Mídia esconde verdadeiras “relações perigosas” de Bumlai

Jose_Carlos_Bumlai01_Boiada

Barulho midiático em torno de Bumlai é mais uma tentativa de criar “efeito manada” na opinião pública.

Preso pela Lava-Jato, pecuarista foi sócio do global Galvão Bueno, do dono da Band, João Carlos Saad, e do ex-prefeito de Santos Beto Mansur (PSDB, PP e PRB). Mas imprensa só fala em “amigo do Lula”.

Helena Sthephanowitz, via RBA em 25/11/2015

Em mais uma fase da Operação Lava-Jato foi preso preventivamente o pecuarista José Carlos Bumlai, na manhã de terça-feira, dia 24/11. O Ministério Público afirma que as delações premiadas justificam a prisão. A defesa de Bumlai afirma que o empresário tem como provar com documentos que os delatores mentiram no caso dele.

As manchetes da imprensa tradicional usaram e abusaram da expressão “amigo de Lula” para se referir ao empresário preso, numa tentativa de mais uma vez associar o ex-presidente a denúncias de corrupção. Se depender da leitura das manchetes o pecuarista está preso por ser “amigo de Lula”, tamanha a ênfase dada. Apesar disso, os próprios procuradores da força-tarefa que prenderam o pecuarista afirmaram claramente, em entrevista coletiva, que não há nenhuma prova contra o ex-presidente.

O que existe é o “uso indevido do nome e da autoridade do ex-presidente da República, que, mesmo não mais no cargo, ainda é uma das pessoas mais poderosas do país”, segundo despacho do próprio Sergio Moro, o juiz que encabeça as investigações e sobre o qual pairam inúmeras denúncias de seletividade e parcialidade de sua condução.

De acordo com as notícias publicada na imprensa, Bumlai só foi apresentado a Lula em 2002, quando já era um dos maiores criadores de gado do Brasil. Fez o mesmo que outros grandes empresários dispostos ao diálogo, considerando que, à época, muitos hostilizavam ou temiam um governo petista.

Mas, convenhamos, se “ser amigo” já é criminalizado pela imprensa tradicional, como deveriam tratar “ser sócio”?

Pois o narrador esportivo da TV Globo Galvão Bueno foi sócio de Bumlai na rede de fast food Burger King no Brasil, numa composição empresarial que tinha ainda o ex-prefeito de Santos e atual deputado federal Beto Mansur (ex-PSDB, ex-PP e atualmente no PRB) e do piloto de Fórmula Indy Hélio Castro Neves.

João Carlos Saad, dono da TV Bandeirantes, foi sócio de Bumlai na TV Terraviva, dedicada ao agronegócio, que também teve como sócio o também empresário Jovelino Mineiro, que por sua vez, foi sócio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na fazenda Córrego da Ponte, no município mineiro de Buritis.

O pecuarista José Carlos Bumlai tem muitos outros amigos políticos, alguns deles graúdos empresários da bancada ruralista. O ex-governador de Mato Grosso e atual senador Blairo Maggi (PMDB/MT), o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Jorge Picciani (PMDB/RJ), criador de gado; Jonas Barcelos (ex-dono de freeshops em aeroportos e ligado ao ex-senador Jorge Bornhausen (PSD/SC), também criador de gado. E se aproximou de petistas mato-grossenses antes de Lula chegar à Presidência, no período em que o PT governou Mato Grosso.

É óbvio que ninguém pode ser criminalizado por atos de terceiros, apenas por ser sócio, parente, amigo, colega de trabalho ou o quer que seja, se não participou de atos ilegais.

Mas é óbvio também que há muito cinismo dos veículos de comunicação que tiveram negócios com Bumlai, em apresentá-lo ao distinto público apenas como se fosse “amigo” exclusivamente de Lula.

Entrevista de Bumlai em 2009 à revista IstoÉ Dinheiro Rural mostra a trajetória do então queridinho da mídia: “Nascido em Corumbá, sua família o mandou para estudar em São Paulo em um colégio católico frequentado pela elite paulistana. Foi colega de aula de Luiz Fernando Furlan (ex-dono da Sadia e ex-ministro no primeiro governo Lula) e do ex-presidente da Nestlé, Ivan Zurita. Depois estudou engenharia na Universidade Mackenzie nos anos 1960, frequentada pela elite na época.

Trabalhou 30 anos com o “rei da soja” Olacyr de Moraes, boa parte do tempo em cargos de direção do Grupo Itamaraty, que tinha a empreiteira Constran e o extinto Banco Itamaraty. Com Olacyr, Bumlay introduziu o cultivo de cana em Mato Grosso do Sul e produção de etanol.

Ele também fez parte da diretoria de associações patronais ligadas ao agronegócio. É óbvio que, com um currículo destes, Bumlai deva ter conhecido muitos políticos e autoridades desde o tempo da ditadura – de alguns pode ter virado amigo e de outros, sócio e parceiro.

Em 2002 conheceu o ex-presidente Lula, e foi um dos empresários de grande porte do agronegócio que abriu canais de diálogo com o governo petista, quando o setor tinha um diálogo difícil com o PT. Integrou o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), fórum criado no governo Lula para empresários, trabalhadores e outros agentes da sociedade debaterem ideias e pactuarem soluções e políticas públicas para o desenvolvimento.

Se Bumlai se meteu em alguma falcatrua, ou se usou o nome do ex-presidente indevidamente (ele nega), ainda está para ser esclarecido. Se o Ministério Público vai provar algo realmente ilícito contra o pecuarista, ou se ele está preso apenas por ser “amigo de Lula”, como insinuam as manchetes, também veremos.

Afinal na fase anterior da Operação Lava-Jato, o Ministério Público Federal escreveu com todas as letras que Gregório Marin Preciado – ex-sócio e muito ligado e parente do senador José Serra (PSDB/SP) – foi o operador de uma propina de US$15 milhões na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, mas nenhuma prisão preventiva foi pedida, muito menos nenhum mandato de busca e apreensão em seus endereços foi feito.

Leia também:
Polícia Federal: Áudio cita “japonês bonzinho” que vende vazamentos para mídia
Padrinho, eleitor e financiador de Aécio, na mídia André Esteves vira “amigo de Lula”
Dono do BTG pagou R$45 milhões a Eduardo Cunha para alterar MP dos bancos
Citado por Delcídio, Gilmar diz que conversa com todos sobre pedidos de liberdade
J. Carlos de Assis: Depois da divulgação seletiva, agora as investigações seletivas
Recordando: “Renan indicou Cerveró para diretoria da Petrobras”, diz Delcídio
Saiba quem é o banqueiro André Esteves, o padrinho de Aécio
Enfim, um tucano preso. Motivo? Se filiou ao PT!
Novas gravações de Delcídio causam ira suprema de ministros do STF
Preso na Lava-Jato: André Esteves, padrinho de casamento de Aécio, pagou lua de mel ao afilhado em Nova Iorque
Vazamento seletivo: Relator da Lava-Jato estoura a caixa preta de Sérgio Moro
O banqueiro-bandido André Esteves, dono do BTG Pactual e padrinho de Aécio, queria o controle da CEF e do BB
Delcídio, o petista mais tucano do que muito tucano, se gabava de ter ajudado a condenar Dirceu e Genoíno
Denúncia contra Eduardo Cunha pode ligar Lava-Jato à privataria tucana

4 Respostas to “Mídia esconde verdadeiras “relações perigosas” de Bumlai”

  1. Wilson Eduardo Canova Teixeira Says:

    Só cego e quem finge não ver esse falso manto de fazer jornalismo. E pelo jeito, a maioria que reclama do governo PT, parece querer isso mesmo para o Brasil, desde que se dê bem, mesmo sob a imoralidade.

  2. daysens Says:

    Mídia subjetiva é deplorável.
    Na verdade, andam fazendo política, com fim claro de atingir o PT e favorecer outro partido, sob o falso manto de fazer jornalismo.
    Os leitores devem estar atentos, de modo a distinguir uma coisa da outra.

  3. Wilson Eduardo Canova Teixeira Says:

    Êta mídia fajuta que só usa o poder da informação para desinformar e atingir seus objetivos ambiciosos manipulando, burlando e desinformando o povo com sua simplicidade e ingenuidade. Mais uma vez aqui presente, para desmoralizar e condenar publicamente os seus desafetos, que aqui no caso, todos do PT e abafando todos os demais. Quer dizer agora se um amigo seu transgredir a lei, todos que pertencerem a esse grupo vira bandido na hora? Coisa das mídias brasileiras que o povão paga para engolir.

  4. pintobasto Says:

    Alguém ainda duvida que operação Salva Ratos está aí para derrubar o PT, Dilma e Lula do Planalto, levando de roldão a Petrobras? É só ler com atenção o artigo do blogue.

Os comentários sem assinatura não serão publicados.

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: