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Mauro Santayana: Je suis Paris, e também Bagdá, Trípoli e Damasco

17 de novembro de 2015
Siria_Damasco02

Damasco, cidade destruída.

Mauro Santayana em seu blog em 15/11/2015

Foram lamentáveis e brutais, sob todos os aspectos, os atentados ocorridos em Paris, que acarretaram centenas de mortos e feridos inocentes, franceses e estrangeiros.

Nas horas que se seguiram, na frágil cobertura da tevê estatal francesa, que parecia só dispor de uma equipe e entrava, ao vivo, em contato, por telefone, com seu repórter que estava no interior da Boate Bataclan, o foco foi mantido na solidariedade e na reação das autoridades e do governo.

O primeiro-ministro François Hollande, com a mesma expressão de perplexidade mostrada por George Bush em suas primeiras declarações no dia do atentado às Torres Gêmeas, declarou que a França permanecerá unida, e que ela será implacável em sua resposta ao EI, o Exército Islâmico – o grupo terrorista que assumiu a autoria dos ataques – e que serão tomadas medidas de segurança para que a situação não se repita.

A retórica, dos jornalistas e do governo, é a única resposta que pode ser dada pelos franceses à situação de absoluta vulnerabilidade e impotência em que a França se meteu, ao intervir em outros países.

Uma retórica que serve para disfarçar – com a costumeira cortina de fumaça e de maniqueísmo – a crua e implacável realidade em que Paris se encontra, do ponto de vista desses ataques, e das escolhas que fez, nos últimos anos, em sua política externa.

Em primeiro lugar, porque há muito pouco que a França possa fazer para evitar novos atentados.

Se seus autores forem apanhados, outros os substituirão, vindos de fora, ou recrutados na periferia das grandes cidades francesas, onde muitos jovens, filhos de emigrantes, precisam apenas de um pretexto para fazer explodir seu ressentimento e sua frustração com a miséria e o desemprego, ou a falta de perspectivas de futuro, em um continente onde não se sentem bem-vindos, assombrado pela decadência e a crise, onde a extrema direita floresce, alimentada pela xenofobia, o racismo e o preconceito.

Em segundo lugar, porque, por mais que sejam terríveis, para todos nós, e para as famílias enlutadas, os atentados em Paris em nada diferem, em suas consequências humanitárias, daqueles que ocorrem, todos os dias, em dezenas de lugares no Afeganistão, no Norte da África e no Oriente Médio.

Por lá, pessoas explodem, a qualquer momento, ou são fuziladas, decapitadas, estupradas, às dezenas, por terroristas originalmente armados pelas mesmas potências “ocidentais” que estão sendo atacadas agora – e por “pseudodemocracias”, como a Arábia Saudita onde adúlteras são punidas a chibatadas e mulheres não podem sair de casa sem véu nem um homem que as vigie – com o intuito de derrubar governos em países, que, independente da orientação política de seus regimes, viviam em situação de paz e estabilidade.

No entanto, esses atentados, em outras partes do mundo, não merecem matérias especiais de meia hora na televisão brasileira – afinal, é melhor que nos identifiquemos com a “civilização” que queremos emular e com a “democracia” que queremos emular – é muito mais conveniente, do ponto de vista do discurso de doutrinação ideológica eurocêntrico e neoliberal, discutir a dor das famílias e as medidas de segurança – absolutamente inócuas, diga-se de passagem – que devem ser supostamente adotadas – do que revelar ao público o que está realmente por trás dos acontecimentos.

Nem se veem nas camisetas e nos cartazes que rezam “Je suis Paris”, em várias partes do mundo, espaço para frases como “Je suis Syrie”, porque, claro, são muito mais importantes as mortes de Paris, do que aquelas que ocorrem, literalmente, há anos, para lá de Bagdá, em lugares como Basra, Karbala ou Ramadi.

Finalmente, a pergunta que não quer calar, é a seguinte: se Saddam Hussein e Muammar Kaddafi – com todos seus eventuais defeitos – estivessem no poder e a Síria gozasse da mesma situação de estabilidade que tinha antes do início – estimulado pelo “ocidente” – do trágico engodo da “primavera árabe”; se os EUA – aliados da França – não tivessem armado terroristas para atacar Damasco – os mesmos assassinos que hoje militam e são a espinha dorsal do Estado Islâmico – os atentados de Paris teriam ocorrido?

Capitais europeias não eram atacadas antes da promulgação da “Guerra ao Terror” pelos Estados Unidos, nem da “primavera árabe”, que gerou milhões de mortos e refugiados, com a destruição de centenas de cidades; nem antes do envolvimento da Otan, a serviço dos EUA, com bombardeios na Líbia e em outros lugares – contra governos que antes eram tratados, hipocritamente como aliados pelo “ocidente” – em países em que crianças iam uniformizadas e bem alimentadas à escola todos os dias, e não caçavam, para comê-los, ratos entre os escombros de suas casas, como agora.

Nunca é demais lembrar que quem planta vento, colhe tempestade.

Que os novos atentados de Paris – e o pânico com os falsos alarmes que se seguiram – sirvam de alerta ao Brasil – país em que convivem, em harmonia, judeus e muçulmanos, e gente de todos os lugares do mundo – que, estimulado pela doutrina da repressão policialesca e pelo desejo de ser mais realista que o rei de “especialistas” que cresceram vendo enlatados de espionagem norte-americanos, está se metendo a “gato mestre”, criando leis “antiterroristas”, que podem nos fabricar inimigos onde nunca os tivemos.

Leis que são, como podemos ver, pela vulnerabilidade e impotência dos países que as adotam, tão supérfluas quanto inócuas e estúpidas.

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O futebol no banco dos réus

17 de novembro de 2015
Fifa_Pichacao01

Grafite encontrado no bairro de Kreuzberg, Berlim.

Jamil Chade, via Agência Pública em 12/11/2015

Já dizia o cronista e dramaturgo Nelson Rodrigues que “o pior cego é o míope, e pior que o míope é quem enxerga bem, mas não entende o que enxerga”. Atuando como correspondente internacional do jornal O Estado de S.Paulo desde 2000, percorri mais de 70 países, viajei com papas, chefes de Estado, secretários-gerais da Organização das Nações Unidas (ONU), visitei campos de refugiados, acompanhei resgates de vítimas de conflitos, apertei a mão de criminosos de guerra e de heróis.

Em praticamente todas essas ocasiões, nas diferentes culturas, religiões e línguas que conheci, sempre que eu me apresentava como brasileiro meu interlocutor abria um sorriso e fazia um comentário sobre a camisa amarela mais conhecida do planeta. Lembro-me de estar no interior da Tanzânia, um país da África oriental, numa reportagem sobre a falta de remédios essenciais para a população. Mas, num bar miserável, um pôster na parede mostrava, com um orgulho surreal, a imagem de Cafu levantando a taça da Copa de 2002. Como é que aquele pôster tinha ido parar ali, se nem mesmo existiam voos ou estradas asfaltadas que levassem até o local?

Nesse périplo pelo mundo, um fato sempre me surpreendeu: como nós, brasileiros, somos identificados pela nossa seleção. Sim, trata-se de uma visão simplória, injusta, estereotipada. O Brasil é muito mais que isso. Mas essa realidade revela também que aquela camisa amarela faz parte de nossa identidade e vai muito além de representar um time de futebol. Faz parte de quem somos no mundo, gostemos ou não.

Na fronteira entre meu trabalho diário de repórter e uma curiosidade intelectual, estabeleci como objetivo entender o que está por trás do que eu e milhões de torcedores enxergamos em campo. Por trás do que sentimos.

O que eu descobriria pouco a pouco é que aqueles senhores que controlavam o futebol mundial também espoliavam nossas emoções. Aqueles que zelavam pela nossa identidade nacional, no fundo, a exploravam.

O futebol foi sequestrado e se transformou em uma máquina de fazer dinheiro para um grupo pequeno de oligarcas.

Nelson Rodrigues insistia em apontar que a vitória do Brasil na Copa de 1958 dera um desfecho aos longos anos em que vivemos um “complexo de vira-lata”, um período de Jeca Tatu, de baixa autoestima. “O brasileiro se punha de cócoras diante do mundo. Isso aconteceu no curto período entre 1500 e 1958, de Cabral a Garrincha”, escreveu o cronista. Para 2014, os governantes colocaram de novo como meta o fim desse complexo de vira-lata, mostrando ao mundo que o Brasil fazia parte das nações civilizadas e que era capaz de organizar grandes eventos.

De fato, a Copa foi um teste para a imagem internacional do Brasil. Que se revelou diferente daquela que os dirigentes fizeram questão de pintar. O que esteve em jogo foi nossa capacidade de questionar e cobrar os dirigentes, de não permitir que estádios públicos fossem contemplados com nomes de políticos. Também foi testada a capacidade de a sociedade pressionar para que esses eventos beneficiassem a todos – não apenas um grupo de dirigentes e seus cúmplices na política. O Brasil confrontou a si mesmo no espelho e, sem complexos, mostrou ao mundo que ser o “país do futebol” não é sinônimo de ser o país dos tolos.

Assim que a Copa de 2014 terminou, a Fifa fez as malas e partiu para seu empreendimento seguinte. Mas a revolta que começou nas ruas brasileiras contra a entidade seria o início de um processo muito mais amplo de oposição à organização. De maneira indireta e inesperada, foram os protestos de 2013 no Brasil que chamaram atenção de dirigentes estrangeiros e mostraram que não havia mais lugar para tolerar esquemas corruptos. Que democracias não poderiam mais se aliar ao futebol sem prestar contas aos torcedores-cidadãos.

Até mesmo um dos candidatos à presidência da Fifa, com eleição marcada para fevereiro de 2016, Jérôme Champagne, admitiu isso. “A Copa no Brasil foi um sinal de alerta claro para a Fifa”, reconheceu.

O sentimento de indignação seria confirmado menos de um ano depois do fim do Mundial de 2014. Em 27 de maio de 2015, uma operação das polícias suíça e norte-americana contra dirigentes do futebol fez desmoronar um império.

O ressentimento de países como os Estados Unidos e a Inglaterra, por terem perdido o direito de sediar as Copas de 2018 e 2022, pode ter influenciado a iniciativa da Justiça norte-americana. Mas a ação só foi possível quando ficou claro que a credibilidade da Fifa era inexistente entre milhares de torcedores do mundo inteiro, inclusive aqueles – os brasileiros – que têm o futebol como parte de sua identidade nacional.

Ao final de 2015, enquanto estamos vendo José Maria Marin, ex-presidente da CBF ser extraditado, não se pode ainda prever o destino de cada um dos cartolas indiciados pela Justiça dos EUA. Mas a única certeza é de que o golpe foi profundo.

Os advogados da Fifa
Hoje, o império que por 40 anos comandou o futebol está desgovernado. A corrupção deixou o futebol mundial sem um futuro claro, enquanto patrocinadores, advogados e mesmo o Comitê Olímpico Internacional decidiram intervir para tentar socorrer a Fifa.

Numa decisão sem precedentes, a entidade suspendeu por 90 dias seu presidente, Joseph Blatter, e o secretário-geral, Jérôme Valcke. Mas anunciou também uma punição contra os dois principais candidatos ao comando da organização, Michel Platini e o magnata coreano Chung Moon-jong, que ficará seis anos afastado do futebol por tentar comprar votos para que seu país recebesse a Copa de 2022.

A decisão abriu uma disputa política feroz em Zurique e jogou o mundo do futebol em um caos diante da indefinição sobre quem assumirá a entidade a partir do dia 26 de fevereiro, data da eleição.

Criada há 111 anos, a Fifa hoje não tem um comando e mesmo seus funcionários, em comentários dentro da entidade, admitem que foi “engolida pela corrupção”.

Com seus computadores confiscados e sob a ameaça da polícia, a Fifa passou a ser de fato controlada por escritórios de advocacia. Blatter contratou a peso de ouro o advogado norte-americano William Burck, do poderoso Quinn Emanuel Urquhart & Sullivan. Ex-conselheiro de George W. Bush na Casa Branca, Burck já defendeu políticos africanos e coleciona casos de corrupção.

Desde a prisão dos cartolas em maio, tudo passa por ele na Fifa, até mesmo as declarações à imprensa e decisões de viagens de dirigentes. O controle de segurança para acesso ao prédio também foi reforçado.

Para uma reunião regular e sorteio esvaziado do Mundial de Clubes, jornalistas foram obrigados a passar por revistas e impedidos de entrar no saguão de entrada da Fifa, aberto tradicionalmente a todos. A Fifa fechou também suas portas para turistas.

Todos os jornalistas tiveram de se registrar com dias de antecedência, malas foram abertas antes da entrada no edifício e o saguão da Fifa foi fechado à imprensa, obrigada a entrar por uma porta lateral.

As medidas foram tomadas depois que, em julho, um comediante britânico conseguiu entrar em uma coletiva de imprensa concedida por Blatter e, antes do evento, jogou notas de dinheiro sobre o cartola. As imagens rodaram o mundo e, visivelmente afetado, Blatter exigiu mudanças profundas no acesso ao prédio.

No lugar de cartolas, os assuntos do futebol passaram a ser dominados por um exército de advogados. Timothy Treanor, do escritório Sidley Austin, passou a assumir a Concacaf, enquanto o ex-vice-presidente da Fifa Jeffrey Webb recorreu a Edward O’Callaghan, ex-chefe do Combate ao Terrorismo da Unidade de Manhattan do Ministério Público norte-americano.

Já a família de Jack Warner, acusado de receber propinas na escolha das sedes da Copa, contratou o escritório Brafman & Associates, de Nova York, responsável por conseguir retirar da prisão o ex-gerente do FMI Dominique Strauss-Kahn, em um caso de suposto assédio sexual.

O brasileiro José Hawilla foi defendido ainda pelo advogado Lewis Liman, enquanto José Maria Marin montou uma equipe com advogados da Suíça, Brasil e EUA.

Se há um ano esses dirigentes eram considerados “intocáveis” e seus negócios pessoais se confundiam com o da organização, hoje a lista de cartolas suspensos revela a dimensão da crise. Blatter, Platini, Valcke, Makudi, Webb, Teixeira, Adamu, Figueredo, Villar, Beckenbauer e Leoz foram obrigados a se afastar do futebol, escancarando o tamanho da corrosão na gestão do esporte.

Nos bastidores, as grandes multinacionais que financiam o futebol também dispararam telefonemas para pedir que uma transição rápida seja estabelecida e que não haja “um retorno de Blatter”. Todas aquelas que por décadas haviam apoiado o “sistema Fifa” hoje passaram a se preocupar com o impacto financeiro para suas marcas e, acima de tudo, com eventuais repercussões legais. No mês passado, Coca-Cola, Visa e outras empresas haviam exigido a queda do suíço.

Nos corredores da entidade, o clima é de permanente tensão. Muitos funcionários passaram a buscar outros trabalhos, na esperança de sair de um terremoto que não tem prazo para terminar. Poucos se atrevem a tomar novas decisões, e a ordem é justamente evitar novas polêmicas. Os contratos comerciais estão paralisados, e o objetivo estabelecido no início do ano pela Fifa para arrecadar US$200 milhões com patrocinadores para a Copa de 2018 não deve ser atingido. Afinal, quem hoje estaria disposto a assinar um contrato com uma administração sob intervenção policial?

Quem fica com o poder?
Para participar da eleição, cada candidato precisava de cinco apoios, entre as 209 federações. O sistema foi criado ainda por Joseph Blatter para impedir que nomes de fora da Fifa se apresentassem, e, em diversos casos, a estratégia funcionou já que dezenas de federações temem ser punidas por dar apoio a verdadeiros opositores do sistema.

Zico, por exemplo, com um discurso que pedia uma reforma completa do futebol, acabou sendo vítima desse sistema que impede que a estrutura de poder seja questionada por um nome independente. Sua candidatura não conseguiu o apoio suficiente nem mesmo para ser validada. O ex-jogador não obteve apoio nem do Brasil nem da Conmebol.

Mas, mesmo entre aqueles que estão na corrida, o clima é de incerteza. Michel Platini foi suspenso do futebol por 90 dias diante de suspeitas de um pagamento de US$2 milhões entre Blatter e ele. Enquanto seu processo não for julgado, ele não pode fazer campanha.

Com Platini no limbo, a corrida está aberta e críticos da Fifa chegaram a advertir que o afastamento do francês foi uma estratégia de Blatter para criar um caos nas eleições e até impedir que elas ocorressem. Seu plano, ao anunciar que renunciaria em junho, era minar todos os potenciais nomes e mostrar que apenas ele poderia fazer a reforma necessária na entidade.

Mas seus planos desmoronaram quando a Justiça suíça abriu investigações contra ele por gestão desleal e apropriação indevida de recursos.

Agora, um dos nomes de maior influência passou a ser o do xeique Salman Al Khalifa, do Bahrein, presidente da Confederação Asiática de Futebol e até o mês passado um aliado incondicional de Platini. Com a capacidade de reunir dezenas de votos e um amplo cofre para financiar sua campanha, o xeique é um dos nomes mais fortes. Mas seu envolvimento na repressão contra dissidentes no Bahrein e a prisão de 150 esportistas e técnicos por participarem de protestos por maior democracia o colocaram em uma lista negra de entidades de direitos humanos.

O limbo vivido por Platini ainda obrigou a União das Federações Europeias de Futebol (Uefa) a lançar seu secretário-geral, o suíço Gianni Infantino, na corrida. Braço-direito do ex-jogador francês por seis anos, ele foi quem tocou o dia a dia da Uefa na maior explosão de renda da entidade. Nas duas últimas semanas, porém, Infantino esteve em duas ocasiões em Doha, sede do escritório do xeique. Ambos poderiam fechar em uma candidatura única, com Infantino como secretário-geral da Fifa.

Ainda assim, seu nome é associado ao poder da Uefa, algo que nomes de diversas partes do mundo querem evitar. Um deles é o sul-africano Tokyo Sexwale, ex-prisioneiro da ilha de Robin ao lado de Nelson Mandela. Sua promessa como candidato é garantir que a Fifa não seja dominada pelos interesses europeus.

O príncipe Ali Bin Hussein, da Jordânia, é outro que se apresenta como alguém que estaria disposto a reformar a Fifa. Ele já havia sido apoiado pela Europa em maio nas eleições. Mas foi derrotado por Blatter.

Quem também assegurou sua candidatura é David Nakhid, ex-jogador de Trinidad e Tobago e visto como um “laranja” de Jack Warner, o ex-cartola do país caribenho e acusado de corrupção.

Por fim, o ex-diplomata francês Jérôme Champagne também está na corrida. Único a apresentar de fato um plano de governo para reformar a Fifa, ele se beneficia de amplo conhecimento dos bastidores do futebol e atuou por anos como assessor da Fifa. Seus críticos, porém, o acusam de ser um “homem de Blatter”, algo que ele nega.

Seja qual for o vencedor, o teste real da Fifa começará quando a nova administração assumir o poder. Ela terá de responder a perguntas que tocam na alma de uma entidade que viveu acima da lei: até que ponto a Fifa será reformada para evitar um novo abalo? Até que ponto a nova coalizão no poder aceitará rever as práticas corruptas dos últimos anos e punir os responsáveis? E até que ponto o sequestro do futebol por uma oligarquia que se enriquece com a emoção do torcedor será mantida?

As respostas a isso determinarão se a Fifa sobreviverá ou não como o governo do esporte mais popular do planeta. “O futebol, e não apenas a Fifa, está no precipício de um desastre”, resumiu Chris Eaton, ex-diretor da Fifa e hoje executivo do Centro Internacional para a Segurança no Esporte.

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17 de novembro de 2015

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Fernando Brito, via Tijolaço em 13/11/2015

Segundo a Folha, a PM do Distrito Federal apreendeu ontem [12/11] uma arma de fogo e diversas armas brancas escondidas no carro de um manifestante “pró-impeachment” que estão acampados em frente ao Congresso Nacional.

Mais precisamente: uma pistola Taurus .380, um soco inglês, sprays de mostarda, diversos furadores de coco e um porrete.

O detido – ou os detidos, porque a matéria não é exata e não revela os nomes – dizia que ia matar a presidenta da República e “jogar uma bomba no Congresso Nacional”.

Diz um tal Dom Werneck, um dos “acampados” que se dedica a pedir intervenção militar, difundir vídeos de Jair Bolsonaro e dizer às pessoas que estoquem alimentos, porque “a classe dos caminhoneiros é a mais importante do Brasil, porque vai decidir a ficada (sic) de um presidente”, que foram eles que avisaram os policiais, porque seu movimento é “cristão e pacífico”.

Acredite quem quiser.

Aliás, parece que a Polícia Federal acredita, tanto que não providenciou uma revista – dentro da lei, sem constrangimentos e, até, usando detectores de metal –, para, no mínimo, prevenir que haja outro “pacífico” como este, a poucos metros da sede dos poderes da República. Talvez seus agentes estejam ocupados em treinar tiro ao alvo em imagens da presidenta.

Sabe aquelas histórias de militantes neonazistas, armados para agredir, surrar, ferir? Os ovos da serpente chocaram e as víboras estão soltas, deslizando por aí. E bem ali na frente, o ministro Zé Cardozo dando entrevistas bacanas.

Revoltados_Online31_Mentira

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“Chega de notícias ruins”: A sinceridade da última coluna de um apresentador da Globo

16 de novembro de 2015

GloboNews05_Sidney_Rezende

Kiko Nogueira, via DCM em 14/11/2015

É certo que a GloboNews está realizado o que se chama eufemisticamente de “reestruturação” – aka, demitindo. No mês passado, foi o apresentador Eduardo Grillo, que trabalhava no canal desde o início, em 1996.

Agora chegou a vez de Sidney Rezende, que integrava o estafe há 18 anos. “Ao dar a notícia de que o contrato não seria renovado, Ali Kamel, diretor de jornalismo e esporte, fez questão de enaltecer para Sidney Rezende a sua qualidade profissional e o excelente desempenho dele nos muitos anos que trabalhou para a TV Globo”, diz um comunicado oficial publicado na sexta-feira, dia 13.

Também é certo que a última coluna que Rezende escreveu em seu blog, datada de 12 de novembro, é intitulada “Chega de Notícias Ruins”. Poderia ser endereçada a praticamente todo o time de articulistas da Globo.

Ei-la:

Em todos os lugares que compareço para realizar minhas palestras, eu sou questionado: “Por que vocês da imprensa só dão ‘notícia ruim’?”

O questionamento por si só, tantas vezes repetido, e em lugares tão diferentes no território nacional, já deveria ser motivo de profunda reflexão por nossa categoria. Não serve a resposta padrão de que “é o que temos para hoje”. Não é verdade. Há cinismo no jornalismo, também. Embora achemos que isto só exista na profissão dos outros.

Os médicos se acham deuses. Nós temos certeza!

Há uma má vontade dos colegas que se especializaram em política e economia. A obsessão em ver no Governo o demônio, a materialização do mal, ou o porto da incompetência, está sufocando a sociedade e engessando o setor produtivo.

O “ministro” Delfim Netto, um dos mais bem-humorados frasistas do Brasil, disse há poucas semanas que todos estamos tão focados em sermos “líquidos” que acabaremos “morrendo afogados”. Ele está certo.

Outro dia, Delfim estava com o braço na tipoia e eu perguntei: “o que houve?”. Ele respondeu: “está cada vez mais difícil defender o governo”.

Uma trupe de jornalistas parece tão certa de que o impedimento da presidente Dilma Rousseff é o único caminho possível para a redenção nacional que se esquece do nosso dever principal, que é noticiar o fato, perseguir a verdade, ser fiel ao ocorrido e refletir sobre o real e não sobre o que pode vir a ser o nosso desejo interior. Essa turma tem suas neuroses loucas e querem nos enlouquecer também.

O Governo acumula trapalhadas e elas precisam ser noticiadas na dimensão precisa. Da mesma forma que os acertos também devem ser publicados. E não são. Eles são escondidos. Para nós, jornalistas, não nos cabe juízo de valor do que seria o certo no cumprimento do dever.

Se pesquisarmos a quantidade de boçalidades escritas por jornalistas e “soluções” que quando adotadas deram errado daria para construir um monumento maior do que as pirâmides do Egito. Nós erramos. E não é pouco. Erramos muito.

Reconheço a importância dos comentaristas. Tudo bem que escrevam e digam o que pensam. Mas nem por isso devem cultivar a “má vontade” e o “ódio” como princípio do seu trabalho. Tem um grupo grande que, para ser aceito, simplesmente se inscreve na “igrejinha”, ganha carteirinha da banda de música e passa a rezar na mesma cartilha. Todos iguaizinhos.

Certa vez, um homem público disse sobre a imprensa: “Será que não tem uma noticiazinha de nada que seja boa? Será que ninguém neste país fez nada de bom hoje?”. Se depender da imprensa brasileira, está muito difícil achar algo positivo. A má vontade reina na pátria.

É hora de mudar. O povo já percebeu que esta “nossa vibe” é só nossa e das forças que ganham dinheiro e querem mais poder no Brasil. Não temos compromisso com o governo anterior, com este e nem com o próximo. Temos responsabilidade diante da nação.

Nós devemos defender princípios permanentes e não transitórios.

Para não perder viagem: por que a gente não dá também notícias boas?

Taí uma boa pergunta, cuja resposta Rezende sabe.

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Virada gramatical tenta curar tiro no pé da grande mídia

16 de novembro de 2015

Tiro_Pe01Depois de décadas de jornalismo adversativo onde dominavam conjunções como “mas”, “porém”, “contudo” etc. para minimizar impactos negativos e, com os governos petistas como oponentes, inverter o sinal e as adversativas minimizarem impactos positivos, a grande mídia dá uma virada gramatical: adjuntos adverbiais de concessão como “apesar da crise, indústria cresce…” ou “mesmo com a crise, setor de informática vende mais…” passam a se repetir ao ponto de tornarem-se bordões ridicularizados em redes sociais. Por que essa virada gramatical? Depois de 12 anos em uma cavalgada suicida querendo provar que o País está no abismo econômico detonando bombas semióticas da crise autorrealizável, a grande mídia chegou ao limite: a presunção da catástrofe volta-se contra ela própria, com queda de audiência e anunciantes. Depois do tiro no pé a grande mídia parece tentar sinalizar ao mercado: “Apesar da crise, anuncie aqui!”

Wilson Roberto Vieira Ferreira, via Cinegnose em 31/7/2015

Lá pelo final do século passado, em plena crise do Plano Real com as maxidesvalorizações logo depois da reeleição presidencial de Fernando Henrique Cardoso, um helicóptero da TV Globo sobrevoava os pátios lotados de veículos das montadoras da região do ABC paulista. A voz ao vivo do repórter aéreo falava em pátios lotados, crise e férias coletivas. Corta para o estúdio. E o apresentador Chico Pinheiro contemporizou: “Mas quem ganhará é o consumidor com os descontos que as concessionárias oferecerão…”.

Essa era ainda a época do jornalismo adversativo. Embora o jornalismo sempre tenha vivido da presunção da catástrofe (o acidente, o bizarro e o endêmico prendem a atenção do espectador), a utilização das conjunções coordenadas adversativas (mas, porém, contudo, todavia etc.) sempre tiveram duas funções primordiais.

Primeiro, a função existencial – relativizar ou minimizar o impacto negativo é sua função comercial de entretenimento. Afinal, não importa se as notícias são boas ou ruins. No todo, seja o jornalismo televisivo ou impresso, deve ser uma experiência visual, gráfica e informativa agradável.

Anunciantes não querem associar subliminarmente suas marcas e serviços a experiências desagradáveis. Por exemplo, no dia dos atentados de 11 de setembro de 2001 as redes de tevê dos EUA tiveram um prejuízo de US$200 milhões com a suspensão de inserções publicitárias. Um ano depois, ao fazer reportagens especiais em horário nobre sobre o evento, a Fox News teve mais prejuízos: anunciantes ficaram relutantes em associar suas marcas à lembrança de um evento tão negativo.

Torres_Gemeas06_Fox

Segundo, a função política – desde a ditadura militar, a grande imprensa tentava conciliar sua função informativa com a adesão às políticas dos governos militares e, mais tarde, o apoio e confiança irrestrita ao Plano Real. Inflação aumentou? Mas em termos relativos diminuiu comparando-se com o mesmo período do ano anterior… O desemprego cresceu? Porém, é a oportunidade de criar seu próprio negócio…

Marteladas adversativas
Conjunções coordenadas (aditivas, adversativas, conclusivas, explicativas etc.) sempre foram retoricamente interessantes para o jornalismo: conciliavam interesses muitas vezes contraditórios (publicitários e políticos), além de criarem uma percepção aos leitores/espectadores de um jornalismo articulado, explicativo ou investigativo. Parece haver isenção ao mostrar um pretenso “outro lado”. Ao contrário das conjunções subordinadas (causa, comparativa etc.), suspeitas de intenções ideológicas ao tentarem criar subordinações entre afirmações – porque, do que, mais, contanto etc.

A partir de 2003 e início da era dos governos petistas Lula e Dilma, a grande mídia manteve esse traquejo adversativo, mas agora com o sinal trocado: deve-se agora relativizar e minimizar o impacto positivo – O PIB cresceu? Mas o desemprego aumentou. A economia está aquecida? Entretanto, o “gargalo estrutural” não vai permitir escoar a produção…

Foram 12 anos de marteladas adversativas, até chegar a um ponto onde as duas funções dessa conjunção gramatical (existencial e política) começaram a entrar em choque: de um lado, a experiência do jornalismo como infotenimento começou a perder o seu lado do “entretenimento” – a experiência para o leitor/espectador tornou-se cada vez mais desagradável, alarmista, baixo astral com alusões recorrentes de abismos, crises, precipícios, buracos e quedas.

Jornal_Manchetes01

E do outro, a condição que a grande mídia passou a se auto-investir de ser a única opção viável de oposição ao governo federal, pautando as ações da oposição política e parlamentar.

A crise autorrealizável
Após a transformação diuturna de cada trepidação da Bolsa, de cada variação sazonal de preços de hortaliças e legumes (os vilões tomate e cebola, por exemplo) ou de cada flutuação do câmbio em sintomas de uma presumível catástrofe, finalmente explodiu a bomba semiótica da crise econômica autorrealizável.

A crise econômica autorrealizável lembra bastante a chamada inflação psicológica da hiperinflação brasileira dos anos 80-90 – por ter medo da inflação e na tentativa de se prevenir contra uma catástrofe futura, consumidores, indústria e comércio adotavam ações que colaboravam para a expansão da própria inflação.

Com a inversão dos sinais, o diapasão do discurso adversativo finalmente criou a percepção (paradoxalmente em todo espectro político) de que a crise econômica chegou, a corrupção é endêmica e o País caiu no abismo. Mas como coloca de forma simples e irônica a charge de Duke (publicada no jornal O Tempo de Minas Gerais – veja abaixo) sobre essa dinâmica psicológica da crise, a vitória da grande mídia pode ser um tiro no próprio pé – ou a chamada “vitória de Pirro”.

Crise_Apesar03_Charge_Duke

“Apesar da crise…”
A começar, a contradição entre a função existencial e política: assistir a um telejornal tornou-se desagradável e chato, produzindo medo e ansiedade. Por isso, somada a ameaça das mídias de convergência (por exemplo, a Reuters lançou um canal de vídeos cujo slogan é: “o canal de notícias para quem não vê mais tevê”), despencam as audiências dos telejornais, repercutindo nas telenovelas e todo o horário nobre. Os patrocinadores ameaçam debandar ou querem negociar preços mais baixos de inserção: afinal, todos sabem, estamos em crise…

Em desespero, a mídia vem nos últimos meses abandonando as conjunções adversativas como bem percebeu Pablo Villaça, que em seu Facebook ironizou o abuso da expressão “apesar da crise” pela imprensa – clique aqui. Villaça fala que se a grande mídia não utilizasse essa expressão, ela não teria mais o que publicar, já que os fatos econômicos insistem em contradizer as previsões dos colunistas.

“Apesar da crise, porto de Santos bate recorde de movimento no primeiro semestre de 2015”, informou a TV Tribuna de Santos nessa semana ou “Apesar da crise, a indústria está otimista com as vendas na Páscoa”, informou o portal de O Globo. São amostras recentes desse repentino apego ao adjunto adverbial de concessão, abandonando as conjunções adversativas.

Virada gramatical
Por que essa virada gramatical? Comunicadores como Jô Soares ou Serginho Groisman logo perceberam que a mídia em sua cruzada oposicionista abriu uma espécie de caixa de Pandora que ameaça a si própria (sobre isso clique aqui), também a grande mídia percebe que chegou ao limite da distensão entre as funções existencial e política, entre o infotenimento e o papel oposicionista.

Para além do confronto político-partidário, existe a rotina contábil de entrada e saída do caixa, das atividades comerciais cotidianas, da necessidade do constante fluxo de inserções publicitárias que dependem de percepções e expectativas quanto ao futuro da indústria, comércio e serviços.

Globo_Caos01

A grande mídia começa a perceber que há anos está em uma cavalgada suicida. Por isso, o verdadeiro bordão em que se tornou os adjuntos adverbias de concessão (apesar de, embora, em que pese, mesmo que etc.) é o sintoma dessa desesperada tentativa de conciliar a natureza comercial de entretenimento com o papel conjuntural de oposição política.

E uma sutil mensagem aos patrocinadores: sim, apesar da crise vocês podem continuar anunciando aqui…

No caso particular da TV Globo, a situação é ainda pior. Por muito tempo, a crise e a hiperinflação foram aliados para sua audiência cativa: na falta de dinheiro para ir a um cinema ou restaurante, o brasileiro ficava em casa assistindo ao horário nobre de futebol/telenovelas/noticiário.

A explosão da bomba semiótica da crise autorrealizável pode ter deprimido o consumo e o ímpeto de sair de casa para se divertir. Mas diante da chatice da recorrência de adversativas e adjuntos adverbiais de concessão, há atualmente em cada quarto da casa de um número crescente de brasileiros algum tipo de dispositivo de convergência (celular, ipad, notebook etc.) como a alternativa mais imediata para abandonar a grande mídia e deixar de vez que ela paute nossas vidas.

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