Programa Braços Abertos: “Antes dele, 9 em cada 10 viciados desistiam.”

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Dartiu Xavier, coordenador do programa, rebate matéria da Folha de S.Paulo que gerou polêmica nas redes sociais ao dar conotação negativa à iniciativa. Para Xavier, também professor da Unifesp, trata-se de uma proposta que busca atingir a causa do problema.

Guilherme Franco, via SpressoSP em 25/5/2015

Desde a metade da década de 1990, vários prefeitos de São Paulo, bem como os governadores do estado, têm procurado acabar com a Cracolândia. No entanto, as ações muitas vezes se resumiram a operações policiais.

Há um ano, a equipe do prefeito Fernando Haddad (PT) colocava em prática uma ação na Cracolândia que acendeu o sinal vermelho de críticos Brasil afora. O programa “Braços Abertos” busca a redução de danos, em que o dependente é incentivado a diminuir gradativamente o consumo da droga, sem internação e com oferta de emprego e renda. A proposta vai na contramão da utilizada pelo governo do estado, que prega o tratamento compulsório, permitindo às autoridades ordenar a internação daqueles considerados em “estágio avançado de dependência”.

Na semana passada, a manchete de que “4 em cada 10 desistem de ação anticrack de Haddad”, segundo a Folha de S.Paulo, deu o que falar nas redes sociais. É preciso valorizar, no entanto, que das 798 pessoas que aderiram ao programa, iniciado há um ano e quatro meses, aproximadamente 60% delas continuam o tratamento. “Antes dele, nove em cada dez viciados desistiam. O programa tem muitas coisas a serem melhoradas, mas alguma coisa mudou, e para o bem. Está é uma forma menos intolerante de lidar com a população”, opina Dartiu Xavier, professor da Unifesp e coordenador de treinamento de agentes da ação da prefeitura. Confira a entrevista.

SPressoSP – Primeiramente, como você avalia o programa “Braços Abertos”?
Dartiu Xavier –
É a única proposta que tem alguma fundamentação. É uma mudança de paradigma. Em situações de tanta vulnerabilidade social, favorece-se o uso das drogas. A proposta do “Braços Abertos” busca atingir a causa do problema, não uma consequência, um desdobramento, como no caso do uso da droga. Esse tipo de tratamento já foi testado em vários países de ponta e é o único que funciona.

Em alguns estudos, eles dividiram a população em dois grupos. No primeiro, a abstinência era pré-requisito, ou seja, sele eles tivessem alguma recaída com a droga, perderiam alguns privilégios. Já o outro grupo era incentivado a diminuir gradativamente o consumo da droga. Depois de três anos o resultado mostrou que o trabalho tratou mais com o segundo grupo do que com o primeiro, comprovando que a droga não é a causa, e sim a consequência.

SPressoSP – Há um preconceito da mídia tradicional e de uma parcela conservadora da sociedade com esse tipo de tratamento?
Dartiu Xavier –
A nossa sociedade é bastante reacionária e parte da mídia também. Ficamos muito tempo copiando o modelo de guerra às drogas, um modelo lançado na década de 70 pelos EUA. Na década de 90, os EUA fizeram uma série de pesquisas e constataram que programa de guerra às drogas não valia nada.

Muito se fala sobre uma questão política, se você é petista defende, mas se não é crítica. Isso até pode existir, no entanto eu defendo o programa por questão técnica. Antes dele, nove em cada dez viciados desistiam. O programa tem muitas coisas a serem melhoradas, mas alguma coisa mudou, e para o bem. Está é uma forma menos intolerante de lidar com a população. Um dos programas implementados na Cracolândia chamava dor e sofrimento. Como é possível crer que impondo dor e sofrimento àquela população seria uma forma de ajuda?

SPressoSP – O governador Geraldo Alckmin (PSDB) tem projeto antagônico. Batizado de “Recomeço”, o modelo estadual trabalha a saída do vício com tratamentos que incluem isolamento em hospitais e comunidades terapêuticas. Esse choque de gestões prejudica de alguma forma?
Dartiu Xavier –
Prejudica muito. No “Recomeço”, eles medem a taxa de sucesso pelo número de internações. Tem um psicólogo que trabalha comigo e que já atuou no projeto que me conta histórias de arrepiar. Para bater a meta do dia, eles saem com a ambulância pegando qualquer morador de rua. Isso é um afronto aos direitos humanos, prendendo uma pessoa só para atender uma meta diária. Isso me parece uma espécie de comércio humano. O indivíduo é um número para atender o projeto. O “Braço Abertos” é completamente diferente. Você demora semanas e até meses para conquistar a confiança da pessoa, construindo até uma relação afetuosa.

SPressoSP – Os resultados do programa podem representar no futuro o fim da ideia da “internação compulsória”?
Dartiu Xavier –
As pessoas não chegaram àquela situação de miséria social por causa da droga. Chegaram naquela situação por falta de acesso à moradia, trabalho, educação, saúde, etc. Quando o indivíduo viciado volta para a miséria, ele recai. É preciso melhorar as condições básicas da vida do usuário. E a proposta do Braços Abertos busca atingir a causa do problema, e não só uma consequência, um desdobramento, como no caso do uso da droga. Tem uma questão muito importante que está por trás de tudo isso. O que choca é por ser na população de rua. Ninguém gosta de ver miséria e gente se drogando em público. Quando se vê o usuário de droga na rua, ele já recebe o rótulo de dependente. Mas e aquelas pessoas que ficam dentro de seu apartamento chique no Jardins cheirando cocaína ou fumando maconha? Eles são dependentes? Grande parte delas não, são apenas usuárias, mas elas estão anônimas. O fato das pessoas se drogarem na rua dá muita visibilidade.

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Uma resposta to “Programa Braços Abertos: “Antes dele, 9 em cada 10 viciados desistiam.””

  1. pintobasto Says:

    Haddad é um cidadão brasileiro que ocupa importante cargo público com a intenção de servir ao Estado da Nação! Suas ações têm sido sempre muito positivas.É um homem inteligente! Um patriota! O programa para acabar com a cracolândia tem surtido efeito e críticas não construtivas, são próprias de rancorosos indivíduos que nada fizeram por sua Pátria! Um rebanho de pilantras que vivem pendurados em quem trabalha pelo País>

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