vida nacional por crônicas diárias. Obra para esclarecer quem quer, honestamente, entender o que está acontecendo em nosso país – ou provocar sua reflexão.

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