Renda média dos mais pobres duplica em 10 anos e derruba a desigualdade no Brasil

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Campello: “Pnad mostra que crescimento entre 10% mais pobres foi quase 3 vezes o dos mais ricos. Mostra o esforço de olhar para a população mais pobre, que a gente vem fazendo ao longo desses dez anos”. Foto de Valter Campanato / ABr.

Taxa de extrema pobreza entre os brasileiros caiu de 7,6%, em 2004, para 2,8%, no ano passado, quase um terço do percentual da população que estava nessa faixa de renda em 2004.

Via Blog do Planalto em 13/11/2015

A renda mensal média real dos 10% mais pobres do País quase duplicou em dez anos, com crescimento de 91% entre 2004 e 2014, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad/IBGE). A pesquisa, realizada no ano passado, foi divulgada na sexta-feira, dia 13/11, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com esse resultado, a taxa de extrema pobreza no Brasil caiu de 7,6% da população, em 2004, para 2,8%, no ano passado, quase um terço do percentual da população que estava nessa faixa de renda em 2004, no início do Programa Bolsa Família.

Durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto, a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, comemorou os dados. “Quando a gente olha os 10% mais pobres da população e compara com os 10% mais ricos, vê que esse crescimento foi quase três vezes o dos mais ricos. Mostra um primeiro esforço de olhar para a população mais pobre, que a gente vem fazendo ao longo desses dez anos, e que a Pnad conseguiu captar”.

A ministra chamou a atenção para o fato de que, mesmo em um período de crise internacional, a renda do conjunto da sociedade brasileira manteve uma taxa de crescimento de 2,4% real, portanto acima da inflação. “Em relação ao crescimento do rendimento médio mensal per capita dos domicílios, o avanço no Brasil ficou 2,4% acima da inflação de 2013 a 2014, de acordo com dados já atualizados”.

Em termos de valores, entre os mais ricos, o ganho médio mensal avançou de R$5.514,00 em 2004 a R$7.154,00 no ano passado. Entre os 10% mais pobres, no mesmo período, a renda média passou de R$134,00 para R$256,00 de acordo com os dados do IBGE. O rendimento médio mensal real de todos os trabalhadores do País foi apurado em R$1.774,00 em 2014, ou seja, valor que é 0,8% superior à média de R$1.760,00 encontrada em 2013.

Coeficiente de Gini
De acordo com Tereza Campello, a melhora da desigualdade no Brasil é visível em todos os tipos de avaliação “Quando a gente olha todas as fontes, o rendimento do trabalho, quando a gente olha a renda por domicílios, que captura melhor a informação da população de baixa renda, e inclusive pelo Coeficiente de Gini”.

O Índice de Gini é um sistema de cálculo usado internacionalmente para medir o grau de concentração de renda em um em determinado grupo. Valores mais altos deste coeficiente indicam maior concentração de renda. Numericamente, varia de zero a um (alguns apresentam de zero a cem), em que o valor zero representa a situação de igualdade, ou seja, todos têm a mesma renda. Já o valor um (ou cem) representa o extremo oposto, isto é, uma só pessoa detém toda a riqueza.

Desta forma, a desigualdade de renda, medida pelo índice de Gini, que era de 0,495 em 2013, passou para 0,490 em 2014, mantendo a tendência observada nos últimos anos. Em uma década, desde 2004, quando esse indicador era de 0,545, a queda registrada foi de 10%.

As regiões Nordeste e Centro-Oeste foram as que mais tiveram redução nesse indicador, passando de 0,501 e 0,487, respectivamente, em 2013, para 4,4% e 3,5% em 2015. Já o Sudeste foi a única região que apresentou elevação no índice de Gini, passando de 0,475 para 0,478, um avanço de 0,7%.

Tereza Campelo acrescentou que o indicador de Gini mostra um avanço menor que a taxa de rendimento real dos domicílios porque captura mais a redução da desigualdade, mas revela o que vem acontecendo com a população de baixa renda e por isso mesmo é tão importante.

“Se a gente olhar a queda do Gini, a redução da desigualdade é consistente, seja quando a gente olha a tendência histórica, quando a gente olha por região. Obviamente que, onde a gente tinha mais desigualdade e renda, ele tem um comportamento muito melhor. E isso também mostra aquilo que eu venho dizendo: a renda de todos vem aumentando, mas a dos mais pobres aumenta mais, e é por isso, que a gente vem conseguindo reduzir a desigualdade de renda no Brasil”.

3 Respostas to “Renda média dos mais pobres duplica em 10 anos e derruba a desigualdade no Brasil”

  1. Wilson Eduardo Canova Teixeira Says:

    E para ser mais analítico ainda, eu digo que grande parte da atual inflação da cesta básica se deve ao grande aumento do consumo de alimentos, tanto quantitativamente como qualitativamente que agora está sendo consumido também pelos que antes só viam carnes, leite, carros, motos, casas e financiamentos em bancos pelo rádio de pilha ou TV branco e preta comprada usada numa oficina de conserto de TV. Mas tucanos nunca vão reconhecer isso.

  2. Celso Afonso Afonso Says:

    é iso que é distribuição de renda

  3. Wilson Eduardo Canova Teixeira Says:

    Para os tucanos que só querem a desgraça dos mais pobres e sempre dizem que a Dilma e Lula nunca fizeram nada, perguntem a esses 10% mais pobres, se eles não gostaram de ver as suas rendas dobrarem nesses últimos 10 anos? Perguntem.

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