Farmácia Popular: A arte de jogar o povo contra Dilma

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Fernando Brito, via Tijolaço em 29/9/2015

Hoje fui comprar, na farmácia, meu remédio para diabetes. Tenho receita do posto de saúde público onde sou tratado (muito bem tratado, aliás) e poderia pegá-lo gratuitamente, o que não faço, pois acho absurdo me valer de uma política de subsídio social para a compra de um medicamento que custa (o genérico) apenas R$8,00 a caixa.

Lá, a balconista avisou-me que “o Farmácia Popular vai acabar”. Estranhei, disse que deveria ser um engano. Voltei para casa encafifado e fui pesquisar.

Dei de cara com a provável fonte da informação, a matéria do Extra, um jornal popular do Rio, que diz “Governo vai cortar Programa Farmácia Popular e tirar dinheiro de UPAs e Samu”.

Só quem lê, entretanto, a matéria até o final e busca outras fontes de informação é que descobre que, afinal, não é exatamente assim: ficam mantidos em toda a rede conveniada os tradicionais medicamentos gratuitos – para hipertensão, diabetes e asma – e limitado o fornecimento dos demais aos postos de saúde e às unidades próprias do programa.

Em matéria de nomes: ficam mantidos o “Farmácia Popular” e o “Saúde Não Tem Preço” e terminaria – para os medicamentos não relativos a diabetes, asma e hipertensão – o “Aqui tem Farmácia Popular”.

Mesmo sendo um “corte”, observe-se o seu tamanho: 90% das pessoas beneficiadas pelo programa utilizam-se de medicamentos para os três casos que estão mantidos.

Não procurem estes esclarecimentos no site do Ministério da Saúde, porque não há nada por lá. Muito menos há uma nota, um desmentido, uma informação sequer.

Mas é – fora para a turma “do mundo da lua” de Brasília – o assunto do dia no povão: a faxineira do vizinho comentou o “fim do Farmácia Popular” ao cruzar comigo no corredor do prédio.

Sabem quanto é o “corte de repasses? R$574 milhões, 2% do pacote de cortes orçamentários proposto pelo Governo Federal. Não dá 20%, muito menos, dos programas de distribuição de medicamentos do SUS.

Só imbecis expõem desta maneira um governo que não tem ninguém, a não ser o povão mais humilde, como reserva de forças para enfrentar seus inimigos, especialmente armados de um arsenal de comunicação.

São os “cabeças de planilha”, na expressão genial criada pelo Luis Nassif, que, na ânsia de agradar “o mercado” – a quem tanto se lhe dá o corte seja de R$26 bilhões ou de “apenas” R$25,5 bilhões – não se incomodam em expor Dilma a este “vai acabar a Farmácia Popular”…

Não adianta culpar a mídia por incendiar a popularidade de Dilma se dão a ela, de bandeja, uma xícara de gasolina.

Chico Buarque foi profético a receitar, numa entrevista a O Globo (a meu querido Rodolfo Fernandes, sujeito gentil, morto precocemente), em junho de 2004:

“Seu apoio [de Chico Buarque] a Lula não é isento da constatação de certas falhas. Tem uma opinião curiosa sobre alguns erros de comunicação cometidos pelo governo: acha que Lula deveria criar um novo ministério. O nome do novo cargo? “Ministério do Vai Dar Merda”. Funcionaria assim, segundo Chico:

– A cada decisão importante, esse ministro seria chamado. Se o governo decide recadastrar os idosos, o Lula convoca o ministro e pergunta: “Vai dar merda?” O ministro analisa o caso, vê que os velhinhos vão ser humilhados nas filas, e responde: “Vai dar merda”. No caso da briga com o New York Times, era só chamar esse ministro e perguntar: “Vamos expulsar o jornalista. Vai dar merda?” O cara ia analisar e responder: “Vai dar merda”…

***

Farmacia_Popular03Ministério da Saúde refuta boato sobre fim do programa Farmácia Popular
Via PT na Câmara em 30/9/2015

Em sua página no Facebook, respondendo a um pedido de esclarecimento sobre boatos que circulam a respeito de um possível fim do Farmácia Popular, o Ministério da Saúde foi enfático ao dizer que “não há nenhuma proposta do governo federal no sentido de acabar com o Programa”.

O Ministério da Saúde também esclareceu que o programa “segue funcionando regularmente, tendo garantido orçamento para este ano na ordem de R$2,8 bilhões”.

O órgão ressalta que “as informações sobre possíveis reduções das verbas destinadas à iniciativa se referem à Proposta de Lei Orçamentária Anual para 2016 (PLOA 2016) que foi enviada pelo poder Executivo ao Congresso Nacional. Desta forma, é importante frisar que este cenário não é definitivo, uma vez que a proposta tem de ser discutida e aprovada pelo Congresso”.

Ademais, o ministério informa ainda que segue “trabalhando de maneira transparente para a recomposição de seu orçamento para 2016 com a apresentação de propostas como a recomposição do DPVAT para garantir um aporte adicional de recursos para a saúde – diálogo que está sendo feito junto ao Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão”.

“É importante ressaltar que não há nenhuma proposta do governo federal no sentido de acabar com o Programa Farmácia Popular. Caso o orçamento seja aprovado da forma como foi encaminhado ao Congresso, serão mantidos os 14 medicamentos para tratamento de hipertensão, diabetes e asma, cuja oferta é gratuita ao cidadão. Esses produtos respondem por mais de 85% dos pacientes atendidos mensalmente pelo Programa. Pela PLOA 2016, há uma redução de R$578 milhões para esta iniciativa”, conclui o texto publicado pelo Ministério.

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Uma resposta to “Farmácia Popular: A arte de jogar o povo contra Dilma”

  1. Eliane Barroso Says:

    Eles fazem de tudo para dar “M”. Mentem, inventam…. Mas não vai dar “M” não! Dilma FICA e LULA chega em 2018!!!!

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