Guilherme Boulos: A política vai às ruas

Agripino_Maia12_Caiado_Aecio

Caiado, Aécio e Agripino, os novos paladinos da anticorrupção.

Guilherme Boulos, lido em Navegando na história em 6/8/3015

O crescimento da insatisfação popular e da polarização na sociedade faz a política transbordar para as ruas. Este fenômeno, próprio a momentos de crise, também expressa por aqui o fracasso de um sistema político ao mesmo tempo impermeável à influência do povo e escancarado aos interesses econômicos. Agosto será um mês decisivo, em que as ruas colocarão em jogo projetos distintos para o Brasil.

De um lado, a “nova direita” convocou mobilizações para o dia 16, com apoio declarado do PSDB, da Rede Globo e da maior parte da mídia. A chamada tem sido feita explicitamente em programas de tevê e rádio. Querem aproveitar o avanço da Lava-Jato e a corrosão do apoio ao governo para emplacar o impeachment de Dilma.

Falamos “nova direita” por convenção, mas suas táticas são tão velhas quanto Carlos Lacerda. Valer-se de denúncias de corrupção – pinçadas seletivamente para atingir um único partido – e do controle da mídia para derrubar governos é prática antiga na América Latina. Refinaram o método por um calendário de “coincidências” com prisões da Lava-Jato, vazamento de delações e o dia D do TCU (Tribunal de Contas da União), apimentando o período anterior à mobilização.

Mas o que essa turma quer? Qual é seu projeto? Livrar o Brasil da corrupção, dizem. Ao lado de Agripino Maia, Ronaldo Caiado e com apoio da Globo. Contra a corrupção, mas de mãos dadas com Eduardo Cunha. Sei, sei. Já em relação às políticas de austeridade, o programa econômico que defendem faria de Levy um desenvolvimentista.

Os que estão puxando o 16 de agosto não têm autoridade moral para falar de corrupção e usam fraseologias vagas para ocultar um projeto de país antipopular. No entanto, com apoio da mídia e de uma sucessão de eventos cuidadosamente planejados, podem levar muita gente às ruas, canalizando a insatisfação social com o governo.

Do outro lado, em 20 de agosto, movimentos sociais de todo o Brasil estão organizando mobilizações para apresentar outras saídas para a crise. MTST, MST, CUT, CTB, Intersindical, UNE, setores da igreja católica, movimentos negros e de juventude estarão nas ruas defendendo direitos sociais, enfrentando o ajuste fiscal do governo Dilma, mas enfrentando também a ofensiva da direita golpista e as manobras de Cunha.

Ao contrário do que um contraponto simplista possa fazer crer, o dia 20 não será uma manifestação de defesa do governo. O manifesto de convocação assinado pelos movimentos é claro: “A política econômica do governo joga a conta nas costas do povo. Em vez de atacar direitos trabalhistas, cortar investimentos sociais e aumentar os juros, defendemos que o governo ajuste as contas em cima dos mais ricos, com taxação das grandes fortunas, dividendos e remessas de lucro, além de uma auditoria da dívida pública”. Não há qualquer disposição em defender uma política econômica indefensável.

Mas o mesmo manifesto também é claro em enfrentar a ofensiva conservadora e antidemocrática conduzida por Cunha e sua trupe: “Eduardo Cunha representa o retrocesso e um ataque à democracia. Transformou a Câmara dos Deputados numa casa da intolerância e da retirada de direitos. Somos contra a pauta conservadora e antipopular imposta pelo Congresso e estaremos nas ruas em defesa das liberdades: contra o racismo, a intolerância religiosa, o machismo, a LGBTfobia e a criminalização das lutas sociais”.

A manifestação do dia 20 defenderá pautas populares e enfrentará a política do governo e do Congresso, sem lugar para a indignação seletiva daqueles que convocam o dia 16. Aqueles que dizem “fora Dilma”, mas se calam em relação ao “fora Cunha”; aqueles que denunciam a corrupção na Petrobras, mas assobiam diante da Zelotes e são apaixonados por Aécio Neves; enfim, os que dizem querer um “Brasil livre”, mas dividem as ruas com defensores da ditadura militar.

De um lado ou de outro, uma coisa é certa: os caminhos da política brasileira passarão pelas mobilizações das próximas semanas.

Leia também:
E aí ministro Cardozo? Nos EUA, homem é detido por ameaçar Obama no Facebook
Só os diferenciados: Bairros da periferia de São Paulo não aderem a panelaço contra PT
Aos paneleiros: Programa do PT de quinta-feira, dia 6 de agosto
Os 11 princípios de Joseph Goebbels, o ministro da propaganda nazista
O fascismo não virá, ele já está
Não chame um nazista de nazista: A reação da extrema-direita a uma nota de jornal
Vídeo: Festival Internacional do Coxinha (Fico)
Documentário: O Negócio da Revolução
Luis Fernando Verissimo: Quando vamos acordar para a barbárie golpista que ameaça o Brasil?
Ódio: A dignidade feminina é atacada nas redes sociais
Dilma chamou golpistas pra briga. Vão encarar?
Um grupo de criminosos, chefiado por um advogado, pede a morte de Lula no Facebook
Um texto para quem respeita o Direito no Brasil
Vídeo: Não somos nazistas!
Os extremistas “descobriram” quem orquestrou os ataques a Maju Coutinho: seu marido
Ação de fascista contra Dilma nos EUA foi montagem?
A influência de Danilo Gentili no caso de racismo contra Maju Coutinho
500 anos de perversidade geraram o povo mais ignorante do mundo
Três respostas sobre a direita brasileira
A moça do tempo, o racismo e o ódio nas redes sociais
A direita abraça as redes sociais
Verônica Serra, Mercado Livre e a punição para quem fez adesivo misógino contra Dilma
Como alguém pode fazer um adesivo tão ofensivo contra Dilma e não ir pra cadeia?
Luis Fernando Verissimo: O ódio está no DNA da classe dominante
Leandro Fortes: “O discurso do ódio foi construído pela mídia e pela oposição que ela tenta colocar no poder.”
Mico ou sinal dos tempos?: Jornazista, ameaçada por Chaves (o Chapolim, não o Hugo), vira madrinha do pelotão
Conservadores dos EUA financiam a nova direita latino-americana
“O pior analfabeto é o analfabeto político”: A atualidade de Bertold Brecht
Kim Kataguiri, o “defensor da democracia”, quer uma arma
Mauro Santayana: Os pilares da estupidez
Os “defensores da liberdade de expressão” atacam novamente
No Brasil, há um surto de hipocrisia
A ficha suja dos defensores do impeachment de Dilma
A “imparcialidade” do procurador do TCU que pediu a rejeição das contas de Dilma
Descolados e coxinhas 2.0 gourmetizam festas juninas
Líder do Revoltados Online quer “pegar Lula” na Bahia
Marcelo Rubens Paiva: O movimento coxinha micou
Analista alemã confirma: EUA manipulam “protestos” em todo mundo
E não é que o bandido que humilhou o haitiano era mesmo bandido?
Guilherme Boulos: A direita e a falácia do caviar
Marcha pela “paz”, alma de Herodes
Racismo: A cria do ovo da serpente
A mão que ajuda o facismo
Leandro Fortes: A balada de Kim Kataguiri
Bandidos da facção Revoltados Online atacam com deputados petistas na Câmara
Kim, você é contra o Estado, mas ainda bem que o Samu te socorreu, né?
Marcha dos coxinhas: O mico da “coluna Aécio”
A cultura do ódio na internet e fora dela
Na marcha dos coxinhas a Brasília, quem andam são os carros e o ônibus de apoio
Parecer entregue por Reale Jr. a Aécio descarta impeachment de Dilma
Vai vendo o nível: Musa do impeachment serve champanhe e caviar ao próprio cachorro
Quem inspira os jovens conservadores que protestam contra Dilma e a esquerda?
Pesquisa confirma: Quem foi às ruas não foi “o povo”, mas leitores reaças da Veja
Vitória (ES): Líder do “Vem Pra Rua” batia o ponto na Câmara e ia para casa
Apoiadores de Dilma emplacam hashtag #AceitaDilmaVez entre mais usadas do mundo
O fracasso dos protestos encerra, enfim, o terceiro turno
Protestos de 12 de abril: Esvaziamento de público e de pautas
Paneleiro contra a corrupção vende pontos da CNH
Lula deu uma surra no panelaço
Tremei, paneleiros. Lula está de volta às ruas!
A neodireita preconceituosa e as eleições
Nasce uma nova classe: A lumpemburguesia!
Vitória (ES): Líder do “Vem Pra Rua” batia o ponto na Câmara e ia para casa
É preciso “coragem” para chamar uma mulher de “vaca” da janela do prédio
O panelaço da barriga cheia e do ódio da elite branca
Paulo Moreira Leite: Panelaço virou panelinha
A revolta da varanda: Onde estavam os paneleiros antes?
Só pra quem tem estômago forte: Ecos das manifestações de 15 de março
Brasil surreal: O corrupto Agripino foi protestar por um Brasil melhor e sem corrupção
Por que a presidenta é execrada e os governadores são poupados?
O que está por trás da contagem de pessoas nos protestos?
Afinal, do que se trata? Simples: destituir Dilma e liquidar o PT.
Manifestações da middle class: Polifonia e ódio de classes dos “filhos da mídia”
“Nunca subestimem o ódio, o medo e a ignorância.”
Ricardo Melo: Dilma, a hora é agora
Os coxinhas, Paulo Freire e a ONU
Suiçalão: Lista do HSBC inclui artistas, cineastas e escritores do Brasil
Os reais motivos do inconformismo da elite reacionária
Propaganda: Reaça, a cerveja do coxinha homofóbico e reacionário
Suiçalão: Aécio lidera doações de donos de contas secretas do HSBC
Comportamento de coxinhas paulistanos é tema de análise sociológica
Manual de Ouro do Manifestante Idiota
Dicas para não pagar mico em tempo de manifestações
A revolução dos coxinhas e seus estranhos amigos
O futuro dos coxinhas do Leblon e dos Jardins
Neofascismo coxinha tenta virar ideologia
Mentira do Revoltados On-line: Viúva de Che Guevara recebe aposentadoria no Brasil há 10 anos
Golpe: Deputado denuncia o grupo fascista Revoltados Online
Revoltados Online: Hélio Bicudo se junta à extrema-direita
Saiba quem são os nazifascistas do grupo Revoltados Online
Ao calar Faustão, Marieta Severo deve ser a próxima global a receber ameaça de morte
Quanto tempo até que um crime de ódio como o da Carolina do Sul ocorra no Brasil?
Kim Kataguiri, o “defensor da democracia”, quer uma arma
Por que o assassinato de 9 negros não é considerado um ato de terrorismo?
O ódio continua: Petista Maria do Rosário foi ameaçada de morte em shopping
Neodilmismo: A súbita conversão de Jô Soares
O tamanho do ódio por Lula, Dilma e PT
Os “defensores da liberdade de expressão” atacam novamente
Os 30 anos de ódio ao MST nas páginas de Veja
Joaquim Barbosa é o grande expoente do ódio
Vinda de médicos cubanos reforça ódio ideológico ao PT
A Petrobras é o alvo do ódio, mas fingem que a defendem

2 Respostas to “Guilherme Boulos: A política vai às ruas”

  1. Eliane Barroso Says:

    Muito bom! Aliás, sempre de acordo com seus comentários e seu posicionamento. VQV!

  2. Rita Says:

    Aceite de uma vez, aécio.

Os comentários sem assinatura não serão publicados.

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: