O “puxa-saquismo” de O Globo ao MP da Lava-Jato

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Fernando Brito, via Tijolaço em 18/09/2015

Tem gente sem um pingo de, dizia a minha mãe, simancol. O Globo dá uma chamada na primeira página do seu site que é um primor de bajulação aos procuradores da Operação Lava-Jato:

Fim das doações de empresas é conquista da Lava-Jato

É?

A ação foi apresentada em setembro de 2011, três anos antes da deflagração da Lava-Jato, com a prisão de Alberto Youssef e, dias depois, de Paulo Roberto Costa, em março de 2014.

Prisões que ocorreram quatro meses depois de ter começado o julgamento, em 11 de dezembro de 2013, quando o relator Luiz Fux e o ex-presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, deram seus votos acolhendo a posição da Ordem dos Advogados.

No dia seguinte, 12 de dezembro, Luís Roberto Barroso e Dias Tóffoli votaram no mesmo sentido e o julgamento foi paralisado por um pedido de vistas de Teori Zavascki.

4 a 0.

Em 2 de abril de 2014, quando a Lava-Jato ainda era um zumbido, Zavascki libera seu voto contrário e votam com a OAB os ministros Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio Mello, fazendo seis a um e formando maioria na corte.

No mesmo dia, Gilmar Mendes pede vistas e, aí sim, senta-se durante um ano e cinco meses sobre o processo, impedindo sua eficácia nas eleições de 2014.

Então onde é que a decisão do Supremo foi “conquista da Lava-Jato”? Aliás, nem isso é sequer dito na matéria, mas serve de pretexto para algum editor “malandro” enganar leitores incautos.

E para colocar os ministros do Supremo de cordeirinhos da turma do Paraná, como se muito constrangidamente, pela repercussão do caso, tenham abolido a grana de empresas da campanha.

É justamente o contrário e que pegou carona na Lava-Jato foi Gilmar Mendes, num voto-panfleto, para tentar manter as doações empresariais na legalidade.

Não é só mau jornalismo, não. É mau caráter na edição de um jornal.

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Uma resposta to “O “puxa-saquismo” de O Globo ao MP da Lava-Jato”

  1. Jésus Araújo Says:

    Gostaria de saber como a Globo encarou o comportamento de Gilmar Mendes, se é que, alguma fez, a ele fez referência.

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