Folha culpa Jornal Nacional e fontes da Lava-Jato por “erro grave”

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Culpa compartilhada.

Via DCM em 12/9/2015

Da seção Erramos, da Folha:

A Folha cometeu um erro grave ao noticiar, no domingo, dia 6/9, e na segunda, que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki havia aberto inquéritos sobre o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) e o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB/SP) no âmbito da Lava-Jato.

A informação incorreta foi veiculada no site do jornal no domingo e no impresso do dia seguinte. O dado correto passou a ser veiculado a partir da noite de segunda. Uma nota apontando o erro foi publicada no site na quarta-feira, dia 9/9, e na seção Erramos da quinta.

Mercadante e Aloysio Nunes foram citados pelo empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC e delator, como beneficiários de recursos ilícitos pagos por ele em 2010. Na época, o petista disputava o governo de São Paulo; o tucano era candidato a senador. Ambos negam as acusações.

As delações fizeram com que a PGR (Procuradoria Geral da República) solicitasse abertura de inquéritos ao STF, o que foi encaminhado juntamente com o pedido referente ao também ministro Edinho Silva (Comunicação Social), acusado por Pessoa de tê-lo coagido a doar à campanha da presidente Dilma Rousseff.

Responsável pela Lava-Jato no STF, Teori autorizou inquérito só sobre Edinho. Nos casos de Mercadante e Aloysio Nunes, ele aceitou sugestão da PGR para que os casos fossem redistribuídos. Isso porque, segundo a PGR, os materiais contra ambos não têm relação aparente com corrupção na Petrobras. Seriam situações de caixa dois, um crime eleitoral.

A redistribuição foi feita e os casos acabaram nas mãos do ministro Celso de Mello, que ainda não decidiu sobre abertura desses inquéritos.

O primeiro veículo a noticiar existência de inquéritos no STF sobre Mercadante e Aloysio Nunes foi o Jornal Nacional, da TV Globo, na noite do sábado, dia 5/9.

No domingo, dia 6/9, o jornal O Estado de S.Paulo apresentou a mesma informação.

Duas fontes ligadas à investigação da Operação Lava-Jato, sob condição de anonimato, confirmaram o dado à Folha. Foi quando a Folha passou a veicular a informação incorreta.

***

A FOLHA LEVOU A SEÇÃO ERRAMOS ÀS ÚLTIMAS CONSEQUÊNCIAS
Paulo Nogueira, via DCM em 12/9/2015

A Folha levou a seção Erramos às últimas consequências nestes dias. O jornal, sem nenhuma cerimônia ou constrangimento, decidiu compartilhar a responsabilidade por um “erro grave”.

Erramos virou, literalmente, erramos mesmo: nós e eles.

A Folha disse que o Teori, do STF, abrira inquérito contra Mercadante – um alvo frequente do jornal – no âmbito da Lava-Jato. Não era verdade, o jornal admitiu. Mas o mais extraordinário viria na longa explicação do erro.

A Folha disse que o primeiro veículo a dar a falsa informação foi o Jornal Nacional. Quer dizer: ainda hoje, em plena Era Digital, quando televisão parece dinossauro, a Folha se pauta, bovinamente, pelo JN. E ainda delata quando é induzida a erro ao copiar. Maus modos em dose dupla: primeiro, ao surrupiar conteúdo. Segundo, ao ser dedo duro quando constatada a barrigada.

Mas a Folha não delatou apenas o JN. Também entregou “duas fontes ligadas à investigação da Lava-Jato”. Você pode avaliar, por aí, a confiabilidade da cobertura da Folha.

Duas fontes conseguiram passar uma informação falsa sobre um tema em que elas estão mergulhadas.

Quantas imprecisões o leitor da Folha não engoliu nos últimos meses, na Lava-Jato, por conta de fontes como estas delatadas? Fonte anônima é uma das pragas do jornalismo nacional destes tempos. Quem paga mesmo o preço é o leitor.

Como as corporações jornalísticas estão em guerra aberta – a guerra fria ficou lá para trás – contra o governo, você pode imaginar quantas fontes não são simplesmente inventadas para sabotar Dilma, Lula e o PT.

Nenhum repórter ou editor será cobrado pela direção a revelar internamente o nome de alguma fonte anônima num assunto que tenha gerado controvérsia.

É nesse ambiente de militarização editorial que brotam desmentidos patéticos como este em que a Folha dividiu a responsabilidade por mais um “erro grave” contra as vítimas de sempre.

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