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Para o New York Times, Rede Globo é uma emissora que ilude o Brasil

18 de novembro de 2015
Globo_Novela01

Personagem Romero Rômulo, da novela “A Regra do Jogo”, irritou Anistia Internacional.

Gigante da mídia cativa os telespectadores com novelas vazias e comentários ineptos no noticiário.

Vanessa Barbara, via Portal UOL em 11/11/2015

No ano passado, a revista The Economist publicou um artigo sobre a Rede Globo, a maior emissora do Brasil. Ela relatou que “91 milhões de pessoas, pouco menos da metade da população, a assistem todo dia: o tipo de audiência que, nos Estados Unidos, só se tem uma vez por ano, e apenas para a emissora detentora dos direitos naquele ano de transmitir a partida do Super Bowl, a final do futebol norte-americano”.

Esse número pode parecer exagerado, mas basta andar por uma quadra para que pareça conservador. Em todo lugar aonde vou há um televisor ligado, geralmente na Globo, e todo mundo a está assistindo hipnoticamente.

Sem causar surpresa, um estudo de 2011 apoiado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontou que o percentual de lares com um aparelho de televisão em 2011 (96,9) era maior do que o percentual de lares com um refrigerador (95,8) e que 64% tinham mais de um televisor. Outros pesquisadores relataram que os brasileiros assistem em média quatro horas e 31 minutos de tevê por dia útil, e quatro horas e 14 minutos nos fins de semana; 73% assistem tevê todo dia e apenas 4% nunca assistem televisão regularmente (eu sou uma destes últimos).

Entre eles, a Globo é ubíqua. Apesar de sua audiência estar em declínio há décadas, sua fatia ainda é de cerca de 34%. Sua concorrente mais próxima, a Record, tem 15%.

Assim, o que essa presença onipenetrante significa? Em um país onde a educação deixa a desejar (a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico classificou o Brasil recentemente em 60º lugar entre 76 países em desempenho médio nos testes internacionais de avaliação de estudantes), implica que um conjunto de valores e pontos de vista sociais é amplamente compartilhado. Além disso, por ser a maior empresa de mídia da América Latina, a Globo pode exercer influência considerável sobre nossa política.

Um exemplo: há dois anos, em um leve pedido de desculpas, o grupo Globo confessou ter apoiado a ditadura militar do Brasil entre 1964 e 1985. “À luz da História, contudo”, o grupo disse, “não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio foi um erro, assim como equivocadas foram outras decisões editoriais do período que decorreram desse desacerto original”.

Com esses riscos em mente, e em nome do bom jornalismo, eu assisti a um dia inteiro de programação da Globo em uma terça-feira recente, para ver o que podia aprender sobre os valores e ideias que ela promove.

A primeira coisa que a maioria das pessoas assiste toda manhã é o noticiário local, depois o noticiário nacional. A partir desses, é possível inferir que não há nada mais importante na vida do que o clima e o trânsito. O fato de nossa presidente, Dilma Rousseff, enfrentar um sério risco de impeachment e que seu principal oponente político, Eduardo Cunha, o presidente da Câmara, está sendo investigado por receber propina, recebe menos tempo no ar do que os detalhes dos congestionamentos. Esses boletins são atualizados pelo menos seis vezes por dia, com os âncoras conversando amigavelmente, como tias velhas na hora do chá, sobre o calor ou a chuva.

A partir dos talk shows matinais e outros programas, eu aprendi que o segredo da vida é ser famoso, rico, vagamente religioso e “do bem”. Todo mundo no ar ama todo mundo e sorri o tempo todo. Histórias maravilhosas foram contadas de pessoas com deficiência que tiveram a força de vontade para serem bem-sucedidas em seus empregos. Especialistas e celebridades discutiam isso e outros assuntos com notável superficialidade.

Eu decidi pular os programas da tarde – a maioria reprises de novelas e filmes de Hollywood – e ir direto ao noticiário do horário nobre.

Há dez anos, um âncora da Globo, William Bonner, comparou o telespectador médio do noticiário “Jornal Nacional” a Homer Simpson – incapaz de entender notícias complexas. Pelo que vi, esse padrão ainda se aplica. Um segmento sobre a escassez de água em São Paulo, por exemplo, foi destacado por um repórter, presente no jardim zoológico local, que disse ironicamente “É possível ver a expressão preocupada do leão com a crise da água”.

Assistir à Globo significa se acostumar a chavões e fórmulas cansadas: muitos textos de notícias incluem pequenos trocadilhos no final ou uma futilidade dita por um transeunte. “Dunga disse que gosta de sorrir”, disse um repórter sobre o técnico da seleção brasileira. Com frequência, alguns poucos segundos são dedicados a notícias perturbadoras, como a revelação de que São Paulo manteria dados operacionais sobre a gestão de águas do Estado em segredo por 25 anos, enquanto minutos inteiros são gastos em assuntos como “o resgate de um homem que se afogava causa espanto e surpresa em uma pequena cidade”.

O restante da noite foi preenchido com novelas, a partir das quais se pode aprender que as mulheres sempre usam maquiagem pesada, brincos enormes, unhas esmaltadas, saias justas, salto alto e cabelo liso. (Com base nisso, acho que não sou uma mulher.) As personagens femininas são boas ou ruins, mas unanimemente magras. Elas lutam umas com as outras pelos homens. Seu propósito supremo na vida é vestir um vestido de noiva, dar à luz a um bebê loiro ou aparecer na televisão, ou todas as opções anteriores. Pessoas normais têm mordomos em suas casas, que são visitadas por encanadores atraentes que seduzem donas de casa entediadas.

Duas das três atuais novelas falam sobre favelas, mas há pouca semelhança com a realidade. Politicamente, elas têm uma inclinação conservadora. “A Regra do Jogo”, por exemplo, tem um personagem que, em um episódio, alega ser um advogado de direitos humanos que trabalha para a Anistia Internacional visando contrabandear para dentro dos presídios materiais para fabricação de bombas para os presos. A organização de defesa se queixou publicamente disso, acusando a Globo de tentar difamar os trabalhadores de direitos humanos por todo o Brasil.

Apesar do nível técnico elevado da produção, as novelas foram dolorosas de assistir, com suas altas doses de preconceito, melodrama, diálogo ruim e clichês.

Mas elas tiveram seu efeito. Ao final do dia, eu me senti menos preocupada com a crise da água ou com a possibilidade de outro golpe militar –assim como o leão apático e as mulheres vazias das novelas.

Leia também:
“Chega de notícias ruins”: A sinceridade da última coluna de um apresentador da Globo
O império da Rede Globo começou a desmoronar

Teste rápido: Você faz papel de idiota nas redes sociais?

18 de novembro de 2015
Meteoro01

Meteoro: Se bobear, um dia ele aparece.

Leonardo Sakamoto em seu blog em 17/11/2015

Escolha apenas uma alternativa:

1) Após ler o título de um texto sobre um assunto que te interessa, você:
a) Parte para esculhambar e xingar o autor
b) Começa a elogiar e endeusar o autor
c) Diz que aquela postagem é a prova que os Illuminati estão dominando o mundo
d) Avisa que aquilo não tem importância alguma porque Cristo vai voltar em breve
e) Lê o texto

2) Você recebeu uma mensagem no WhatsApp com uma denúncia séria, mas com autoria desconhecida e sem fontes de dados confiáveis. Então:
a) Encaminha a postagem para 50 amigos no WhatsApp
b) Encaminha a postagem para 50 amigos no WhatsApp e replica no Twitter
c) Encaminha a postagem para 50 amigos no WhatsApp, replica no Twitter e bomba no Facebook
d) Encaminha a postagem para 50 amigos no WhatsApp, replica no Twitter, bomba no Facebook e mita falando dele no Snapchat
e) Dá um google para checar e, caso haja uma dúvida razoável, avisa a quem te mandou a fim de que evite espalhar conteúdo que pode ser falso

3) Quando percebe que não manja muito de um assunto em um debate nas redes sociais, você:
a) Inventa dados para ganhar o debate
b) Cria histórias para sustentar seus argumentos
c) Enfia palavras na boca de terceiros
d) Distorce o que não é favorável a você
e) Não tem vergonha de dizer “não sei”, “não faço ideia” e “me explica”

4) Quem xinga alguém durante uma discussão nas redes sociais está:
a) Colocando a pessoa em seu devido lugar
b) Mostrando a ela quem manda por aqui
c) Deixando claro a todo mundo quem é o pica das galáxias
d) Dando uma lição em quem se atreveu a questioná-lo
e) Sendo um babaca

5) Alguém que discorda educadamente de seu post é:
a) Um petralha imundo que mama nas tetas do governo
b) Um tucanalha nojento e insensível à dor do semelhante
c) Uma feminazi maldita que quer destruir os homens de bem
d) Um gayzista que quer transformar meus filhos em sodomitas
e) Alguém que discorda educadamente do meu post

A quem respondeu qualquer coisa que não fosse a alternativa “e”: Há pessoas preocupadas em ganhar debates e ignoram as dores do outro. E ofendem, xingam, maltratam, espantam. E há aquelas que querem construir algo por meio de conversas nas redes sociais. E ouvem, entendem, toleram, absorvem. Qual desses grupos de pessoas você acha que vai deixar saudades se partir? Qual desses grupos de pessoas você acha que são fundamentais para o futuro do país?

A obscura ameaça de privatização das águas

17 de novembro de 2015
Acude01

Açude de Orós (CE), um dos mais tradicionais do país. Empresas concessionárias poderão deixar de abastecer populações e vender “sua” água para agronegócio.

Pela porta dos fundos, sem nenhum debate com a sociedade, megagrupos empresariais buscam brecha na legislação que lhes permita controlar fontes hídricas brasileiras. Veja como agem e quais as possíveis consequências

Roberto Malvezzi, via Outras Palavras em 18/11/2015

Esses dias fui entrevistado pela Folha de S.Paulo sobre uma nova investida da Agência Nacional de Águas para a criação do “mercado de outorga de águas”. O assunto é antigo e, vez em quando, se mexe no túmulo.

A proposta vem do Banco Mundial e FMI para a criação do mercado de águas como a melhor forma de gerir a crescente crise hídrica global. Como no Brasil a água é um bem da União (Constituição de 1988) ou um bem público (conforme a Lei 9.433/97), ela não pode ser privatizada, nem mercantilizada.

Acontece que há tempos o grupo que representa o pensamento dessas instituições internacionais no Brasil – e das multinacionais da água – busca brechas na lei para criar o mercado de águas, pelo mecanismo de compra e venda de outorgas. Já que a água não pode ser um bem privado, então busca-se criar o mercado das outorgas (quantidades de água concedidas pelo Estado a um determinado usuário), para que possam ser vendidas de um usuário para outro.

Hoje, o mercado de outorgas é impossível. Quando um usuário que obteve uma outorga não utiliza a água demandada, ela volta ao poder do Estado. Não pode ser transferida para outro usuário, muito menos ser vendida. A finalidade é óbvia: evitar que se crie especulação financeira em torno de um bem público e essencial, evitando a compra e venda de reservas de água.

A lei já tem uma aberração, que é a outorga preventiva. Uma empresa pode reservar para si um determinado volume de água até que seu empreendimento possa ser implantado. Essa outorga preventiva pode ser renovada mesmo quando o prazo expirou sem que nenhuma gota d’água tenha sido utilizada.

Onde o mercado de águas – sob todas as formas – foi criado o fracasso foi mortal, literalmente. Na Bolívia gerou a guerra da água, na França, depois de alguns anos, o serviço voltou ao controle público. Assim em tantas partes do mundo. Mas o Brasil é tardio e colonizado. Muitos de nossos agentes públicos também o são.

Pela nossa legislação existe uma ética no uso da água, isto é, em caso de escassez a prioridade é o abastecimento humano e a dessedentação dos animais. Portanto, prioridades como essas, estabelecidas em lei, não podem ser substituídas pelo mercado. Em momentos críticos como esse, exige-se intervenção do Estado através do organismo competente para determinar a prevalência das prioridades sobre os demais usos.

Porém, se as regras forem mudadas para que passe a prevalecer o mercado, uma empresa de abastecimento de água, para ganhar dinheiro, poderá vender sua outorga – total ou parcialmente – para outra companhia: de irrigação, por exemplo. Nesse caso, sacrificaria as pessoas em função do lucro e da empresa que pode pagar mais pela água.

Portanto, não é só uma questão legal. É, antes de tudo, ética, humanitária e protetora dos direitos dos animais. A proposta inverte a ordem natural e dos valores, colocando o mercado como senhor absoluto da situação, exatamente em momentos de escassez gritante.

É sintomático que essas observações feitas à Folha de S.Paulo não tenham sido publicadas. Apareceram apenas as vozes dos defensores do mercado de águas.

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Lula é ovacionado em discurso contra o golpismo e em favor da paz

17 de novembro de 2015

Lula_Colombia01

Lula pediu aos colombianos que não se deixem seduzir pela ladainha dos meios de comunicação que estimulam a despolitização e a ojeriza às ações coletivas.

Darío Pignotti, via Carta Maior em 11/11/2015

Uma hora antes do começo do discurso de Lula em Medellín, na noite de terça-feira, dia 10/11, já não havia mais lugares disponíveis no auditório da Praça Maior. As centenas de jovens universitários que não puderam ingressar acompanharam sua participação em telas gigantes instaladas em um anfiteatro, numa suave noite da cidade encravada entre serras de vegetação espessa.

Lula foi interrompido por ovações várias vezes. Por exemplo, quando denunciou a onda golpista contra governos progressistas e ao defender as negociações de paz entre as guerrilhas das Farc e o governo colombiano.

“Vejam o que está ocorrendo na América Latina, na América do Sul, estamos sentindo um certo cheiro de retrocesso, porque tem muita gente que não aceita as políticas que permitem a ascensão social, muita gente incomodada porque a filha da empregada doméstica se formou em medicina […] essas coisas incomodam as elites da Argentina, do Uruguai, do Chile, de vários países sul-americanos. No Brasil, os aeroportos estão cheios, e há pessoas indignadas porque dizem que eles agora parecem rodoviárias”.

O ex-mandatário brasileiro deu seu discurso na abertura da Conferência anual do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso), numa cerimônia encabeçada pelo diretor-geral da entidade, o doutor Pablo Gentili.

A visita de Lula mereceu uma importante repercussão nos meios colombianos, não só por seu prestígio no país, mas também porque a conferência do Clacso se realiza numa capital regional como Medellín, bastião político dos paramilitares, narcos (foi o feudo de Pablo Escobar) e do ultradireitista Álvaro Uribe, o ex-presidente que encabeça a campanha contra as negociações de paz entre os guerrilheiros das Farc e o governo colombiano, em Havana – conversas marcadas por avanços importantes, como o compromisso alcançado em setembro passado, por Juan Manuel Santos e pelo comandante Timochenko, para que a paz definitiva seja assinada no próximo 23 de março.

“Reafirmo meu total apoio ao processo de paz que a Colômbia vive hoje, e quero felicitar o corajoso processo de negociação que se projeta como desafio, para construir um futuro de justiça e liberdade para esse país”, destacou Lula, e lembrou que, “no mês passado, a presidenta Dilma fez uma visita (de Estado) a este país e também manifestou seu total apoio ao processo de paz”.

Suas palavras foram respaldadas por aplausos de dois ex-guerrilheiros ali presentes: o ex-presidente uruguaio José Pepe Mujica, ex-membro do Movimento de Liberação Nacional Tupamaros, e o prefeito de Bogotá, Gustavo Petros, ex-integrante da já dissolvida guerrilha M-19.

A organização de Petros deixou as armas nos Anos 80, para formar a agrupação política Aliança Democrática, que lançou, em 1990, seu primeiro candidato a presidente, seu ex-líder Carlos Pizarro Leongómez – que terminou não disputando eleições, apesar dos seus altos índices de aprovação, porque grupos ligados ao narcotráfico e aos paramilitares o assassinaram antes do dia da votação.

Essa não foi a única experiência frustrada dos guerrilheiros que passaram à vida política.

Membros das Farc optaram pela disputa eleitoral em meados dos Anos 80, quando formaram a União Patriótica, agrupação que teve dezenas de prefeitos e deputados, e alguns senadores eleitos. Porém, logo foi literalmente exterminada pelos paramilitares e narcotraficantes, que assassinaram cerca de 5 mil membros do partido, que finalmente desapareceu como força com peso na vida política nacional.

“Jovens, façam política”
Em seu discurso, Lula pediu aos jovens colombianos que não se deixem seduzir pela ladainha dos meios de comunicação que estimulam a despolitização e a ojeriza às ações coletivas, como as organizações sociais e sindicais. “Queridos rapazes e garotas, não acreditem nas bobagens que a imprensa diz sobre o nosso continente. A maior oposição aos governos progressistas hoje é a imprensa do nosso continente. Essa imprensa fomenta a despolitização, e o que vocês devem fazer é rejeitar isso, não cair na conversa da negação da política. Quando nos negamos a fazer política deixamos que outros façam, e o que vem depois é muito pior. Tenham cuidado com os que falam contra a política. Não existe nenhuma saída fora da política”.

“Quando nenhum político servir para nada, quando houver desconfiança em todos os políticos, ainda restará uma oportunidade, a oportunidade de vocês ingressarem na política, porque vocês, com 20 e 25 anos, são os que governarão amanhã. A desgraça de quem não gosta da política é que será governado por quem gosta de fazer política”.

“Mujica está com 80 anos e eu com 70, somos parte do século passado, vocês são o século 21. Por favor, tenham coragem, sejam perseverantes, assumam o controle dos partidos, dos movimentos sociais, voltemos à paixão dos Anos 60”.

“Se um ex-preso político como Mujica chegou à presidência, se um operário como eu chegou à presidência, se um índio como Evo chegou. Então, façam essa pergunta: por que vocês mesmos não podem chegar?”, apontou o líder brasileiro, e os jovens responderam com um sonoro “olê, olê, olê, olá, Lula, Lula…”.

No auditório, havia centenas de intelectuais latino-americanos, entre eles, alguns que foram premiados ontem por sua contribuição com o pensamento crítico, como os economistas Theotônio dos Santos, brasileiro, e Aldo Ferrer, argentino.

“Devemos ter paixão pela América do Sul, paixão pela integração, a mesma paixão que os nossos libertadores tiveram no século 19. A integração não é somente comercial, a integração necessita da participação da sociedade, de mais confiança uns nos outros, de combater o clima de desconfiança”, enfatizou Lula.

E mencionou os subsídios da intelectualidade de esquerda na formulação dos programas do PT, nos quatro governos do partido no Brasil.

Theotônio dos Santos
“Esta noite pudemos ver uma vez mais a admiração que os colombianos têm por Lula, por sua história de vida, por sua luta sindical, seu compromisso político com a América Latina, pelas políticas sociais de seus governos” declarou Theotônio dos Santos à Carta Maior.

“O que se viu hoje, com as pessoas que encheram este auditório de Medellín, é parecido ao que vimos há dois meses numa universidade da Argentina, onde as pessoas receberam o Lula com uma extraordinária simpatia e admiração, eu fui testemunha dessa recepção, numa universidade da Grande Buenos Aires”, lembrou.

“Em todos os lugares por onde passa, Lula é recebido como uma celebridade. Indiscutivelmente, é o maior líder da América Latina, apesar das campanhas de desprestigio contra ele nos meios privados de comunicação do Brasil”, disse o professor emérito da Universidade Federal Fluminense.

E concluiu: “creio que já quase ninguém duvida da estatura internacional e da popularidade de Lula, apesar de que essa realidade não vai agradar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso”.

Tradução: Victor Farinelli.

Leia também:
Coletânea de textos: Lula, o melhor presidente da história do Brasil

O SUS que não se vê: Geógrafo investiga especificidades do sistema de saúde

17 de novembro de 2015

Massa_Verde01

A tese de Luís Ribeiro lembra que o SUS realiza quase 100% dos transplantes; que os maiores especialistas têm sua formação com recursos públicos; que os melhores centros de pesquisa em saúde ainda são públicos, entre outras especificidades.

Luiz Sugimoto, via Jornal da Unicamp e lido no Jornal GGN em 10/11/2015

Recorrendo a conceitos da geografia, tese de doutorado defendida no Instituto de Geociências (IG) demonstra que o território brasileiro é “SUS dependente” e que todas as pessoas aqui residentes, incluindo estrangeiros, utilizam e dependem do Sistema Único de Saúde de uma maneira ou de outra. Foi seu projeto de mestrado sobre um programa municipal de fitoterápicos em Campinas, depois validado como pesquisa de doutorado pela banca de qualificação, que permitiu ao geógrafo Luís Henrique Leandro Ribeiro fazer uma leitura do SUS como um macrossistema de saúde, assim caracterizado pela pluralidade de redes técnicas e políticas, de organizações e centros de comando, de escalas de ação e de fluxos, e pela capacidade de moldar e ser moldado pelas especificidades de cada lugar.

“A assistência médico-hospitalar é apenas um dos componentes deste macrossistema, mas o mais lembrado quando nos referimos a ele, o que leva à equação simplista de que 75% dos brasileiros são ‘SUS dependentes’ e 25% podem pagar planos de saúde; que o SUS é para pobres”, observa Luís Ribeiro. “Isso é equivocado, pois a sua leitura como um macrossistema mostra que os procedimentos de alta complexidade, em sua maioria (quase 100% dos transplantes, por exemplo), são realizados pelo SUS; que mais da metade dos médicos trabalha no sistema; que os maiores especialistas têm sua formação com recursos públicos; que os melhores centros de pesquisa em saúde ainda são públicos; e que nas campanhas de imunização e na urgência e emergência o SUS atua hegemonicamente, assim como nas ações de prevenção e atenção primária.”

Orientada pelo professor Márcio Cataia e financiada pela Fapesp, a tese intitulada “Território e macrossistema de saúde: os programas de fitoterapia no Sistema Único de Saúde (SUS)” pretende, nas palavras do autor, ler o SUS em suas visibilidades e invisibilidades, tanto no que possui de notável e extraordinário, quanto de corriqueiro e despercebido. “O mote da pesquisa foi compreender como o SUS integra à medicina tradicional diversas práticas de medicina complementar e alternativa – e como o território condiciona e é condicionado pela existência de programas de fitoterapia no sistema. Lembrei-me de um caso de queimadura num posto de Campinas, quando ao paciente foi receitado gel de babosa produzido por uma farmácia de manipulação municipal que serve à rede pública – um dos serviços pioneiros no país.”

Com o objetivo de analisar, do ponto de vista da geografia, de que maneira o serviço municipal consegue promover a sinergia técnica entre um saber local e a estratégia política de produção e distribuição de fitoterápicos, Luís Ribeiro investigou 14 programas de fitoterapia e foi a campo em 24 municípios, totalizando 81 entrevistas nas quatro macrorregiões brasileiras. “Seguimos a definição dos ‘quatro Brasis’ de Milton Santos e Maria Laura Silveira, em referência à Região Concentrada (Sudeste e Sul), Centro-Oeste, Nordeste e Amazônica. Esta regionalização se baseia na difusão diferencial do meio técnico-científico-informacional pelo território – modernizações expressas tanto na formação do Sistema Único de Saúde quanto na valorização recente das plantas medicinais e fitoterápicos.”

Histórico
Segundo Ribeiro, no bojo da Contracultura dos anos 1960 surgiu um movimento global de valorização do uso de plantas medicinais sob novas bases, intensificado pelo ideário ecologista (Conferência sobre Meio Ambiente de Estocolmo, em 1972), e depois pela Conferência sobre Cuidados Primários em Saúde (1978), que resultou na Declaração de Alma-Ata (Cazaquistão), em apoio à adoção de uma medicina de caráter mais preventivo em sistemas nacionais. No Brasil, as chamadas práticas de medicina complementar e alternativa começaram a ser difundidas nos anos 80, no contexto de redemocratização, quando alguns municípios começaram a adotá-las por conta própria.

Ainda conforme o pesquisador, nos anos 90, após a criação do SUS, registrou-se um aumento no número de programas de fitoterapia. “O programa de Campinas, por exemplo, surgiu das rodas de conversa de uma médica com usuários de posto de saúde, levantando as espécies mais utilizadas e para quais fins. A médica recorria ao CPQBA [Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas] da Unicamp, que fazia a identificação botânica e validava a eficácia e a segurança das plantas. De mais de 60 espécies inicialmente levantadas, cerca de dez obtiveram validação para entrar no sistema.”

Luís Ribeiro aponta a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, instituída em 2006, como a grande disseminadora dos programas de fitoterápicos no SUS, que eram 21 em 1997 e saltaram para 346 em 2008 e 815 em 2012. “Um problema é que, na análise qualitativa, identificamos uma fase anterior e outra posterior à política do governo: antes havia cerca de 80% de farmácias municipais de manipulação e 20% de particulares – indicando um predomínio de programas horizontalizados, vinculados a práticas e saberes locais, mais próximos do ideário do movimento da Reforma Sanitária Brasileira que culminou na fundação do SUS.”

O geógrafo constatou que na segunda fase esta relação se inverte: em 815 municípios, 80% recorriam a fitoterápicos industrializados e 20% a farmácias municipais, indicando programas mais insensíveis às práticas e heranças dos lugares. “Trata-se de um processo de cooptação desses programas pela racionalidade da biomedicina – aqui entendida não apenas por sua base técnica, científica, clínica e laboratorial, mas também por sua associação com uma corporação de profissionais (no caso, os médicos), grandes empresas (de equipamentos, insumos farmacêuticos e prestadores de serviços) e o Estado. É o que acabou predominando no subsistema de fitoterapia do SUS.”

Constrangimentos
O autor da tese ressalta que o modelo para os programas do país é o Farmácia Viva, do Ceará, que se responsabiliza por todas as etapas de produção: cultivo da massa verde, beneficiamento, oficina ou farmácia de manipulação (para pomadas, géis, cápsulas, xaropes) e dispensação. “O professor Francisco Matos idealizou o Farmácia Viva em 1983, a partir do horto da Universidade Federal do Ceará. Ele ficou notório por suas andanças pelo Nordeste, levantando e identificando espécies nas comunidades: juntou a prática e saber local com a capacidade técnica-científica-informacional e as normas.”

Entretanto, é raro um programa que consiga cumprir todas as etapas, conforme Luís Ribeiro, que elaborou um quadro sintetizando os “constrangimentos e fatores limitantes à existência do subsistema de fitoterapia no SUS”, sendo os principais: descontinuidades e rupturas em função de mudanças no governo municipal e resistência dos gestores e também dos médicos; e falta de controle sobre a matéria-prima e dificuldades de compra e aquisição no mercado dos insumos, devido a fornecedores não capacitados e à qualidade dos produtos. “Dos programas que visitei, grande parte estava desativada pela Anvisa para adequar seus laboratórios às normas.”

O geógrafo atenta que mesmo no Estado de São Paulo, que possui as variáveis da técnica, da ciência e da informação mais disseminadas e capilarizadas, enfrentam-se obstáculos para incluir fitoterápicos no sistema público. “É o estado da Região Concentrada onde mais se cria programas – e onde mais se extingue. São Paulo conta com o maior número de universidades e de profissionais formados para práticas complementares, mais de 80% da indústria de fitoterápicos (além de boa fatia da produção de extratos) e os três principais atacadistas de plantas medicinais. Mas se estas variáveis possibilitam uma política de incorporação dessas práticas, ao mesmo tempo verifica-se alta taxa de mortalidade, interrupção ou descontinuidade de experiências.”

Invisibilidades
Durante a pesquisa, o autor da tese diz ter identificado dois campos de invisibilidades do SUS, enquanto principal força estruturante do macrossistema de saúde brasileiro. “Um dos campos é a produção deliberada de um SUS que ‘não se vê’, principalmente pelas grandes empresas de comunicação (impressa e televisiva), um certo ‘silenciamento’ da presença do SUS. Outro campo de invisibilidades reside na relativa incapacidade ou limitação do SUS em ler, registrar e incorporar práticas e saberes locais, silenciando sobre essas heranças culturais e institucionais.”

O pesquisador observa que ambas as invisibilidades são expressões da dualidade do SUS: duas forças que o movem, sendo uma delas a sua força fundante na Assembleia Constituinte, visando um sistema público e universal de saúde. “O macrossistema de saúde brasileiro é dual, mas não dualista: realiza a saúde como um direito social e o sistema como espaço de transformação política, mas também dá espaço a uma força que realiza a saúde como mercadoria e lócus de acumulação de capital.”

Para realizar suas ações foi necessária ao sistema uma base material, como as unidades de saúde, que passaram a existir de forma suficiente e mais integrada no território brasileiro a partir dos anos 1970. A questão é que boa parte desta materialidade está fora do controle direto da gestão única e pública do sistema. “A ditadura militar promoveu intensa transferência desta base hospitalar e ambulatorial para grandes grupos privados. A indústria farmacêutica, parte da materialidade necessária, já era de base privada, sendo que a chegada das multinacionais resultou na internacionalização da produção nos 1950. E os serviços de apoio diagnóstico e terapêutico, surgidos com mais intensidade a partir dos 80, também são majoritariamente privados ou corporativos.”

Luís Ribeiro conclui que uma dificuldade do SUS, portanto, é ter parte da base material seguindo uma lógica mercantil, o que se acentuará com a abertura irrestrita da área de serviços e prestadores de saúde ao capital estrangeiro aprovada em janeiro de 2015. “Há uma força de inércia que dificulta a inserção no SUS de práticas não hegemônicas (entre elas a fitoterapia), bem como a sua realização mais plena como projeto de transformação política, o que se deve em grande medida à força hegemônica diretiva do macrossistema: a biomedicina enquanto associação entre corporação médica, grandes empresas e Estado”.

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