Mauro Santayana: A direita chama a atenção para os impostos, mas a carga tributária não cresceu agora

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Mauro Santayana em seu blog em 31/12/2015

Assim como faz com a dívida pública, que, considerando-se a bruta, aumentou menos de 5% nos últimos 13 anos, e, no caso da líquida, caiu pela metade no período, parte da imprensa “comemorou” – ressaltando os aspectos negativos do fato – a ultrapassagem da marca “mágica” de R$2 trilhões em arrecadação de impostos no ano de 2015, nesta semana.

Como sempre, os que acham que o estado é o culpado de tudo – em uma era que, lembrando que o Departamento de Defesa dos EUA é o maior empregador do planeta, não existem nações poderosas sem estados fortes – aproveitam para desancar o governo e estabelecer comparações esdrúxulas.

Para esse pessoal, a carga tributária no Brasil é uma das maiores do mundo, e vem aumentando vertiginosamente nos últimos anos, no rastro do pretenso “descalabro” de uma nação que possui o oitavo maior estoque de reservas internacionais do mundo.

O que, em um e em outro caso, não corresponde aos fatos.

Para usar uma fonte insuspeita para esse público, a CIA, em seu World Fact Book (clique aqui), afirma que o Brasil ocupa o posto de número 51 entre as maiores cargas tributárias do mundo.

Sem entrar no mérito da questão, se a arrecadação de impostos é adequada ou não para os desafios que o Brasil enfrenta e deve esperar nos próximos anos, o importante é lembrar que a carga tributária, ao contrário do que muitos andam espalhando por aí, não “explodiu” agora.

Segundo a Receita Federal, foi no governo Fernando Henrique Cardoso – apesar da venda de mais de US$100 bilhões em empresas estatais – que a carga tributária brasileira aumentou em 6,1%, passando de 26,1% do PIB em 1996 para 32,2% do PIB em 2002, enquanto subiu em apenas 1,3% nos 13 anos seguintes, para 33,5%, em 2014.

Quem estiver insatisfeito com os impostos por aqui, pode, aproveitando o idioma, mudar-se, por exemplo, para Portugal, onde eles são de 44,7% do que se produz naquele país, que tem uma dívida bruta de 129% do PIB – que é mais que o dobro da nossa – e um desemprego – também duas vezes maior – que foi de quase 15% em 2014.

Leia também:
Coletânea de textos: Sonegação é crime, estúpido!

2 Respostas to “Mauro Santayana: A direita chama a atenção para os impostos, mas a carga tributária não cresceu agora”

  1. daysens Says:

    Como é ótimo ler o que diz Santayana.
    Ele afirma sobre dados da economia e confirma-os através da matemática.

  2. Jésus Araújo Says:

    Mario Santayana, sempre objetivo e bem informado. E, para atualizar o primeiro anexo: no ano passado, a sonegação chegou a meio trilhão. Mas como, conforme cartazes nas manifestações conservadoras, sonegação não é crime…

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