Banco Central: Máquina de fazer dinheiro em favor de especuladores

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J. Carlos de Assis, via Jornal GGN em 13/1/2016

Não há nenhuma máfia no mundo, nenhuma quadrilha que opera no lucrativo mercado de drogas que gera mais dinheiro do que o transferido diariamente pelo Banco Central a seus capi do mercado financeiro especulativo. Isso acontece por uma razão muito simples. O BC conta com a ignorância geral a propósito de política monetária para mascarar suas operações secretas, protegidas por sigilo bancário e por uma norma aprovada no governo FHC que os torna virtualmente imunes à fiscalização pelo Congresso.

Uma fórmula matemática hermética para o comum dos mortais, denominada modelo de metas de inflação, se presta à manipulação destinada a justificar aumentos sucessivos e indecentes da taxa básica de juros, ou sua manutenção em patamares extremamente elevados. Todos razoavelmente informados talvez se lembrem de quando, em seu primeiro mandato, Dilma forçou a baixa da taxa de juros. Uma rebelião secreta no BC fez com que a presidenta desistisse e aceitasse novos aumentos a pretexto de combater a inflação.

Trata-se de uma política infame. Em vários momentos escrevi que são uma farsa essas justificativas do BC para aumentar e manter elevados a taxa de juros básicos. Isso porque não há inflação de demanda na economia, ou pressão de consumidores sobre os preços. Em consequência, é inútil aumentar a taxa de juros para reduzir a inflação. Se a despeito disso o BC eleva a taxa de juros devemos buscar outras explicações: os diretores do BC estão trocando favoreces atuais por futuras vantagens junto aos especuladores, quando se aposentarem.

Uma comprovação disso pode ser deduzida dos currículos. A esmagadora maioria dos ex-diretores do BC, quando se aposenta, salta diretamente de suas posições públicas para os gabinetes de bancos e financeiras privados. Levam consigo não apenas uma folha corrida de serviços prestados, mas um conjunto de relações especiais e de informações privilegiadas. É difícil enxergar isso como normal mesmo quando alegam que há um período curto de quarentena. Quem paga a conta, em última instância, é o interesse público.

É facílimo explicar por que não há pressão de consumo que justifique uma taxa de juros tão alta: 14,25% no Brasil contra 0,25% nos Estados Unidos e 0% na Europa. Isso porque não há melhor indicador da situação de demanda do que o desempenho do PIB, e tivemos uma contração do PIB de quase 5% no ano passado. Os pretextos do BC para justificar os altos juros são, pois, simplesmente cínicos. Entretanto, pode-se repetir isso mil vezes sem qualquer efeito. O BC ganhou carta de alforria para não dar qualquer satisfação ao público.

Isso só se resolverá no terreno político. Estamos organizando o eixo de uma ação política vigorosa, com o objetivo de mudar a política econômica e principalmente a política monetária, através da Aliança pelo Brasil, a ser nacionalmente difundida depois do recesso parlamentar. Esclareça-se que não temos apenas esse objetivo econômico. Temos também um objetivo político decisivo: impedir o golpe do impeachment, cuja execução tornaria ainda mais caótico o processo econômico e político brasileiro. Vamos precisar de adesões.

J. Carlos de Assis é economista, doutor pela Coppe/UFRJ, autor de Os sete mandamentos do jornalismo investigativo, Ed. Textonovo, SP, 2015.

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