A receita de Marina para ganhar os holofotes da imprensa

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Boba ela não é: Marina.

Paulo Nogueira, via DCM em 8/1/2016

Fui ao Twitter ver o que se estava falando de duas mulheres que foram notícia estes dias: Lu Alckmin e Marina Silva.

A primeira pela orgia aérea, os copiosos voos em aeronaves patrocinadas pelo contribuinte paulista. A segunda pelas declarações golpistas.

Batata.

Nada de novo sobre a senhora Alckmin. O tuíte destacado era um artigo meu de dois dias atrás. Globo, Veja, Estadão, a própria Folha que deu a nota: nada.

Um abuso de tal magnitude dos recursos públicos não é notícia para a imprensa.

Marina, em compensação, estava, e está, em todos os lugares. Parecia uma estrela de rock.

Isso mostra duas coisas.

Um: notícia, na versão peculiar da imprensa brasileira destes tempos, é tudo que seja negativo para o PT.

Dois: Marina pode ser golpista, confusa, prolixa e assaltada por um crônico autovitimismo. Mas tonta não é.

Ela sabe que a fórmula infalível para conseguir os holofotes de jornais e revistas, hoje, é defender o golpe.

Você vai aparecer na primeira página dos jornais, terá destaque nas revistas, falará a rádios e emissoras de tevê.

É a palavra mágica. Duas meras sílabas: golpe.

Veja o que aconteceu com Joaquim Barbosa. Enquanto ele disse tudo que os barões da mídia queriam que ele dissesse, teve tratamento de rei.

Bastou sair um pouco do roteiro e passou a ser ignorado como um frentista do interior. Em sua conta no Twitter ele defendeu vigorosamente, por exemplo, o fim do financiamento por empresas de campanhas eleitorais.

Atacou, também, a oposição por sustentar Eduardo Cunha, o rei dos corruptos. No início de outubro de 2015, ele escreveu no Twitter: “Contra o presidente de uma das casas do Congresso há acusações de crimes graves, mas ele é apoiadíssimo pelo PSDB!”

Note duas coisas na eloquência tosca, mas sincera, de JB: uma é o superlativo apoiadíssimo. Eduardo Cunha, sublinhou, era mais que apoiado por FHC, Aécio e sequazes. Era apoiadíssimo. A outra é a exclamação.

Bem, tente achar JB em jornais e revistas. Se ele quiser voltar a ser notícia, vai ter que dizer, como antes, o que Marinhos, Frias et caterva desejam que ele diga.

É uma troca que funciona assim: eu dou a você notoriedade, e com ela você pode ganhar dinheiro com palestras, livros, o que for. E você me dá opiniões que me ajudem a destruir meu inimigo.

Quem se estrepa com isso é a sociedade.

Marina falou em cassação pelo TSE. Em minha busca no Twitter, a primeira menção era da Veja.

Até o site ultrarreacionário Antagonista, de Diogo Mainardi, noticiou o rompante golpista de Marina. (Quem for ao Twitter de Eduardo Cunha vai reparar que ele retuíta com frequência o Antagonista. Cunha e Mainardi: tudo a ver.)

De novo: Marina pode ser tudo, mas tonta não é, ainda que muitas vezes pareça.

***

MARINA DEFENDE CASSAÇÃO DE DILMA E TEMER VIA TSE
Marcos Mortari, via Brasil 247 em 7/1/2016

O Brasil passa hoje por uma situação dramática, em que a sociedade está pagando um preço muito alto por um governo que está há doze anos no poder, mas não soube fazer o que era necessário no tempo certo, ocultando problemas para vencer as eleições. Essa é a avaliação da ex-senadora e candidata derrotada na última disputa presidencial, Marina Silva (Rede).

Em entrevista concedida à rádio Gaúcha, a política com passagem por PT, PV e que participou das eleições de 2014 hospedada no PSB, criticou as manobras feitas por sua adversária Dilma Rousseff durante uma campanha que chamou de “infame processo de desconstrução” que “extrapolou todos os limites da ética” e diz que o país agora colhe os frutos da sobreposição do pragmatismo a agendas programáticas. Durante a conversa, que durou cerca de 15 minutos, ela fez referência à atual situação da inflação, do desemprego, ao cenário recessivo e os riscos de perda de benefícios, também por conta de mudanças em regras feitas no ano passado.

“No meio de uma crise como essa, temos pelo menos 4 programas econômicos – aliás, já temos uns cinco: o programa do governo que era com Levy, o programa do atual ministro, o programa do presidente do Senado, o programa do PMDB e o programa do PT, feito pela Fundação Perseu Abramo. Isso, sim, é que é não ter posição”, criticou Marina, que foi ministra do Meio Ambiente durante parte do governo Lula. No entanto, para ela, o clima político traz efeitos ainda mais nocivos para o contexto de crise. Durante seu discurso, ela voltou a criticar as alianças interesseiras e o toma-lá-dá-cá da política brasileira como ingredientes de instabilidade que se aliam à perda de base para governabilidade da atual gestão.

Sobre o impeachment, Marina Silva enfatizou sua leitura de que o mecanismo está previsto nas regras do processo democrático brasileiro. “Impeachment não é golpe. Está previsto na Constituição. Já foi feito uma vez em relação ao presidente Collor e ninguém achou que era golpe.

Foi pedido várias vezes pelo próprio PT em relação a outros governos, e na época eles não achavam que era golpe. Impeachment é uma forma legítima estabelecida pela Constituição. Agora, é preciso que se cumpra alguns regramentos. No meu entendimento, o melhor caminho para o Brasil é o processo que está no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), porque, no TSE, haveria a cassação da chapa, se forem comprovadas as graves denúncias de que o dinheiro da corrupção foi utilizado para a campanha do vice-presidente e da presidente da República”, argumentou.

O processo de cassação ampararia a percepção de Marina de que o vice-presidente Michel Temer também tem responsabilidade sobre o atual momento vivido pelo Brasil. “Entendo que tanto o PT quanto o PMDB, tanto a presidente quanto o vice-presidente são responsáveis pela crise, responsáveis pelos desmandos que estavam acontecendo hoje em nosso país, inclusive na Petrobras”, disse. “Os dois são face da mesma moeda e claro que nós defendemos é que deem encaminhamento urgentemente ao processo que está tramitando no TSE”.

Quando questionada sobre a possibilidade de concorrer às próximas eleições, a ex-senadora desconversou: “ainda não tomei essa decisão. Tenho amadurecido a natureza da minha contribuição”. Em caso de cassação da chapa Dilma-Temer no TSE, novas eleições seriam convocadas. Vale ressaltar que Marina é um dos nomes mais bem cotados nas pesquisas para o pleito. Segundo o Datafolha, em todos os cenários estudados, a fundadora da Rede teria mais de 21% das intenções de voto dos entrevistados.

4 Respostas to “A receita de Marina para ganhar os holofotes da imprensa”

  1. adyneusa (@dyself1) Says:

    Acho que se ela fizesse isso, a imprensa iria rapidinho manipular dizendo que ela queria acabar com a liberdade de expressão. Mas se fosse eu a Dilma, iria em horário nacional sem eles saberem o que iria falar, e anunciaria o corte, dizendo que era por causa da crise, como os governadores fazem quando querem mentir para o povo.

  2. pintobasto Says:

    Também não se entende porque o Governo não corta todas as verbas de publicidade destinadas ao PIG e coloca a Receita Federal cobrando os caloteiros, usando todos os meios de coerção que possui?
    A PF do Zé só tem conserto anulando o processo muito criminoso que expulsou o Delegado Protógenes Queiroz, reintegrandd-o e nomeando-o Diretor Geraal da PF.
    O Zé já devia ter levado um tremendo chute na bunda de cagão!

  3. Vinicius Porto da Silva Says:

    Já era tempo de o Governo Dilma ter arrumado alguma forma de se defender em todas as esfera, com cancelamento de concessões de tv e rádio, com cancelamento de propagandas em todos os veículos contra o governo dela, colocar a PF do Zé nos eixos, etc. Mas infelizmente fiz campanha e votei 2 vezes em uma pessoa que gosta de apanhar!

  4. pintobasto Says:

    Pobre Marina,, uma marionette muito burrinha.

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