Recordar é viver: Em outubro de 2014, manifesto de 164 economistas rebatia Dilma e dizia que “não há crise internacional”

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Por sua vez, Noblat, em julho de 2015, diz que a crise “já não existe mais”.

164 ECONOMISTAS CRIAM MANIFESTO E REBATEM DILMA: “NÃO HÁ CRISE INTERNACIONAL”
Especialistas falam em “fantasma da inflação”, “semente do desemprego” e “política monetária inadequada” para rebater discurso do atual governo.

Rodrigo Tolotti Umpieres, via InfoMoney em 15/10/2014

Na última semana, a televisão brindou os eleitores com um “embate” entre o atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o possível ministro da pasta em caso de vitória de Aécio Neves (PSDB), Armínio Fraga. O debate entre os dois serviu para mostrar uma coisa para os espectadores, a visão do atual cenário para o atual governo – Mantega repetiu muitos dos pensamentos que Dilma já havia expressado – é bem diferente do que se tem visto com especialistas.

E é neste cenário, que foi divulgado na terça-feira [14/10/2014] um manifesto com 164 professores de economia, não só de universidades no Brasil, mas também no exterior. De acordo com o documento, que tem oito itens, seu objetivo é “desconstruir um dos inúmeros argumentos falaciosos ventilados na campanha eleitoral”. Para conferir o manifesto completo, clique aqui.

Vale destacar, que entre os professores, há tanto nomes associados a uma escola heterodoxas, como também os ortodoxos, ou seja, praticamente todos os especialistas, não importando qual pensamento ele segue, criticam a atual política econômica. Porém, é importante destacar que, apesar das reclamações, o manifesto é apartidário, como destacou ao InfoMoney Eduardo Zilberman, professor de Economia da PUC/Rio e um dos criadores do manifesto.

Logo no primeiro item, o grupo destaca: “não há, no momento, uma crise internacional generalizada”. Diferente de como diz a presidente Dilma, e também Mantega, que justificam o baixo crescimento do PIB por causa de uma “grave crise internacional”, o grupo de economistas alega que isso não existe.

“Alguns de nossos pares na América Latina… estão em franca expansão econômica. Projeta-se, por exemplo, que a Colômbia cresça 4,8% em 2014, com inflação de 2,8%. Já a economia peruana deve crescer 3,6%, com inflação de 3,2%. O México deve crescer 2,4%, com inflação de 3,9%. No Brasil, teremos crescimento próximo de zero com a inflação próxima de 6,5%”, destaca o grupo.

“Entre as 38 economias com estatísticas de crescimento do PIB disponíveis no sítio da OCDE, apenas Brasil, Argentina, Islândia e Itália encontram-se em recessão. Como todos os países fazem parte da mesma economia global, não pode haver crise internacional generalizada apenas para alguns”, completa o manifesto.

No segundo item, os economistas afirmam que no “cenário de baixo crescimento e inflação alta, a semente do desemprego está plantada” e que “os avanços sociais obtidos com muito sacrifício ao longo das últimas décadas estão em risco”. Logo depois, eles afirmam que, se não há crise internacional, o problema do fraco desempenho econômico brasileiro só pode ser do governo.

“Em grande parte, atribuímos o desempenho medíocre da economia brasileira e a perspectiva de retrocesso nas conquistas sociais às políticas econômicas equivocadas do atual governo”, diz o item 4 do manifesto. Em seguida, o grupo ressalta que, sim, o governo ressuscitou o “fantasma da inflação e da instabilidade macroeconômica”, destacando uma “política monetária inadequada” e utilização de “truques contábeis”.

Por fim, os 164 economistas concordam que “o governo Dilma amedrontou os investimentos”, com “mudanças constantes e inesperadas de regras”, dizendo ainda que “o atual governo expandiu a oferta de crédito subsidiado de forma discricionária e irresponsável”.

Para completar, o manifesto diz: “O Brasil tem sérios desafios pela frente e para enfrentá-los precisamos de um debate transparente e intelectualmente honesto. Ao usar de sua propaganda eleitoral e exposição na mídia para colocar a culpa pelo fraco desempenho econômico recente na conjuntura internacional, se eximindo da sua responsabilidade por escolhas equivocadas de políticas econômicas, o atual governo recorre a argumentos falaciosos”.

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