J. Carlos de Assis: Depois da divulgação seletiva, agora as investigações seletivas

Delcidio10

J. Carlos de Assis, via Jornal GGN em 26/11/2015

Se as gravações que levaram à prisão do senador Delcídio Amaral são indício de crime, então elas deveriam ter sido usadas para rastrear todas as pessoas que foram citadas nelas, notadamente os quatro ministros do Supremo Tribunal Federal. Se elas não são indícios de crime então seriam um blefe do senador Delcídio: ele estaria prometendo o que não pode cumprir, especialmente contatos com os ministros, fugas, habeas corpus, mesadas. Ora, se foi apenas um blefe, não foi crime. Se não foi crime, ele não poderia ser preso.

Considere, agora, a delicada posição do ministro Teori Zavascki: ele é o encarregado de examinar em primeira mão a acusação do procurador geral Rodrigo Janot contra Delcídio, da qual a peça central são as afirmações onde aparecem seu ilustre nome, junto com os dos ministros Gilmar Mendes, Luiz Fachin e Dias Toffoli. Que constrangimento! Claro, ele não quer tomar uma decisão sozinho. Recorre rapidamente a uma turma do Supremo a qual, por unanimidade, decide mandar Delcídio e outros dois participantes da conversa para a cadeia, e ignorar o resto.

Vamos supor, agora, o caminho que uma investigação rigorosa teria seguido. Vou usar a analogia com uma investigação de terrorismo em Londres depois do 11 de setembro nos EUA. As investigações evoluíram a um ponto em que surgiram todos os indícios da preparação de um atentado em série contra aviões com destino aos EUA. Mas os policiais não tinham o quadro completo de participantes. Se se precipitassem na prisão dos suspeitos conhecidos corriam o risco de espantar outros desconhecidos. Esperaram até o último momento. Só então entraram em operação.

No caso Delcídio, uma investigação imparcial no âmbito da Lava-Jato teria que considerar a possibilidade de o senador ter entrado em contato com os ministros do Supremo para cumprir suas promessas, se elas foram para valer. A única forma de fazer isso era grampear os telefones do Senador e dos ministros. Era da órbita de responsabilidades do procurador-geral da República ter pedido isso; a quem, não sei, porque todo o Supremo estaria bichado. Se não fez, é porque considerou as afirmações de Delcídio nas gravações um blefe. Se era um blefe, por que levou a sério as demais, ao ponto de ver nelas um “componente diabólico”? Seria por causa dos quatro diabos?

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Uma resposta to “J. Carlos de Assis: Depois da divulgação seletiva, agora as investigações seletivas”

  1. pintobasto Says:

    Delcídio Amaral foi diretor da Petrobras, pertenceu ao PSDB, sabe muito sobre todas as sujeiras que têm sido feitas para roubar a empresa.
    Nem imagino os critérios usados por Rodrigo Janot para pedir a prisão de indivíduos com notórios indícios de envolvimento em crimes que lesam a Petrobras. Ele também esteve nos EUA fazendo nem sabemos bem o quê!
    Fazendo um saldo da operação, muda-se o nome para SALVA RATOS porque os grandes ladrões da Petrobras estão presos e já foram ou vão ser beneficiados por suas denúncias, a tal delação premiada, mas existe cada coisa mais estranha nesta operação que deixa qualquer muito desconfiado. O ex-tesoureiro do PT, Vaccari Neto foi condenado a 15 anos de prisão com base em quê? Delações premiadas? Uma denúncia só tem algum valor depois de confirmada em investigações e quem provou que Vaccari recebeu dinheiro sujo? Aqui têm que haver provas materiais! Chama-se a isto baderna jurídica de fundo de quintal de traficante da favela Morro dos Macacos!

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