Novas denúncias colocam a Alemanha no escândalo da Fifa

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A chanceler Ângela Merkel tem sido pressionada a falar sobre o escândalo da Fifa.

Via Correio do Brasil em 6/6/2015

A Alemanha foi escolhida para organizar a Copa do Mundo da Fifa, em 2006, ultrapassando o Brasil, Marrocos, Inglaterra e África do Sul, em uma luta injusta, escreve o site alemão Zeit Online, no sábado, dia 6/6. A mídia cita dados segundo os quais, pouco antes da votação, empresas e políticos alemães começaram ativamente a negociar com os países de origem de vários membros do Comitê Executivo da Fifa.

Uma semana antes da votação, o ex-chanceler alemão Gerhard Schroeder decidiu fornecer lançadores de granadas antitanque para a Arábia Saudita. Além disso, a Volkswagen e a Bayer AG prometeram grandes investimentos industriais na Tailândia e Coreia do Sul. O consórcio Daimler investiu centenas de milhões de euros na Hyundai quando o filho do fundador da companhia era membro do Comitê Executivo da Fifa com direito de voto.

No entanto, o Zeit Online indica que a eleição da Alemanha, do ponto de vista jurídico, teria sido legal. Anteriormente, o FBI anunciou a sua intenção de analisar a decisão da Fifa de realizar a Copa do Mundo na Rússia em 2018 e no Catar em 2022. Mais cedo, vários responsáveis da Fifa foram detidos na Suíça, a pedido dos Estados Unidos. Eles são suspeitos de corrupção na seleção dos países – anfitriões das Copas do Mundo.

Mais propinas
O empresário norte-americano Chuck Blazer, que delatou a Fifa para a Justiça dos EUA, confessou diante de uma corte naquele país que cartolas também receberam propinas para a escolha da França como sede da Copa do Mundo de 1998 e da África do Sul como sede da Copa de 2010.

Segundo Blazer, antigo membro do Comitê Executivo da Fifa, os pagamentos ocorriam já em 1992, quando a Fifa ainda era presidida pelo brasileiro João Havelange. A Copa de 1998 foi organizada por Michel Platini, atual presidente da Uefa e sério candidato a ocupar o cargo de Joseph Blatter.

“Entre outras coisas, eu concordei com outras pessoas em 1992 para facilitar a aceitação de uma propina em relação à escolha da sede da Copa de 1998”, disse Blazer.

O documento também aponta que o mesmo mecanismo foi usado para dar à África do Sul a sede da Copa de 2010. Em uma confissão publicada na quarta-feira, dia 3/6, pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Blazer deixa claro que não foi o único a receber o dinheiro.

“Começando por volta de 2004 e continuando até 2011, eu [Chuck] e outros do Comitê Executivo da Fifa concordamos em aceitar propinas em relação à escolha da África do Sul como sede da Copa de 2010″, declarou o norte-americano diante da corte dos EUA, no dia 25 de novembro de 2013.

Ricardo Teixeira
Naquele momento, o brasileiro Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, era um dos membros do Comitê Executivo da Fifa e votou pela África do Sul. O outro candidato a receber a Copa era o Marrocos. A escolha dos sul-africanos foi marcada pela presença de Nelson Mandela na Fifa, num dos momentos que a entidade mais se orgulha em mostrar imagens. Chuck não cita nomes em sua confissão, mas deixa claro que votos foram comprados.

Há uma semana, documentos do FBI indicaram também que os sul-africanos haviam pago US$10 milhões ao então vice-presidente da Fifa Jack Warner em troca de votos. Na quarta-feira, dia 3/6, os sul-africanos negaram que se tratava de suborno, mas sim de um programa social que incentivava o futebol no Caribe.

Diante dos fatos, segundo analistas russos, é possível constatar que com esta informação e com a renúncia do presidente da Fifa Joseph Blatter, a história em torno do escândalo na Fifa torna-se cada vez mais estranha e confusa, novamente, provocando rumores de que surge como uma simples “cortina de fumaça” para esconder o escândalo de espionagem com participação dos EUA e Alemanha.

Vale lembrar que até o dia 6 de junho, na véspera da cúpula do G7, o Bundestag (parlamento alemão) exige a publicação de dados sobre quase 500 mil objetos de espionagem e monitoramento não autorizado por parte do Serviço Federal de Inteligência da Alemanha (BND, na sigla alemã), inclusive e-mails, endereços postais, telefones etc.

Espionagem
No início de maio, a mídia alemã tinha informado que tem havido laços entre a NSA e o BND. Segundo as informações, o BND consentiu, durante um determinado período, a atuação da inteligência norte-americana no seu país, mesmo depois das revelações de Edward Snowden e do escândalo de espionagem que afetou a própria Alemanha, junto com o Brasil, em 2014.

Enquanto isso, o Partido Social Democrata da Alemanha (SPD, na sigla em alemão) exige que a chanceler da Alemanha, Ângela Merkel, comente o escândalo antes da nova sessão parlamentar, no Bundestag, que começa no dia 8 de junho. Apesar da pressão, Merkel “provavelmente ainda não revelará os dados sobre os objetos de espionagem por parte do BND”, diz a rádio estatal alemã Deutsche Welle. Primeiro o lado alemão deve “travar negociações com os norte-americanos”, concluiu a emissora.

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