Pagar pelo SUS é distorção no sistema, diz Padilha

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Ex-ministro da Saúde falou da proposta de cobrança de procedimentos no SUS, durante debate que marcou o lançamento do site Saúde Popular.

Via Saúde Popular em 11/8/2015

O ex-ministro da saúde, Alexandre Padilha, criticou na terça-feira, dia 11/8, a proposta da Agenda Brasil de cobrança de alguns procedimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) dependendo da faixa de renda do paciente. “Qualquer proposta que pense o financiamento do SUS, cobrando procedimentos realizados vai provocar uma profunda distorção. Se até no financiamento público você remunerar pelo procedimento já gera distorção na organização do serviço de saúde, imagine se você coloca o financiamento privado?”, pontuou.

A declaração foi feita durante debate “Direito à saúde X Ofensiva conservadora”, que marcou o lançamento do portal Saúde Popular, na capital paulista. Para Padilha, que é o atual secretário de Relações Governamentais da Prefeitura de São Paulo, tal proposta vai no desencontro de eixos estruturantes do SUS e de conquistas históricas.

A Agenda Brasil, apresentada nesta terça-feira no plenário do Senado, pelo presidente da Casa Renan Calheiros, prevê, entre outras medidas, a votação de 27 proposições legislativas. O objetivo delas seria aumentar a confiança dos investidores na economia do país.

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Debate ocorreu na sede do Coletivo Actantes, na capital paulista.

Mais Médicos
Considerado um marco na história do SUS e importante instrumento para seu avanço, o programa Mais Médicos, que completou dois anos na semana passada, também foi destaque no debate.

Para o médico de família e integrante da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares, Thiago Henrique Silva, o programa conseguiu expor interesses de classe presentes na sociedade e introduzir debates que antes não eram discutidos e que precisam de solução. “Ainda impera um corporativismo na área da saúde que a gente tem que superar”, disse.

Silva também comentou o avanço das pautas conservadoras no Congresso e que representam retrocesso, além de criticar a política econômica do governo federal. A ofensiva conservadora não é contra o PT. É contra o marco civilizatório e democrático construído nos anos 1980″, afirmou Thiago Henrique, da Rede de Médicos e Médicas Populares. “Renan Calheiros [presidente do Senado] e Joaquim Levy [ministro da Fazenda] sintetizam as forças reacionárias do nosso país”. “A ofensiva conservadora não é contra o PT. É contra o marco civilizatório e democrático construído nos anos 1980”, acrescentou.

A jornalista e autora do Blog Socialista Morena, Cynara Menezes ressaltou a importância das redes sociais no debate sobre a saúde. Ela acredita que o Mais Médicos conseguiu pautar assuntos antes ignorados na sociedade. “O que me surpreende nesta história toda é que até o Mais Médicos aparecer existia algumas questões que o povo brasileiro desconhecia. Por exemplo, o fato dos distritos indígenas não possuírem um médico”, disse.

Desde sua criação, o Mais Médicos tem sido alvo de duras críticas de setores conservadores da sociedade, em especial a entidade médicas. Entre as reações mais recentes está os recentes ataques feitos à estudante de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Ana Luiza Lima. Ela foi alvo de xingamentos e comentários preconceituosos na sua rede social, após participar da cerimônia de comemoração de dois anos do programa e defender o projeto que possibilitou seu ingresso na universidade.

“Quero dizer para a Ana Luiza, que ela se sinta apoiada por nós. Assim como ela, outros profissionais, quando assumem compromissos muito claros com o direito à saúde e a população e no dia a dia de um certo perfil e se aproximar das comunidades, quando relatam e reforçam o compromisso do SUS, também são vítimas de atitudes como essa”, disse Padilha. Em nota (leia abaixo), a Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares se solidarizou a Ana Luiza.

Saúde Popular
Lançado nesta terça-feira, o Saúde Popular é um site da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares. Ele conta com reportagens, vídeos, artigos e áudios sobre os avanços e os desafios das políticas de saúde no Brasil. A nova plataforma entrou no ar no dia 8 de julho. Segundo Silva, o site tem o objetivo de mostrar aos brasileiros que existem outras formas de se produzir saúde. “A mídia insiste em fazer uma agenda negativa da saúde no país. Com o Saúde Popular vamos mostra a agenda positiva da saúde” disse.

***

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NOTA DE DESAGRAVO DA REDE DE MÉDICAS E MÉDICOS POPULARES À ANA LUIZA LIMA
A onda de ódio não passará!

A Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares vem, através desta nota, prestar solidariedade à estudante de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Ana Luiza Lima, que recentemente comoveu todo o país com seu discurso na comemoração dos dois anos do Programa Mais Médicos. Seu discurso emocionado, por meio do qual agradece as recentes políticas educacionais que permitiram “a neta de um agricultor sonhar em ser doutora” (nas próprias palavras dela) inspirou milhões, mas provocou a ira de um setor reacionário e conservador, que encontra em parte da nossa categoria uma das suas mais perversas formas de expressão.

A onda conservadora dentro da categoria mostrou sua face logo após o anúncio da vinda de médicas e médicos cubanos para atender áreas de difícil provimento destes profissionais por parte do governo federal. Erigiu funerais da presidenta Dilma e do Ministro Alexandre Padilha e perpassou por cenas nefastas como o “corredor polonês” contra os médicos cubanos no Ceará, com direito a ovos arremessados e xingamentos que não merecem mais ser repetidos. Vários colegas foram perseguidos pelos conselhos regionais de Medicina (CRMs) Brasil afora por se posicionarem favoráveis ao Programa Mais Médicos e não se alinharem com o discurso corporativista, permanecendo as ameaças dos CRMs sobre os médicos que contribuem com o programa (supervisores e tutores) até hoje.

Agora a vítima é uma estudante de Medicina que cometeu o pecado de falar a verdade. Uma estudante oriunda de família humilde que ousou entender que seu sucesso hoje foi fruto de uma política pública e ousou agradecer à presidenta Dilma pelo esforço de manter políticas voltadas aos mais pobres deste país. O ódio contra Ana Luiza manifestou-se não apenas sob a forma de machismo – numa das regiões do país onde as mulheres mais sofrem com violência e onde o patriarcado se mantém firme e forte – mas, fundamentalmente, como ódio de classe, ódio ao que representou o seu discurso, ódio ao agradecimento à presidenta, ódio de quem não suporta ver seus privilégios ameaçados.

Por tudo isto e muito mais, a Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares denuncia a ofensiva conservadora que se materializa no ódio à Ana Luiza e presta irrestrita solidariedade à nossa futura colega. Saiba, Ana Luiza, que assim como você, existem médicas e médicos que se preocupam com o povo brasileiro, que respeitam sua diversidade étnica, sexual, religiosa e ideológica, que se preocupam com a conformação do SUS como sistema de direitos sociais, público, gratuito, integral e de qualidade. Assim como você, existem médicas e médicos que sonham e que fundamentalmente lutam por um futuro onde este tipo de agressão a você fique num passado distante.

Todo apoio à Ana Luiza Lima

Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares

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2 Respostas to “Pagar pelo SUS é distorção no sistema, diz Padilha”

  1. Moacir Says:

    O que é bom para o Canadá não é bom para o Brasil?…
    O CFM cobra (em tese) mais recursos para o SUS mas o Dr. Adib Jatene quase conseguiu na prática com a aprovação da CPMF. Sonegar recursos para o Bem Comum continua sendo nossa maior vocação. É pra isso que precisamos de tanta corrupção. E “fora PT!” é nosso melhor disfarce.

  2. Dayse Silva Says:

    Que pérola desse Renan Calheiros?????????????????
    Este homem, que há tantos anos está no parlamento , coloca-se contra o interesse da sociedade brasileira, no item tão sério:saúde.
    Os eleitores devem ficar atentos a este tipo de comportamento de certos políticos.
    Devemos seguir o exemplo do Canadá:saúde gratuita para todos que dela precisarem.

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