Revista Época tira do ar texto de seu editor sobre “Dilma e o sexo”

Dilma_Epoca_Sexo01

Fernando Brito, via Tijolaço em 20/8/2015

Pouco depois que o Diário do Centro do Mundo (leia abaixo) publicou um texto crítico à publicação, pela revista Época, de artigo de João Luiz Vieira, um dos seus editores, onde os problemas da presidenta Dilma Rousseff eram atribuídos a “falta de erotismo”, a grosseria foi retirada da página da publicação da Globo.

Não sei se em homenagem à inteligência, já que o autor diz que os manifestantes da Paulista “ eles querem que ela expresse uma sexualidade, uma comunicação corporal que crie empatia, proponha, acrescente, acolha. Não o ato em si, evidentemente, nem se quer que ela use mais decotes ou fendas. Erotismo em sua essência psíquica.”

Não sei se em homenagem ao ridículo, pois o “gênio” da psique pergunta se “será que Dilma devaneia, sente falta de alguém para preencher a solidão que o poder provoca em noites insones? […] Será que ela não sente falta de comer pipoca enquanto assiste suas séries de tevê paga, que tanto ama e a faz relaxar das pressões inerentes ao cargo?”

Não sei se foi alguém que teve uma crise de lucidez na redação ou um telefonema dos manda-chuvas da empresa, com um daqueles “cala a boca” que esta gente “valentona” acata na hora.

Não sei, afinal, se em homenagem aos tempos presentes dos politicamente corretos, onde não se tem mais o tipo de limite à canalhice que era aquele antigo e desmoralizante bofetão dado por uma mulher diante de todos.

A página ainda está no cache do Google mas, por razões sanitárias, não a vou transcrever.

Os meios de comunicação tanto se esmeraram em recrutar gente capaz disso para ocupar suas páginas e espaços que, agora, nem mais conseguem controlá-los.

Época, como sub-Veja que sempre foi, apenas colhe os frutos de uma mídia empresarial que perdeu todo o limite de civilidade e bota Jabores, Rodrigos, Reinaldos, Gentilis e outros a rosnar.

E outros que, sibilantes, revestem a peçonha em termos e temas pretensamente “cults”.

Tornamo-nos a república dos imbecis, dos ofensores, da xingação.

Que época!

***

DEPOIS DE TEXTO EM 1ª PESSOA DE PANELA, ÉPOCA PUBLICA “REVELAÇÕES” SOBRE A VIDA SEXUAL DE DILMA
Via DCM em 20/8/2015

Depois de publicar um texto em primeira pessoa de uma panela (não é piada), a Época inova mais uma vez e dá uma espécie de crônica explicando a crise: Dilma não faz sexo.

Quando você se queixar da falta de inteligência, lembre-se da Época e tenha a certeza de que a coisa sempre pode piorar:

Não a conheço pessoalmente, nem sei de ninguém que a viu nua, mas é bem provável que sua sexualidade tenha sido subtraída há pelo menos uma década, como que provando exatamente o contrário: poder e sexo precisando se aniquilar.

Será que Dilma devaneia, sente falta de alguém para preencher a solidão que o poder provoca em noites insones? Será que ela não se ressente de um ser humano para declarar que quer mandar todo mundo para aquele lugar, afinal ela não tem como dizer isso para o neto, supostamente seu melhor amigo, que ainda nem sabe ler? Será que ela não sente falta de comer pipoca enquanto assiste suas séries de tevê paga, que tanto ama e a faz relaxar das pressões inerentes ao cargo?

[…]

Dilma, não. Dilma é de uma geração de mulheres anti-Jane Fonda, que acreditam que a sexualidade termina antes mesmo dos 60 anos, depois de criados filhos e ter tido seus netos. A atriz norte-americana foi uma combatente política quando era antidemocrático falar mal dos Estados Unidos, nação que estava dizimando vietnamitas e ela, no auge da beleza e do erotismo explícito como a emblemática personagem Barbarella, posou numa trincheira.

Isso foi no fim dos anos 1960, quando Dilma começou a lutar por democracia nos nossos anos de ditadura (1964-1985). Jane hoje é uma contumaz usuária de testosterona para regular seus hormônios e manter sua sexualidade gritando aos 77 anos. A atriz, precursora da autoestima para uma geração de mulheres no mundo inteiro, chega ao terço final de sua via exalando erotismo.

[…]

Diz-se que as amazonas, filhas de Ares, deus da guerra, cortavam um dos seios para manusear o arco e flecha e lutar. Ou seja, o feminino guerreiro precisaria extirpar a própria feminilidade. Não deveria, mas muitas vezes a exclui, e exemplos temos aos montes. Fragilizar-se é compatível com o cargo que essas senhoras almejam? Talvez sim, talvez não.

Dilma, se fosse seu amigo lhe diria: erotize-se.

Atualização: A coluna foi retirada do ar no site da revista, mas pode ser apreciada no nãofode.

2 Respostas to “Revista Época tira do ar texto de seu editor sobre “Dilma e o sexo””

  1. Dayse Silva Says:

    A baixeza, a vilania, o desrespeito, não somente com a nossa Presidente mas com todas as autoridades deste País, o atestado da falta absoluta de altruísmo, a falta do bom senso, o péssimo exemplo para os jovens deste nosso País, tudo isto precisa ser banido do jornalismo.
    Quem escreve sabe o que está fazendo e o fim que pretende. Todos os homens e mulheres de bem deste nosso País devem repudiar tais escritos, que, a priori, não se caracteriza como jornalismo, dada a falta de responsabilidade com todos os membros da sociedade brasileira, das crianças aos mais velhos.

  2. pintobasto Says:

    A falta de respeito pela Presidente Dilma, praticada por um falso jornalista, também é da responsabilidade de quem dirige a revista época, época de ficar muda.
    A punição maior lhe vai ser dada pelos leitores que respeitam valores morais.
    Imaginem só como esse pseudo jornalista ficaria se vizinho mais atrevido falasse assim da mãe dele…
    Tem cada burraldão neste Brasil!…

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