Janio de Freitas: Dirceu outra vez

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Janio de Freitas, lido no Jornal GGN em 4/8/2015

A prisão de José Dirceu foi a menos surpreendente de quantas a Lava-Jato faz desde março do ano passado. Se justificada ou não, vamos saber quando os integrantes da Lava-Jato apresentarem em juízo o que veem como provas convincentes. A carga pesada de acusações apenas verbais, feitas pelo procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, desde logo criou uma imprecisão sujeita a reparo histórico e atual. Foi quando definiu Dirceu como “o instituidor e beneficiário” do “esquema” de corrupção na Petrobras.

Dizê-lo instituidor é aliviar de um grande peso acusatório os empreiteiros e ex-dirigentes da Petrobras que têm feito delação premiada e, por isso, são chamados pelos componentes da Lava-Jato de “colaboradores”. Ainda que não seja por deliberação, a transferência de responsabilidades, concentrando-as em um só, é como um prêmio adicional à delação já premiada.

A corrupção na Petrobras investigada pela Lava-Jato seguiu o “esquema” praticado há décadas pelas grandes empreiteiras nas licitações e acréscimos de custo, em contratos com estatais e administração pública. Se houve um “instituidor” do “esquema”, seu nome perdeu-se na desmemória do tempo.

Caso o Ministério Público e a Polícia Federal se dessem ao trabalho de verificações retroativas, tanto encontrariam histórias de honestidade como de vidas enriquecidas a partir de passagem por um cargo alto na Petrobras. Mas, no Brasil, nem por curiosidade é acompanhada a evolução das condições de vida de políticos e ex-dirigentes públicos.

Na geração atual dos funcionários elevados a dirigentes corruptos da Petrobras, Pedro Barusco, que é tido como o mais inteligente dos delatores premiados, já explicou que vem desde meados da década de 90, ao menos desde 1997, as transações com a atual geração de dirigentes de empreiteiras.

Também resulta como prêmio adicional aos delatores já premiados a ideia de que o “esquema na Petrobras repetiu o do mensalão”. Um nada tem a ver com o outro. Na Petrobras, o dinheiro manipulado estava embutido no custo de obras e de serviços ou bens como sondas. No mensalão, os meios envolvidos foram banco e publicidade.

No caso pessoal de Dirceu, chama atenção a disparidade entre as toneladas de atribuições que o procurador Santos Lima lhe despeja e a sua espera quase passiva, em casa, pelos emissários da Lava-Jato. Quem se soubesse autor de tantos e tão graves atos ilegais, e da gana de é que alvo, saberia também que o esperava uma condenação esmagadora. José Dirceu teve farta oportunidade de fugir. Com a experiência de quem entrou e viveu no Brasil da ditadura com rosto e nome mudados, e levou vida tranquila por anos, poderia evaporar por aí sem dificuldade.

José Dirceu ficou, à espera. Não quis fugir. Isto tem um significado. Não há como deixar de tê-lo. As suposições a respeito podem variar, sobretudo ao compasso das posições políticas, mas só o próprio Dirceu mostrará qual é.

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4 Respostas to “Janio de Freitas: Dirceu outra vez”

  1. Moacir Says:

    Certo, mas o que será história no futuro está ocorrendo no presente. E dependendo em muito das instituições e dos homens atuais.

  2. Dayse Silva Says:

    De tudo que vem ocorrendo no País, envolvendo o processo na Justiça Federal /Paraná, resta para o cidadão brasileiro a certeza de que, independente do processo e dos julgamentos nele proferidos, a história revelará às futuras gerações o que, de fato, aconteceu, independente dos homens e das instituições.

  3. Gui Says:

    Quanta besteira!! Puro marketing. Administrar São Paulo é ter competência, coragem e não “pintar” ruas…

  4. pintobasto Says:

    Tanta prisão, mas os maiores ladrões do Brasil estão todos soltos e dando palpites.

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