Como abrir uma igreja no Brasil e ter acesso a privilégios diversos

Igreja_Abrir01Leonardo Mendes, via DCM em 19/7/2015

Não há qualquer requisito teológico, doutrinário ou número mínimo de fieis, e basta ao interessado procurar um cartório, pagar algumas taxas que não chegam a R$500,00, arrumar uma garagem ou uma pequena sala e se auto-intitular bispo, pastor, sacerdote, enviado de Deus ou o que preferir.

Com o novo CNPJ devidamente registrado, o recém “ordenado” líder religioso passa a gozar de privilégios no mundo dos homens, como não pagar diversos impostos.

A conta aberta em nome da nova igreja, onde o dízimo dos fiéis deve ser depositado, por exemplo, é livre do Imposto de Renda e do Imposto sobre Operações Financeiras. Assim como podem ficar isentas de tributação também as “comissões” que os líderes religiosos recebem por arrecadar mais dízimo ou arrebanhar fiéis, como aprovou recentemente a Câmara de Eduardo Cunha.

Já a sede da igreja não precisa pagar IPTU, nem os veículos, IPVA.

O ICMS varia de acordo com o estado, e muitas também são isentas.

Mas os benefícios fiscais não são os únicos, e o fundador da própria igreja e seus ministros podem contar ainda com o direito a prisão especial, além de ficarem livres do serviço militar obrigatório. Podem também conseguir acesso a algumas substâncias restritas ao restante da população.

Todos esses benefícios, porém, ainda parecem pouco para alguns, e a nova cruzada da bancada evangélica do Congresso é pela aprovação da Proposta de Emenda à Constituição que inclui as igrejas na lista de instituições capazes de propor ação direta de inconstitucionalidade ou ação declaratória de constitucionalidade ao Supremo Tribunal Federal.

O texto é de autoria do deputado João Campos (PSDB/GO), o mesmo que propôs a regulamentação da “cura gay”.

Na lei atual, podem propor esse tipo de ação o Presidente da República, a mesa da Câmara dos Deputados, a mesa do Senado, governadores, o procurador-geral da República, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, partidos políticos com representação no Congresso Nacional, sindicatos ou entidades de classe de âmbito nacional.

O que a proposta de João Campos talvez esqueça é que qualquer um pode abrir uma igreja.

O jornalista Leonardo Sakamoto é um dos interessados, e publicou uma coluna explicando as doutrinas de sua nova igreja a ser criada:

Daria para substituir a “Terça-feira da Cura” pela “Terça da Cachaça seguida de Ressaca”, a “Quarta-feira da Família Tradicional” pela “Quarta-feira Colorida do Amor Livre”, as escolas sabatinas da bíblia pela leitura das charges do Angeli e o “Bispo Macedo Responde” por, claro, “Jean Conta Tudo”. […] E tá cheio de espaço irregularmente posto à venda nas concessões públicas de tevê. É só juntar dízimo e comprar algumas horas de programação. Estrearíamos um “Fala que eu te escuto” com a Laerte atendendo ligações dos telespectadores na madrugada e dando conselhos sobre coisas da vida e amor.

Com Eduardo Cunha na presidência da Câmara é bem provável que a proposta de João Campos seja votada até passar. E por mais que Sakamoto esteja sendo irônico, sua igreja não deixa de ser possível ou mesmo necessária.

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4 Respostas to “Como abrir uma igreja no Brasil e ter acesso a privilégios diversos”

  1. Marco Sousa Says:

    O paraíso (fiscal-tributário) dos caloteiros protestantes = Brasil!

  2. pintobasto Says:

    Proponho a todos os internautas a montagem da Primeira Igreja Digital com debates sobre pilantragem espiritual e religiosa nas sextas-feiras dos meses.
    Tema do primeiro debate: Os milagres dos picaretas no SUS.

  3. Magda Santos Says:

    DEPOIS DAS RIQUEZAS ACUMULADAS PELOS PASTORES E FUNDADORES DAS INGREJAS, E CONSIDERANDO A PERMANENTE CRENÇA DA POPULAÇÃO DE MENOR RENDA QUE CONTINUA SUSTENTANDO-OS, ALÉM DOSPERDÕES FISCAIS E DA SONEGAÇÃO DE IMPOSTOS, SEM DÚVIDA É UM ÓTIMO NEGÓCIO!! É SÓ A ÉTICA E OS ESCRÚPULOS QUE NOS MANTEM POBRES HOJE EM DIA!!

  4. Jésus Araújo Says:

    Muitos anos atrás, jornalista do Estado de Minas fundou uma igreja, para mostrar como era fácil. Alugou uma garagem, pôs uma placa com nome sugestivo. A coisa ia pegando, quando ele deu por encerrada a demonstração e a relatou em reportagem.

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