Carlinhos Metralha: Torturador do Dops vira celebridade em ato contra o governo

Metralha02_Carlos_Alberto_Augusto

Ex-torturador, Carlinhos Metralha, foi tratado como herói nacional na Avenida Paulista.

Cristiane Agostine, Flavia Lima e Natalia Viri, via Valor Econômico em 16/8/2015

Investigador do Departamento da Ordem Política e Social (Dops) e acusado de tortura, o delegado Carlos Alberto Augusto vive momentos de celebridade no ato contra o governo da presidente Dilma Rousseff, na avenida Paulista. A todo momento, o “Carlinhos Metralha” é abordado para tirar fotos, dar beijos e abraços e gravar mensagens.

Integrante da equipe de Sérgio Paranhos Fleury na ditadura militar, o ex-investigador veste um terno e gravata borboleta, e acompanha o carro de som que defende a intervenção militar.

Nas mãos, o aposentado traz um cartaz contra a Comissão da Verdade, que chama de “omissão da verdade”.

“Sempre combati o crime organizado e a máfia que está no poder”, disse, ao justificar sua presença no protesto. “ Quero defender as crianças que ainda não foram doutrinadas. Falam muita bobagem sobre as Forças Armadas”, afirmou, defendendo um novo golpe militar.

Carlos Augusto, também conhecido como “Carteira Preta”, acompanha o carro de som da União Nacionalista Democrática”, que traz palavras de ordem como “Lula, cadê você, o Sérgio Moro quer te prender”.

No primeiro ato contra Dilma e contra o PT, em março, o ex-investigador do Dops desfilou em carro aberto.

***

Metralha01_Carlos_Alberto_Augusto

“VOVÔ METRALHA” MATAVA JOVENS A SANGUE FRIO, SABIAM, MENINOS REVOLTADOS?
Fernando Brito, via Tijolaço 19/3/2015

Meu bom companheiro Fernando Molica, colunista de O Dia, publicou ontem [18/3], em seu blog, um excelente artigo sobre o vídeo que havíamos mostrado aqui, feito pelos jornalistas da revista Trip na manifestação da Avenida Paulista de domingo.

Reproduzo o artigo ao final, mas peço licença a Molica para trazer logo para o início a ficha do aparentemente inofensivo “Carlinhos Metralha” louvado pelos manifestantes e digno até de uma esdrúxula continência por parte de um policial militar.

Carlos Alberto Augusto, vulgo “Carteira Preta” e “Carlinhos Metralha”, o ex-delegado do Dops que discursou na manifestação, levou para a Avenida Paulista um cartaz em que dizia querer ser ouvido pela Comissão da Verdade. Pena que só diz isso agora, quando os trabalhos da comissão foram encerrados. O relatório diz que ele foi convocado a depor, mas não foi localizado. Na hora de prestar contas à história, ele tratou de não aparecer. Segue trecho do relatório sobre ele:

Carlos Alberto Augusto (1944-) Delegado de polícia. Serviu no Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (Dops/SP), sendo conhecido como “Carteira Preta” e “Carlinhos Metralha”. Integrou a equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury. Teve participação em casos de detenção ilegal, tortura e execução. Convocado para prestar depoimento à CNV, não foi localizado. Vítimas relacionadas: Carlos Marighella (1969); Eduardo Collen Leite (1970); Antônio Pinheiro Salles e Devanir José de Carvalho (1971); Soledad Barrett Viedma, Pauline Reichstul, Jarbas Pereira Marques, José Manoel da Silva, Eudaldo Gomes, Evaldo Luiz Ferreira de Souza e Edgard de Aquino Duarte (1973).

A Pauline Reichstul, apontada no relatório como uma das vítimas do “Carlinhos Metralha”, era irmã de Henri Philippe Reichstul, presidente da Petrobras no governo Fernando Henrique Cardoso.

Retomo: Carlinhos Metralha era um dos agentes do Dops que “administrava” as delações do famigerado Cabo Anselmo. Pauline e outros cinco jovens foram executados não na “Paulista”, mas em Paulista, Pernambuco, no que ficou conhecido como “A Chacina da Chácara São Bento”.

Pauline recebeu uma coronhada na cabeça. Os outros cinco, executados a tiros.

26 tiros, relata o jornalista pernambucano Luiz Felipe Campos, que escreveu um livro sobre o episódio: “14 na cabeça e muitos à queima-roupa. Ao cenário brutal, foram adicionadas armas ao redor dos corpos para sugerir um confronto entre guerrilheiros e militares que nunca houve. As fotos, difundindo a versão oficial de que um “congresso de terroristas” havia sido desbaratado, foi estampada nos jornais três dias depois”.

Já mortos, metralhados.

“Com muito prazer”, talvez, como disse no vídeo o “herói da Paulista”.

O ato, os golpistas e o torturador
Fernando Molica

O vídeo sobre a manifestação paulistana que foi preparado por equipe da revista “Trip” é assustador demais. Não dá para achar razoável ou tolerável que organizadores de ato que diz defender a democracia aceitem a presença de entusiastas de um golpe militar e até liberem o microfone para um ex-torturador, o delegado aposentado Carlos Alberto Augusto. Admitir a participação desses sujeitos seria o mesmo que aceitar a presença de nazistas numa passeata contra a política externa de Israel. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

É razoável imaginar que organizadores da manifestação tomassem a iniciativa de expulsar do ato um grupo de petistas que fosse até lá para condenar a roubalheira na Petrobras e, ao mesmo tempo, defender Dilma Rousseff. Não seria absurdo que eles fossem convidados a se retirar de uma passeata que protesta contra o governo. A eventual presença deles poderia até ser vista como provocação.

O problema é que, pelo que vi e li sobre as manifestações de domingo, não houve qualquer tentativa de expulsão dos pregadores do golpe (o vídeo até mostra mulheres que se revoltaram com a histeria militarista, mas, pelo visto, não passou de um protesto isolado).

É simples, ato que inclui defensores da ditadura, torturadores (havia pelo menos um) e pessoas que não admitem a pluralidade (caso dos que revelam intolerância com comunistas e integrantes de outras correntes de esquerda) não pode ser chamado de democrático. Mais: quem defende a ditadura não tem o direito de dizer que é contra a corrupção. Afinal, na ditadura, casos de corrupção eram censurados ou não geravam qualquer consequência – como as mordomias no escalão federal reveladas pelo “Estadão” e a negociata, publicada pela “Folha”, que envolveu o grupo Delfin e o Banco Nacional da Habitação (terrenos no valor de Cr$10 bilhões quitaram uma dívida de Cr$60 bi junto ao BNH). Quem defende a ditadura defende o direito de quem quer roubar sem ser punido.

Vale também ressaltar o absurdo que foi utilizar a belíssima “Canção do Expedicionário” como trilha sonora da manifestação, isto representou uma ofensa aos pracinhas que foram combater ditaduras na Europa. Um combate que, aqui, acabou provocando a queda de um ditador. A “Canção” (“Por mais terras que eu percorra/ Não permita Deus que eu morra/Sem que volte para lá”) é linda, deve ser o único canto de guerra que não fala em destruição, em morte, mas da vitória e da saudade da pátria amada:

Venho das praias sedosas,
Das montanhas alterosas,
Dos pampas, do seringal,
Das margens crespas dos rios,
Dos verdes mares bravios
Da minha terra natal.

Por último, vale registrar: o Carlos Alberto Augusto, vulgo “Carteira Preta” e “Carlinhos Metralha”, o ex-delegado do Dops que discursou na manifestação, levou para a Avenida Paulista um cartaz em que dizia querer ser ouvido pela Comissão da Verdade. Pena que só diz isso agora, quando os trabalhos da comissão foram encerrados. O relatório diz que ele foi convocado a depor, mas não foi localizado. Na hora de prestar contas à história, ele tratou de não aparecer. Segue trecho do relatório sobre ele:

Carlos Alberto Augusto (1944-) Delegado de polícia. Serviu no Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (Dops/SP), sendo conhecido como “Carteira Preta” e “Carlinhos Metralha”. Integrou a equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury. Teve participação em casos de detenção ilegal, tortura e execução. Convocado para prestar depoimento à CNV, não foi localizado. Vítimas relacionadas: Carlos Marighella (1969); Eduardo Collen Leite (1970); Antônio Pinheiro Salles e Devanir José de Carvalho (1971); Soledad Barrett Viedma, Pauline Reichstul, Jarbas Pereira Marques, José Manoel da Silva, Eudaldo Gomes, Evaldo Luiz Ferreira de Souza e Edgard de Aquino Duarte (1973).

A Pauline Reichstul, apontada no relatório como uma das vítimas do “Carlinhos Metralha”, era irmã de Henri Philippe Reichstul, presidente da Petrobras no governo Fernando Henrique Cardoso.

Leia também:
Luis Fernando Verissimo: Manifestantes não sabem o que querem
Leonardo Sakamoto: Leia o texto e saiba se você precisa de um médico
Antonio Lassance: Impeachment não é recall
Aécio Neves protesta contra a corrupção estacionando carro em local proibido
Beth Carvalho aos golpistas: “Minha voz e meu samba não os representa.”
Rio São Francisco: Em discurso de ódio, internauta diz que “Dilma tem que ‘morre’ afogada sexta feira”
16 de agosto: Não era amor, era cilada
Quando a direita golpista encontra o Estado ampliado
Imperdível: Vídeo sintetiza o pensamento dos coxinhas
16 de agosto: Elite perfil Versace
Fotos mostram o nível dos “manifestantes” que querem mudança
Corrupto pede prisão aos corruptos e é atendido
Outro retardado online: Blog tem guia de como estuprar aluna da USP
A direita abraça as redes sociais
A ditadura vista da janela da escola
Marilena Chauí: A ditadura militar iniciou a devastação da escola pública
Golpistas usam mentiras na rede para inflar protesto anti-Dilma
Paulo Teixeira: Solidariedade aos haitianos
E não é que o bandido que humilhou o haitiano era mesmo bandido?
Quem está celebrando o ataque brutal contra os seis haitianos?
A escalada do ódio
Ódio: Atriz transexual que se “crucificou” em parada LGBT é esfaqueada
Flávio Aguiar: No Brasil, o buraco é mais em cima
PSTU bate panela junto com a pequena burguesia fascista
Guilherme Boulos: A política vai às ruas
E aí ministro Cardozo? Nos EUA, homem é detido por ameaçar Obama no Facebook
Só os diferenciados: Bairros da periferia de São Paulo não aderem a panelaço contra PT
Aos paneleiros: Programa do PT de quinta-feira, dia 6 de agosto
Os 11 princípios de Joseph Goebbels, o ministro da propaganda nazista
O fascismo não virá, ele já está
Não chame um nazista de nazista: A reação da extrema-direita a uma nota de jornal
Vídeo: Festival Internacional do Coxinha (Fico)
Documentário: O Negócio da Revolução
Luis Fernando Verissimo: Quando vamos acordar para a barbárie golpista que ameaça o Brasil?
Ódio: A dignidade feminina é atacada nas redes sociais
Dilma chamou golpistas pra briga. Vão encarar?
Um grupo de criminosos, chefiado por um advogado, pede a morte de Lula no Facebook
Um texto para quem respeita o Direito no Brasil
Vídeo: Não somos nazistas!
Os extremistas “descobriram” quem orquestrou os ataques a Maju Coutinho: seu marido
Ação de fascista contra Dilma nos EUA foi montagem?
A influência de Danilo Gentili no caso de racismo contra Maju Coutinho
500 anos de perversidade geraram o povo mais ignorante do mundo
Três respostas sobre a direita brasileira
A moça do tempo, o racismo e o ódio nas redes sociais
Verônica Serra, Mercado Livre e a punição para quem fez adesivo misógino contra Dilma
Como alguém pode fazer um adesivo tão ofensivo contra Dilma e não ir pra cadeia?
Luis Fernando Verissimo: O ódio está no DNA da classe dominante
Leandro Fortes: “O discurso do ódio foi construído pela mídia e pela oposição que ela tenta colocar no poder.”
Mico ou sinal dos tempos?: Jornazista, ameaçada por Chaves (o Chapolim, não o Hugo), vira madrinha do pelotão
Conservadores dos EUA financiam a nova direita latino-americana
“O pior analfabeto é o analfabeto político”: A atualidade de Bertold Brecht
Kim Kataguiri, o “defensor da democracia”, quer uma arma
Mauro Santayana: Os pilares da estupidez
Os “defensores da liberdade de expressão” atacam novamente
No Brasil, há um surto de hipocrisia
A ficha suja dos defensores do impeachment de Dilma
A “imparcialidade” do procurador do TCU que pediu a rejeição das contas de Dilma
Descolados e coxinhas 2.0 gourmetizam festas juninas
Líder do Revoltados Online quer “pegar Lula” na Bahia
Marcelo Rubens Paiva: O movimento coxinha micou
Analista alemã confirma: EUA manipulam “protestos” em todo mundo
E não é que o bandido que humilhou o haitiano era mesmo bandido?
Guilherme Boulos: A direita e a falácia do caviar
Marcha pela “paz”, alma de Herodes
Racismo: A cria do ovo da serpente
A mão que ajuda o facismo
Leandro Fortes: A balada de Kim Kataguiri
Bandidos da facção Revoltados Online atacam com deputados petistas na Câmara
Kim, você é contra o Estado, mas ainda bem que o Samu te socorreu, né?
Marcha dos coxinhas: O mico da “coluna Aécio”
A cultura do ódio na internet e fora dela
Na marcha dos coxinhas a Brasília, quem andam são os carros e o ônibus de apoio
Parecer entregue por Reale Jr. a Aécio descarta impeachment de Dilma
Vai vendo o nível: Musa do impeachment serve champanhe e caviar ao próprio cachorro
Quem inspira os jovens conservadores que protestam contra Dilma e a esquerda?
Pesquisa confirma: Quem foi às ruas não foi “o povo”, mas leitores reaças da Veja
Vitória (ES): Líder do “Vem Pra Rua” batia o ponto na Câmara e ia para casa
Apoiadores de Dilma emplacam hashtag #AceitaDilmaVez entre mais usadas do mundo
O fracasso dos protestos encerra, enfim, o terceiro turno
Protestos de 12 de abril: Esvaziamento de público e de pautas
Paneleiro contra a corrupção vende pontos da CNH
Lula deu uma surra no panelaço
Tremei, paneleiros. Lula está de volta às ruas!
A neodireita preconceituosa e as eleições
Nasce uma nova classe: A lumpemburguesia!
Vitória (ES): Líder do “Vem Pra Rua” batia o ponto na Câmara e ia para casa
É preciso “coragem” para chamar uma mulher de “vaca” da janela do prédio
O panelaço da barriga cheia e do ódio da elite branca
Paulo Moreira Leite: Panelaço virou panelinha
A revolta da varanda: Onde estavam os paneleiros antes?
Só pra quem tem estômago forte: Ecos das manifestações de 15 de março
Brasil surreal: O corrupto Agripino foi protestar por um Brasil melhor e sem corrupção
Por que a presidenta é execrada e os governadores são poupados?
O que está por trás da contagem de pessoas nos protestos?
Afinal, do que se trata? Simples: destituir Dilma e liquidar o PT.
Manifestações da middle class: Polifonia e ódio de classes dos “filhos da mídia”
“Nunca subestimem o ódio, o medo e a ignorância.”
Ricardo Melo: Dilma, a hora é agora
Os coxinhas, Paulo Freire e a ONU
Suiçalão: Lista do HSBC inclui artistas, cineastas e escritores do Brasil
Os reais motivos do inconformismo da elite reacionária
Propaganda: Reaça, a cerveja do coxinha homofóbico e reacionário
Suiçalão: Aécio lidera doações de donos de contas secretas do HSBC
Comportamento de coxinhas paulistanos é tema de análise sociológica
Manual de Ouro do Manifestante Idiota
Dicas para não pagar mico em tempo de manifestações
A revolução dos coxinhas e seus estranhos amigos
O futuro dos coxinhas do Leblon e dos Jardins
Neofascismo coxinha tenta virar ideologia
Mentira do Revoltados On-line: Viúva de Che Guevara recebe aposentadoria no Brasil há 10 anos
Golpe: Deputado denuncia o grupo fascista Revoltados Online
Revoltados Online: Hélio Bicudo se junta à extrema-direita
Saiba quem são os nazifascistas do grupo Revoltados Online
Ao calar Faustão, Marieta Severo deve ser a próxima global a receber ameaça de morte
Quanto tempo até que um crime de ódio como o da Carolina do Sul ocorra no Brasil?
Kim Kataguiri, o “defensor da democracia”, quer uma arma
Por que o assassinato de 9 negros não é considerado um ato de terrorismo?
O ódio continua: Petista Maria do Rosário foi ameaçada de morte em shopping
Neodilmismo: A súbita conversão de Jô Soares
O tamanho do ódio por Lula, Dilma e PT
Os “defensores da liberdade de expressão” atacam novamente
Os 30 anos de ódio ao MST nas páginas de Veja
Joaquim Barbosa é o grande expoente do ódio
Vinda de médicos cubanos reforça ódio ideológico ao PT
A Petrobras é o alvo do ódio, mas fingem que a defendem

2 Respostas to “Carlinhos Metralha: Torturador do Dops vira celebridade em ato contra o governo”

  1. Rita Says:

    Taí a prova de que a maioria que estava nesta manifestação sabe é nada de nada. Que tristeza!

  2. pintobasto Says:

    Quanta falta faz uma justiça atuante, efetiva, punindo sem dó nem piedade esse velho criminoso hediondo do Carlinhos Metralha que sempre foi um policial muito corrupto.
    Seu rosto de velho cachaceiro, mostra-nos que esse Carlinhos não era só Metralha, junto com ele vinham a desgraça e morte de muita gente. Matou muito mais gente que a comissão da verdade menciona. Era um matador, por isso que Fleury o tinha junto.

Os comentários sem assinatura não serão publicados.

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: