Pablo Villaça: “O grupo não atacou o partido; atacou Chico num momento de lazer.”

Chico_Buarque24

Pablo Villaça, via Facebook em 22/12/2015

Em um momento de lazer, Chico Buarque de Hollanda foi cercado no meio da rua por um grupo de jovens ligados ao PSDB e insultado por “defender o PT”. Aparentemente, estes projetos de fascistas não compreendem que TODOS temos o direito de expressar nossas opiniões políticas, agradem estas ou não. Chico, que nem político é, foi agredido por se manifestar como cidadão – algo que os veículos da mídia manchetearam como (acreditem) “Chico bate-boca defendendo o PT no meio da rua: cantor retrucou grupo que atacou o partido”.

Não, jornalixo brasileiro, o grupo não “atacou o partido”; atacou CHICO num momento de lazer e no meio da rua. E ele não “bateu boca pelo PT”; foi cercado e insultado por estranhos e defendeu sua posição ideológica.

O cara é um patrimônio cultural do país, um senhor de mais de 70 anos de idade, é cercado e insultado por um bando de moleques fascistas e a mídia trata isto não só com normalidade, mas ainda tentando atribuir a ELE a falta de civilidade da situação à qual foi submetido.

Os veículos de comunicação brasileiros estão esperando alguém morrer graças ao clima de ódio que ajudam a criar. Aí, então, começarão a publicar matérias sobre “tolerância” para se isentarem de culpa. (Não à toa, um colunista demitido de Veja publicou foto malhando e dizendo que se preparava para a “única forma de dialogar com petista”, num estímulo irresponsável à violência e à agressão como forma de “debate”.)

A verdade é que esses caras têm alma fascista. Não suportam mais a distância do poder e usam “corrupção” como um chavão que disfarça seu propósito real: o não à inclusão social. Se a questão fosse mesmo “corrupção”, não abraçariam Cunha como aliado. Protestariam também contra a privataria tucana, o aecioporto e a roubalheira no Metrô de São Paulo.

Mas não, o panelaço é seletivo: Alckmin pode fechar 100 escolas; Haddad não pode abrir a Paulista. São milhões de Cunha; já Chico é um “merda”.

Aplaudem Macri na Argentina, que indica ministro de Supremo por decreto, mas atacam o STF brasileiro por defender a Constituição numa interpretação que ganhou apoio de praticamente todos os juristas de relevo ao barrar os abusos do presidente da Câmara.

Acham absurdo o bolsa-família que ajuda o povo mais pobre a COMER, mas aplaudem que os ricos paguem impostos ridículos, significativamente menores do que o restante da população.

Querem uma desregulamentação completa do mercado e depois vêm colocar avatarzinho triste por Mariana.

Dizem que vivemos numa “ditadura petista” enquanto cercam um músico de 71 anos na rua para insultá-lo por se expressar como cidadão.

Saem pedindo impeachment no aniversário do AI-5 e se espantam quando são chamados de golpistas.

Acusam a esquerda de “burrice”, mas usam “pão com mortadela” e “chola mais” como argumento.

Abraçam a bandeira brasileira e colocam “PATRIOTA!” na bio, mas são os primeiros a diminuir o país num vira-latismo constante diante do mundo, além de adorarem falar mal do cinema brasileiro – que conhecem só de ouvir falar.

Amam quando um comediante chama negro de “macaco”, gays de “vitimistas” e mulheres de “vadias”, mas dizem que os homens brancos cis heterossexuais sofrem preconceito.

Dizem que a esquerda prega “luta de classes”, mas chamam esquerdistas de “pão com mortadela” e “esquerda caviar”.

Adoram se dizer éticos, mas acham natural que o líder do MBL peça doações em sua conta pessoal.

Acham certo a PM espancar manifestantes (mesmo adolescentes), que chamam de “vagabundos”, mas só conhecem a PM que tira selfie na Paulista.

Por isso tenho orgulho de ser de esquerda. De fazer críticas ao governo que se afastou dos movimentos sociais, mas de defendê-lo contra o golpe – pois, mesmo com todas as suas graves falhas, AINDA enxergo nele uma preocupação com os excluídos sociais que JAMAIS serão abraçados por esta oposição.

Uma oposição que prega que quem manda é o “deus mercado”. Não, me desculpem, mas prefiro bem mais quem enxerga no desenvolvimentismo a opção mais humana.

Para encerrar – e com a maquiagem borrada pelas lágrimas – digo: “Leave Chico alone!”.

E viva o debate saudável.

***

Da Redação do Viomundo em 22/12/2015

Sushi Leblon, no Rio de Janeiro. Chico Buarque estava acompanhado por Eric Nepomuceno, Miguel Faria Jr. e Cacá Diegues. Na saída do jantar, foi abordado por um grupo de jovens.

Dentre eles estavam o rapper Tulio Dek e, segundo a colunista Heloisa Tolipan, Alvarinho, filho do empresário paulista Álvaro Garnero. Um terceiro jovem se identificou no vídeo como Guilherme Mota.

Tulio e Alvarinho tem em comum a amizade com o jogador Ronaldo, que chegou a participar da gravação de um videoclipe do rapper.

Alvarinho causou polêmica ao aparecer em um vídeo beijando e mordendo o pescoço de um Ronaldo bêbado.

Durante o bate-boca, Chico Buarque foi chamado de “merda” por um dos playboys.

Leia também:
Chico Buarque é alvo da dor de uma classe que odeia pobre e inveja os ricos
As identidades dos playboys que atacaram Chico Buarque

Uma resposta to “Pablo Villaça: “O grupo não atacou o partido; atacou Chico num momento de lazer.””

  1. daysens Says:

    É impensável que o ser humano, ao dar o seu salto evolucional, levantando-se sob dois pés, na região do Vale do Rio Omo, Etiópia, há 50.000 anos atrás, possa agir de forma nada civilizada, como agiram esses dois jovens contra o grande
    brasileiro, Chico Buarque de Holanda.
    Ele que elevou o nosso País fora das nossas fronteiras, sendo reverenciado como grande músico, compositor, escritor, dramaturgo em vários Países, como Alemanha, França, etc.
    É preciso que fato como este não se repita, porque envergonha a todos nós brasileiros.

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