A lição de democracia da loja que desmentiu o boato de que é “do filho de Lula”

Havan_Lulinha01

Kiko Nogueira, via DCM em 17/5/2015

A loja de departamentos Havan, de Santa Catarina, deu uma lição simples de como lidar com boatos deletérios. Um sujeito chamado Zenildo Costa postou o seguinte no Facebook:

“Bomba. Sabe quem é o dono da Havan, exatamente o filho do Lula. Descobri ontem de fonte segura. Eles estão comprando empresas com o dinheiro do BNDES e deixando laranjas no controle, mas só de fachada”.

Parêntese: sempre que algum energúmeno escreve “bomba”, pode acreditar que vem lixo ou nada. O maior usuário desse clichê é o jornalista mitômano Cláudio Tognolli, biógrafo de Lobão. Fim do parêntese.

A empresa, rapidamente, compartilhou a baboseira em sua própria página, com um recado a Costa:

Como diz o ditado, “mentiras quando ditas várias vezes, acabam se tornando verdades”. Estamos colocando um ponto final no assunto. Estamos respondendo hoje, a todos nossos clientes e amigos, tomarem conhecimento que o post do senhor Zenildo Costa, de Curitiba, afirmando que a Havan pertence ao filho do Lula, não é verdadeira.

[…]

Desafiamos o senhor Zenildo Costa a comprovar o que fala, caso contrário, será processado por calúnia e danos morais, e tudo que será arrecadado nessa ação será doado a uma instituição de caridade.

Não possuímos nenhum empréstimo no BNDES e as insinuações que pertencem ao filho do Lula ou mesmo da filha da Dilma são invenções caluniosas, sem qualquer fundamento.

Zenildo, “corajoso”, retirou o que disse de pronto e enfiou essa viola no saco. Afirmou que “não é verdade que a empresa teria como proprietário o filho do Lula, bem como que ela não é financiada pelo BNDES”. Ele “apenas” republicou uma mensagem que recebeu “sem conferir sua fonte e veracidade”.

Sem profissão definida, Zenildo é um dos milhares de revoltados online especializados nesse tipo de expediente. Apoia a intervenção militar, tem fotos de gatinhos e de Geisel, idolatra Ronaldo Caiado, denuncia o comunismo – enfim, o pacote completo do idiota da aldeia cuja voz é amplificada pelas redes sociais, como definiu Umberto Eco.

Agora: por que o governo brasileiro não age com essa mesma agilidade diante da boataria diuturna?

A filha de Dilma é acusada, na internet, de ser dona de 20 companhias, compradas com o dinheiro da mãe. Para continuar na esfera da presidente: Dilma criou uma lei proibindo a divulgação de investigações de acidentes aéreos, desfilou ao som de “Beijinho no ombro”, liberou R$13 milhões de dólares para criação de estátua de Lula etc.

A teoria conspiratória em torno do Foro de São Paulo foi parar nos protestos por absoluta falta de quem esclareça do se trata. Por outro lado, o BNDES tem respondido no Twitter sempre que necessário. Joesley Batista, da Friboi, já declarou que não é sócio de Lulinha algumas vezes. O Instituto Lula tem sido rápido ao oferecer um contraponto, eventualmente se antecipando à publicação de matérias.

Expor o autor da calúnia e acionar a Justiça se necessário, isso é o que a Havan fez. O tal republicanismo não pode ser um vale-tudo.


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4 Respostas to “A lição de democracia da loja que desmentiu o boato de que é “do filho de Lula””

  1. Roberto Locatelli Says:

    No caso da Friboi, o principal dono do Grupo JBS/Friboi é José Batista Júnior, um empresário ultra-tucano. É bem capaz de ele processar alguém, sim.

  2. Rita Says:

    Parabenizo a empresa. O mesmo homem que diz saber de fonte segura, depois de uma ameaça diz exatamente o contrário. Eu morreria de rir, se isso não fosse um sinal mais do que claro de que o golpe está aí, debaixo de nosso nariz.

  3. Bene Nadal Says:

    Esse tipo de internauta que posta mentiras com intensões, ou não de prejudicar outras pessoas, sejam essas pessoas, importantes ou não; são apenas “zé’s ninguém”, financiados, geralmente a preço de bananas, por “traidores da pátria”; ou apenas “zé’s ninguém”, idiotizados pela mídia golpista!
    Por outro lado, causa-me espécie a lerdeza do governo e dirigentes de empresas estatais, em tomar decisões simples, como: processar tais elementos, como fez o digno proprietário da Havan!

  4. Dayse do N. Silva Says:

    Infelizmente há tipo de pessoas, cuja moralidade é, por demais, relativa.
    Daí, entrar em jogos perigosos, por motivos fúteis e/ou interesses abjetos conscientemente ou por se deixar manipular.
    Felizmente, se alguns agem assim, outros não.
    Parabéns a Loja Havan.
    Se todos fizessem o seu dever moral como fez a Loja de Santa Catarina, o Brasil estaria bem melhor, especialmente, na questão da moralidade.

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