Quando a direita golpista encontra o Estado ampliado

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Ion de Andrade, via Jornal GGN em 16/8/2015

Gramsci em sua elaboração sobre a revolução no Ocidente sinalizou nos anos 30 que a presença da sociedade civil nos estados ocidentais condicionaria uma revolução longa, pois essa sociedade civil, entendida como uma densa rede de trincheiras, alicerçava a supremacia burguesa sobre o consenso e não sobre a força. A robusta sociedade civil dos estados ocidentais impediria, portanto, qualquer sonho de solução explosiva à esquerda capaz de varrer, por um ato de força, tal poderio burguês sobre o Estado.

Esse raciocínio cristalino, embora hoje já insuficiente, conforme comentei no artigo “A via brasileira e a crise do paradigma gramsciano” ainda não foi devidamente apreendido pela direita tupiniquim de matriz golpista, que crê que em qualquer circunstância histórica, pode golpear impunemente soberania popular.

A falta de cultura política faz essa direita entender o poder político como uma espécie trono que, se for tomado, passa a ordenar de forma legítima e completa todo o ordenamento social que deve, a partir de então, curvar-se aos novos senhores. Uma burrice colossal.

O Estado de Direito regula uma guerra, permitindo, por meio de instituições cuja legitimidade decorre do voto, a formação de condições mínimas para o exercício do governo e da oposição, que, apesar de minoritária, é possuidora de direitos e prerrogativas inalienáveis. Em torno desse Estado há a tal rede de trincheiras que é a sociedade civil que sustenta o próprio arcabouço estatal.

Pelo lado do campo autoritário e atualmente golpista poderíamos citar, como instâncias típicas da sociedade civil, a grande mídia, os sindicatos patronais, as grandes corporações profissionais da elite, (magistrados, médicos, dentre outras), os partidos conservadores, as organizações sociais de direita e de extrema direita. No campo democrático poderiam ser citadas instituições como a OAB, a ABI, a CNBB, as Centrais Sindicais, os diversos sindicatos de trabalhadores dentre os quais petroleiros, bancários, metalúrgicos, professores, o MST, os demais inúmeros movimentos sociais, os partidos do campo democrático, dentre outros… [os blogs, por exemplo].

A cassação do mandato de Dilma, seja qual fosse a capa de legitimidade paraguaia, mergulharia o país numa longa crise de governabilidade sem remédio até que a normalidade institucional, o Estado de direito, estivesse novamente recomposto.

O conflito aberto eclodiria levando o país a um cenário imprevisível e catastrófico. A direita armou o bote e depois, despertada sabe-se lá por qual conjunto de variáveis premonitórias, reconheceu que teria um preço a pagar.

O peso gravitacional das variáveis que vieram à luz do dia, (manifestações patronais, resistências anunciadas dos movimentos sociais, risco econômico etc.) não me parece suficiente, aliás, para justificar tamanho e tão largo recuo da complexa e cara estratégia golpista montada há meses. Num movimento concertado TODOS os setores golpistas recuaram. Difícil de entender com o que sabemos.

É como se estivesse faltando alguma variável de peso maior capaz de tornar mais inteligível o recuo em curso. Será que a prisão do Almirante Othon precipitou de uma vez a ruptura formal da aliança que os golpistas tinham como certa com as Forças Armadas?

Seja como for, 31 anos depois do fim da ditadura, enlutada e tangida, a direita vai sendo novamente obrigada a conformar-se, e já não era sem tempo, aos ditames do Estado de direito.

O luto é justo. O Estado de direito não é opcional, é obrigatório e é, além disto, a arena histórica na qual a cidadania e os trabalhadores construirão vida digna, autoconfiança e emancipação.

A crise atual testou os limites das ambições golpistas e a capacidade de resistência da democracia brasileira. A guerra segue adiante e sem quartel, mas, ao que parece, as instituições passaram no teste de estresse.

O teatro macabro se encerra com o ato do dia 16 que passa a figurar como o gran finale e não mais como o preparador de um golpe a ser perpetrado pelo TCU/Câmara Federal com a rejeição das contas do governo de 2014 ou via TSE com a abertura de um processo de revisão das contas de campanha da presidenta, já aprovadas por unanimidade.

Do lado de cá, no dia 20, a nossa manifestação deve ser a festa cívica de uma nação que se levantou, é crítica ao governo, mas não aceita perder as conquistas democráticas, nem viver novo ciclo autoritário e entreguista.

Festa de bodas a do dia 20 tem de ser grande. Bodas democráticas.

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