É hora de reagir em defesa de Lula

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Ameaças de prisão de ex-presidente repetem comportamento da ditadura de Figueiredo em 1980 e ameaçam 2018.

Paulo Moreira Leite em 22/6/2015

A ideia de que a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva será a próxima etapa da Operação Lava-Jato encontra-se em todas as mentes. O que falta para a prisão de Lula, pergunta-se, depois da absurda prisão do presidente da maior empreiteira brasileira?

Simples: falta reagir.

Falta deixar claro que toda iniciativa para colocar Lula atrás das grades vai além de toda decência e representa um ataque inaceitável à liberdade e à democracia. É o ponto culminante de uma investigação que teve início com uma prova ilícita, avançou por medidas que não respeitam o direito de defesa nem a presunção da inocência, através de delações premiadas e prisões provisórias destinadas a quebrar a resistência dos detidos, técnica condenada pelos mais respeitados juristas do Brasil e do mundo, inclusive da Suprema Corte dos EUA.

Vamos abandonar determinadas ilusões, também. Fazendo uma simples análise para ajudar a pensar: se Lula for feito prisioneiro, correrá alto risco de uma condenação criminal. Neste aspecto, cumpre recordar, a Polícia Federal, o Ministério Público e o juiz Sérgio Moro permanecem invictos, em matéria de condenação. Num processo onde as partes não demonstram isenção nem distanciamento das próprias convicções, não perderam nenhuma. Mesmo quem fez delação premiada não escapa de ser condenado, ainda que a uma pena menor. Alguém tem o direito de pensar, assim, em Lula em 2018? Na boa?

Vamos acordar, gente.

Vamos mostrar que uma eventual prisão de Lula se trata uma medida absurda e injusta que irá representar o primeiro passo para um retrocesso que todos sabem como começa e, ao contrário do que é costume dizer, também sabem como termina.

Basta ler os trabalhos do professor da PUC/SP Pedro Serrano – já escrevi sobre eles aqui neste espaço – mostrando que vivemos um tempo de golpes de Estado sem tanques nem fuzis. Os regimes de exceção, hoje, têm aparência de normalidade. São produzidos por medidas judiciais disfarçadas em cumprimento da lei e da defesa da ordem, quando não passam de uma tentativa de se fazer política por outros meios – sem voto, é claro.

A tentativa de criminalizar as relações entre Lula e os empresários, depois que ele deixou o governo, sugerindo aí qualquer demonstração de mau comportamento ou coisa pior, é apenas uma demonstração de subdesenvolvimento mental e ignorância política.

Vamos falar claro: pela liderança internacional que conquistou, pelos espaços que teve competência de abrir para a venda de produtos e serviços brasileiros durante seus oito anos de mandato, quando mudou o eixo de nossa diplomacia comercial, Lula tem todo direito de fazer isso. Deveria ser aplaudido, até, pois chegou numa altura da vida na qual seria mais fácil descansar e se divertir – além de receber homenagens de vez em quando, não é mesmo?

As viagens internacionais de Lula são um serviço que ele presta ao país e nosso futuro. Tem a ver com interesses nacionais, expressão que a maioria de seus adversários nunca soube o que significa mas é cada vez mais decisiva nessa época de globalização e interesses imperiais.

Imagine se Barack Obama resolvesse fingir que nada tem a ver com a venda de aviões da Boeing.

Será que Bill Clinton, fora da Casa Branca, será criticado por defender medidas de interesse de grandes corporações norte-americanas em suas viagens pelo mundo? Em fazer palestras onde defende ideias como solidariedade e colaboração?

Detalhe: vamos criticar Lula porque ele fala do combate contra a fome? É oportunismo?

Ronaldo Reagan e George Bush, pai, se mobilizaram na década de 1980 para defender a indústria de informática dos EUA. Abriram o mercado brasileiro, numa pressão violenta que incluiu sanções duras contra nossa economia – e foram aplaudidos, sem muito silencio nem o esperado pudor, pela mesma turma que hoje critica Lula.

Pense nos alemães, grandes exportadores de tecnologia limpa – com auxílio de Ângela Merkel, é claro. Ou no pacote de investimentos chineses.

É sempre bom lembrar que não há prova nenhuma contra Lula. O que se quer é humilhar e ofender. Dar-lhe um tratamento indecoroso e mostrar que seus adversários têm força para isso. Enfim, o que se quer é, enfim, dar uma lição neste tipo que não conhece o seu lugar. Você sabe do que estou falando.

Tudo o que se insinua a respeito de Lula pode-se demonstrar nas relações entre Fernando Henrique Cardoso e grandes empresários na saída do governo.

O que há é uma vontade de mostrar que seus adversários estão acima da Lei e do Direito. Sim, meus amigos. Mais uma vez, é disso que se trata. Isso porque Lula não é uma pessoa física. É uma história, um personagem que ajuda a dar sentido para o Brasil.

“Prendo e arrebento,” dizia João Figueiredo, o general-presidente da ditadura que mandou prender Lula, 35 anos atrás.

Naquela época, as greves operárias que Lula comandava e inspirava serviram de teste político para uma abertura que queria uma democracia sem trabalhadores nem ao povo pobre. Em 2015, a situação se repete. As pressões contra Lula irão definir os direitos da maioria dos brasileiros definir seu destino pelos próximos anos.

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6 Respostas to “É hora de reagir em defesa de Lula”

  1. Marisa Calage Says:

    A burguesia ainda não engoliu que ele foi Presidente duas vezes, o Brasil não mais representa o País da fome e sim da inclusão social. E muito mais. E o nome que nos representa é L U L A.

  2. jorge (@89nuncamais) Says:

    Com o sucesso do aniversário do Presidente Lula essa tucanaiada vai ter um treco

  3. Rogério Guimarães Oliveira Says:

    Sim, de minha autoria. Fique à vontade, desde que mantido íntegro (às vezes, certos editores reduzem meus textos para encaixá-los nos seus espaços e os desnaturam). Abrç!

  4. bloglimpinhoecheiroso Says:

    Rogério, esse texto é de sua autoria?
    Posso republicá-lo.
    Abraço

  5. Rogério Guimarães Oliveira Says:

    PRENDER LULA: TERÃO ESTA CORAGEM?

    Uma eventual prisão de Lula na Lava Jato seria uma medida de altíssimo risco para a estratégia de desgaste ao PT e ao Governo Dilma que está colocada em curso por todas as forças que operam atrás e ao lado do juiz Moro e do MPF do Paraná.
    Uma prisão destas seria bem pior do que um ponto fora da curva, seria um ponto sem retorno na possível total desestabilização e descrédito da direita derrotada e dos setores que a apoiam. Talvez um fiasco internacional de proporções colossais.
    A questão, assim, é outra: terão a coragem de prender Lula?
    É claro que todos eles odeiam saber que Lula já é doutor honoris causa por 27 universidades do mundo e que é um cidadão respeitado e homenageado aonde quer que vá. Que é um caso único de uma efusiva unanimidade e reconhecimento político entre todos os ex-presidentes de todos os países na História.
    Prendendo o Lula, a direita e as oposições todas salivariam, num primeiro momento, comemorando a desconstituição do grande mito petista perante o Brasil e o mundo. Eles imaginam que lograriam assim o maior de todos os desgastes políticos imagináveis ao PT e ao Governo Dilma, tudo de uma só vez. Afinal, no Brasil de hoje basta alguém ser preso para já ser condenado. É com isso que sonha a direita, a oposição e a imprensa tradicional do país.
    Mas, será, mesmo?
    Dias atrás, Aécio e mais meia dúzia de senadores fanfarrões de partidos de direita puseram-se de “estadistas” e colocaram em curso o “plano perfeito” para derrubar a Dilma do cavalo. Em tese, estava tudo sob controle. Porém, de “perfeito”, o plano virou o “maior mico do milênio”, entrando como fiasco olímpico internacional para a galeria das grandes derrapadas políticas da sinistra biografia do Aécio e seus Senadores Amestrados (citação das redes sociais). Talvez, com tanta gente rindo do fiasco do Aécio, ele não saia mais candidato sequer a síndico de prédio.
    Por isso, a dúvida.
    E se prenderem o Lula e alguma coisa der errado? E se o povo resolver interferir na manobra? E se a população se revoltar de verdade? E se o mundo posicionar-se contra a prisão de Lula? Neste caso, o metalúrgico se tornaria um mártir, ou ícone, tão ou mais carismático do que tornou-se Mandela, ao sair de amargas décadas de prisão para a presidência do seu país, aclamado por todos.
    Uma manobra política tão extremada e arriscada assim, como a do juiz Moro ceder à tentação e aos holofotes e mandar prender o cidadão Lula poderia converter-se na própria e definitiva cova profunda que a direita cavaria embaixo de si mesma, “como nunca antes na história deste país”. E o Moro viraria o dono do fiasco da vez, para nunca mais ter credibilidade no cargo.
    A prisão do Lula faria dele um astro mundial ainda maior do que ele já é. Possivelmente, sem concorrência alguma quando 2018 chegar.

  6. gustavo_horta Says:

    Os “coxinha” de sempre estão se borrando de medo do Lula!
    Liga não.
    Os “coxinha” ladram e a caravana passa, atropelando!
    Os “coxinha” pira!
    Lula é ‘apenas’ reconhecido no Brasil e em todos os cantos do mundo. Além de tudo, 27 títulos de Doutor Honoris Causa mundo afora.
    Apenas um metalúrgico, pouca escolaridade, gosta de uma boa cachacinha, nordestino de Pernambuco, pobre de origem, gente do povo e mata de raiva a elite branquinha e burguesa do país!
    Os “coxinha” pira!

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