PMs se congratulam por chuva de bombas em estudantes

Jornal GGN grava cena de policiais militares se vangloriando por chuva de bombas lançadas contra estudantes secundaristas.

Pedro Garbellini, via Jornal GGN em 7/12/2015

Mais um dia de protestos contra a reorganização escolar. Na sexta-feira, dia 4/12, os estudantes marcharam por 10 quilômetros, ocupando a cidade que lhes pertence. A equipe do Jornal GGN acompanhou esta marcha por um pequeno trecho, mas que deu a real dimensão da irresponsabilidade da Polícia Militar sob o comando do governador Geraldo Alckmin, do PSDB. Mas o governador não ganhou com a violência, os estudantes continuarão ocupando as escolas e ruas até que ele faça o pronunciamento de que, realmente, suspenderá permanentemente a reorganização. E esperam que isso seja feito em audiência pública.

Clique aqui para ouvir o pronunciamento do Comando das Escolas Ocupadas, feito no dia 6 de dezembro. E o pronunciamento do governador Geraldo Alckmin, ao anunciar a “suspensão” da reorganização escolar, lembrando que suspender não significa cancelar, no dia 4 de dezembro.

Os estudantes ocupam as ruas para chamar atenção contra a reorganização escolar, e a Polícia Militar é orientada a usar “armas não letais” para impedir a obstrução de avenidas. Esse conflito se mostrou evidente para nossa equipe durante a cobertura dos protestos dia 4 de dezembro, nas avenidas Paulista e Consolação.

Não permitir obstrução de vias é a orientação primordial da Polícia Militar. Essa é a diretriz da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, nas palavras do secretário Alexandre de Moraes: “Não vamos permitir que fiquem agora obstruindo as vias principais de São Paulo.” (matéria publicada 3/12/2015, no G1).

Devidamente disciplinado pela Lei nº 13.060/2014, o policial é orientado a não usar arma de fogo desde que sua vida não esteja em risco. Quando uma via obstruída não fornece tal risco ao policial, ele, então, deverá usar armas menos letais, são elas: bombas de gás lacrimogênio, spray de pimenta, balas de borracha e cacetetes (termos não menos letais).

Sabendo das denúncias de que “na periferia a bala não é de borracha”, o Jornal GGN foi conferir a conduta da Polícia Militar em protesto dos estudantes contra a reorganização escolar na última sexta-feira: foram lançadas 8 bombas em 42 segundos. Não houve denúncias de disparo de balas de borracha.

Na gravação bruta com 1’52” de duração (MVI_2122, Canon Rebel T5i, Sigma 18-250), escutamos o lançamento das oito bombas em direção aos estudantes, gritos de “covardes” e um grupo de policiais cantando vitória.

Na segunda-feira, dia 7/12, a Rodovia Raposo Tavares e o Viaduto da China foram ocupados.

Alckmin_Escola29

Os estudantes decidiram manter as ações de ocupação até que o governador suspenda permanentemente a reorganização escolar em audiência pública. O Comando das Escolas Ocupadas faz convocação pra Grande Ato em Apoio a Luta dos Estudantes, quarta-feira, dia 9/12, na Av. Paulista.

A polêmica que cerca o uso das armas não letais pelas forças policiais se relaciona com as manifestações populares, em que os participantes são por elas atingidos, durante o exercício de livre manifestação, tendo a obstrução da via como argumento policial. O conflito se coloca da seguinte maneira: é permitido protestar na rua desde que essa rua não seja obstruída.

A Avenida Paulista será obstruída na próxima quarta-feira, dia 9/12, em grande ato convocado pelo Comando das Escolas Ocupadas. Os protestos contra a reorganização escolar continuam até que o governador o cancele permanentemente em audiência pública amplamente convocada.

Austeridade e o aumento dos gastos com
segurança interna andam de mãos dadas.”
Anna Feigenbaum

Enquanto isso, na Folha, “Fabricante brasileira de ‘armas não letais’ prevê salto nas exportações”.

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