As mentiras da mídia sobre o “acordo” com Eduardo Cunha

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Miguel do Rosário, via O Cafezinho em 15/10/2015

Oposição anda abraçada ao Cunha desde que este iniciou suas agressões ao governo e agora, quando este flerta com o abismo político e a prisão, a mídia vem dizer que o PT quer fazer acordo com ele?

Ridículo.

PT NEGA ACORDO COM EDUARDO CUNHA
Breno Altman, via Opera Mundi em 15/10/2015

“Não há nem haverá qualquer acordo com o parlamentar Eduardo Cunha para barrar o processo em trânsito na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados”, afirmou ao blog o presidente nacional do PT, Rui Falcão, na manhã de quinta-feira, dia 15/10. “Quem tem acerto com ele é a oposição de direita, como é público e notório.”

“Notícias a este respeito são deslavadas mentiras ou plantações de quem eventualmente deseja semear confusão”, continuou. “Denúncias contra Cunha seguirão seu rito normal e os representantes petistas votarão conforme as provas e sua consciência, enquanto continuaremos a lutar contra o golpismo nas ruas e nas instituições, em defesa da legalidade constitucional e do mandato da presidente Dilma Rousseff.”

“Tanto o governo quanto o PT já deixaram claro que não existe hipótese de complacência com o malfeito e a corrupção, que devem ser apurados e punidos doa a quem doer”, concluiu. “Nosso compromisso é com a democracia e o Estado de Direito.”

Estas declarações devem ser lidas com atenção, em um momento no qual boa parte da imprensa se dedica a registrar, em letras garrafais, que o Palácio do Planalto e a direção petista estariam negociando a recusa ou o protelamento de trâmites para o impeachment presidencial, em troca da aliança PT-PMDB para bloquear o pedido de cassação do presidente da Câmara no Conselho de Ética.

Mais de metade da bancada partidária, 34 entre 62 deputados, assinou a denúncia contra Cunha ao órgão responsável por sua investigação intramuros. Mas distintas tendências internas apresentaram, à Comissão Executiva Nacional do PT, demanda por posição oficial da legenda em favor de processo contra o parlamentar peemedebista.

“Não faz sentido pedir para abrir o que já está aberto”, destaca Rui Falcão. “Além do mais, em um momento delicado como o que estamos vivendo, fechar questão sobre tema desta natureza apenas abalaria relações dentro da coalizão, possivelmente até ajudando o presidente da Câmara a ampliar frente de proteção junto a seus pares.”

A ausência de resolução formal do comando petista, associada à omissão dos parlamentares filiados ao PCdoB, de toda forma, podem ter facilitado a vida dos meios de comunicação e setores oposicionistas ansiosos por colocar tanto o PT quanto o governo em escandalosa cena de cambalacho com Eduardo Cunha.

Caso os petistas e a presidente aceitassem este roteiro, claramente negado por Rui Falcão, estaríamos diante do axioma de Talleyrand, chanceler de Napoleão Bonaparte. Indagado pelo imperador acerca da conveniência de mandar assassinar o duque de Enghien, seu ministro teria retrucado: “De forma alguma, majestade! É pior que um crime, é um erro!”

As recentes decisões do STF, aliadas às fortes evidências delituosas contra o presidente da Câmara dos Deputados, criaram condições melhores para o impeachment ser derrotado nas ruas, no plenário e até na própria corte suprema.

Mesmo que Cunha, em gesto de vingança e desespero, paute a admissibilidade do afastamento da chefe de Estado, seriam necessários 342 votos, dos 513 possíveis, para sua efetivação.

Os riscos a correr, em movimento social e institucional contra o impeachment, confrontando-se abertamente com o chefe da Câmara e a oposição de direita, são bem menores que o custo político de um pacto que provavelmente dilapidaria, talvez de forma irreversível, a credibilidade do PT e da presidente.

Afinal, o contundente discurso da presidente Dilma Rousseff contra o golpismo, na abertura do Congresso da CUT, não é almoço grátis. Seria impagável a conta devedora entre pedir para os trabalhadores ficarem de guarda erguida contra os “moralistas sem moral” e abraçar, logo em seguida, o expoente mais visível e poderoso dessa camarilha reacionária.

***

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O CUNHA NO COLO DE QUEM É DE CUNHA
Fernando Brito, via Tijolaço em 15/10/2015

Impressionante a inversão dos fatos de que é capaz a imprensa brasileira.

Quem lê o Estadão hoje [15/10] – Por Dilma, Lula aciona PT em busca de acordo para salvar mandato de Cunha – fica com a impressão que foi Lula, e não o alto comando da oposição que se deixou fotografar à saída da casa de Eduardo Cunha, logo após a divulgação de uma nota em que se “exigia” seu afastamento da presidência da Câmara.

Que não cabe a Dilma, como presidente da República, nem a Lula, como seu melhor articulador político, fantasiarem-se de “cara-pintada” e aparecer no Facebook segurando cartãozinho com #ForaCunha, só um primário pode discordar.

Mas daí a jogar sobre ambos a ideia de que querem “salvar Cunha” é de primarismo igual ou pior.

Primeiro, porque ele é um produto da oposição de direita e da mídia – estarei, de novo, sendo pleonástico? – que o entronizaram como maior ferramenta de desestabilização do governo.

Deram-lhe os votos para chegar ao posto que ocupa, toleram-lhe – para usar a expressão de FHC – as “trapalhadas” mais que conhecidas, aliaram-se a sua pauta medieval que, por pouco, não nos leva de volta à era das fogueiras em praças públicas.

Cunha, seu apetite e sua megalomania foram como o Collor de 1989, um homem em si insignificante, mas muito significativo como ferramenta para deter a possibilidade de um governo de esquerda no pós-ditadura, depois do fracasso de José Sarney.

Agora, sangrado pelos fatos que, embora não exatamente como, todos sabiam existir nas penumbras de sua vida de aventureiro, e arruinada a sua capacidade de, com um mínimo de credibilidade, colocar em marcha o impedimento de Dilma, a direita quer se livrar dele, embora alguns dos “taradinhos do impeachment” (expressão genial de Janio de Freitas) ainda se agarrem à esperança de que o faça.

Cunha sabe – e dizer-lhe é atitude legítima que Lula, Dilma ou qualquer um pode ter – que, se o fizer, torna-se bananeira que já deu cacho e, ato contínuo, cairá. E cairá. Tudo do que se trata é de quando e como cairá.

A mídia, muito mais esperta que os Carlos Sampaio e Mendonça Filho, apenas líderes de matilha política, ensaia sua prestidigitação e tenta atirar Cunha ao colo de Lula, de Dilma e do PT.

Quer, no fundo, que a meia-dúzia de tolos tenham um comportamento infantil de achar que eles deveriam, institucionalmente, avançar sobre o moribundo que já não serve aos propósitos golpistas, salvo se, num último esgar, ainda use os dentes que lhe sobram.

E que não se tenha habilidade de deixar Cunha morrer pelos atos que praticou no colo da direita que o adotou.

Leia também:
Coletânea de textos: Quem tem Cunha, tem medo
Coletânea de textos: FHC, o vendilhão da Pátria
Coletânea de textos: Aécio Neves e o brilho de sua carreira

Uma resposta to “As mentiras da mídia sobre o “acordo” com Eduardo Cunha”

  1. pintobasto Says:

    Comentar tanta bandalheira política é pura perda de tempo,temos de combatê-la sem demoras. Quando vão depôr Cunha do pedestal onde uma sucia de imprestáveis o colocou? Começando por aí, mas não é só ele que merece ser preso.

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