Cada preso é um cliente: O que se esconde por detrás da redução da maioridade penal

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Roberto Malvezzi, via Correio do Brasil em 5/7/2015

O mercado criado em torno de presos e presídios movimenta muito mais grana que a imaginação popular possa ver. Só o mercado de quentinhas servidas aos 715 mil presos no Brasil (4º maior população carcerária do mundo) movimenta cerca de R$2 bilhões ao ano.

Quando você vai conferir quais empresas fornecem essas quentinhas, muitas delas são de políticos ou de parentes deles, como é o caso dos Perrella em Minas Gerais. Além do mais, essas empresas também são financiadoras de campanhas eleitorais (leia Os mercadores das cadeias, de Cynara Menezes, na CartaCapital).

Além do mais, 30 grandes presídios brasileiros estão privatizados. Nesse sentido, cada preso é um cliente. Portanto, presídios lotados são evidências de lucros, presídios vazios são sinais de prejuízos, como em qualquer hotel.

O detalhe é que cada preso em presídio privado é pago com o dinheiro público. A Pastoral Carcerária estimou em R$3.000,00 o custo de cada preso privado para o Estado. Poderíamos investir esse dinheiro em escolas, mas preferimos investir em presídios.

Eduardo Cunha conseguiu reduzir a maioridade penal. Votaram com ele o PMDB, o PSDB, o DEM e outros partidos, gente da oposição e da tal “base aliada”. Sem dúvida, a indústria dos presídios está feliz com eles. Haverá mais clientes para suas empresas.

Não haverá nenhuma redução da violência no Brasil ao se reduzir a maioridade penal. Pelo contrário, vamos fortalecer as facções que dominam os presídios em todo o Brasil. Ali o preso não tem escolha: ou participa de alguma facção, ou ele e sua família estarão marcados para morrer.

Portanto, nessa votação há interesses econômicos e eleitoreiros, mas nenhum interesse na paz e na justiça. Teremos outras votações antes da decisão final, mas com tantas manobras talvez a razão tenha poucas chances.

Menores de 18 anos podem cometer crimes hediondos, sim. Mas em casas de ressocialização muitos são recuperáveis. Nos presídios, nunca. Os congressistas sabem, mas, por todos os motivos acima, preferem jogar os adolescentes na jaula dos leões.

Assim o Brasil vai se tornando cada vez mais uma sociedade policialesca, repressiva, mas não de paz. Como diziam os profetas da antiguidade, ou mesmo os da modernidade – como Gandhi, Luther King, Mandela e Papa Francisco –, a “paz é fruto da justiça”, não dos presídios e da repressão policial.

Roberto Malvezzi é músico, filósofo e teólogo.

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2 Respostas to “Cada preso é um cliente: O que se esconde por detrás da redução da maioridade penal”

  1. gustavo_horta Says:

    Atrás das iniciativas da direita fascista sempre há um golpe, sempre há e haverá um ânus a ser esculachado, esculhambado, arregaçado. E sempre serão ânus da nação em favor das boquinhas famintas das elites cretinas e covardes.

  2. pintobasto Says:

    Sistema penitenciário? O nome do sistema está em desacordo com o que acontece nos presídios brasileiros onde campeia a maior corrupção mais descarada. Uma auditoria séria em todos os presídios nos mostraria o tamanho da roubalheira que acontece diáriamente. A alimentação dum preso a R 17,00/dia e até muito mais, dá para fazer uma idéia de quanto roubam e quem rouba? É difícil de adivinhar?

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