Em vídeo, advogados enfrentam Moro e procuradores em audiência da Lava-Jato

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O criminalista Nélio Machado deixou Moro sem rumo.

Miguel do Rosário, via O Cafezinho em 13/5/2015

Uma leitora amiga me manda um vídeo impressionante, que traz os advogados de Fernando Soares, um dos réus da Lava-Jato, protestando veementemente contra as artimanhas do Ministério Público e do juiz Sérgio Moro para enganar a defesa e manipular o processo.

A cena do vídeo é uma sala da 2ª Vara Federal de Curitiba, e os personagens principais são Sérgio Moro, dois advogados de defesa e um procurador que não aparece no vídeo.

Em determinado momento, um dos procuradores ofende o advogado, falando em chicana. Joaquim Barbosa, realmente, fez escola. O advogado, porém, responde à altura.

São dois advogados. O segundo a falar é Nélio Machado, um dos maiores criminalistas do país, que denuncia: nunca, diz ele, em 30 anos de profissão, testemunhei um desrespeito tão gritante à Constituição e ao direito da defesa.

Machado falou que até mesmo a Constituição do Estado Novo, de inspiração fascista, trazia garantias na lei que respeitavam a defesa dos réus, garantias estas que Sérgio Moro tem agredido sistematicamente, com vistas a promover, sabe-se lá com que intenções, um circo midiático-judicial.

(Sobre Nélio Machado, ler esse post, do professor Rogério Dutra.)

Talvez Moro tenha intenção de seguir o exemplo de Ayres Brito e escrever o prefácio do próximo livro de Merval Pereira e ganhar uma sinecura de luxo no Instituto Innovare, da Globo.

Machado explica ainda ao procurador mal-educado e ignorante que o Ministério Público, segundo a Constituição cidadã de 88, tem como dever auxiliar a justiça. O procurador não é um justiceiro cuja função é apenas acusar. Sua função não é ver o réu como um “inimigo” a ser esmagado a qualquer custo. Não. Sua função, assim como a do advogado, é a de defender a lei.

“Não existe hierarquia entre advogado e Ministério Público, ambos são auxiliares da lei”, ensinou Machado.

O vídeo é uma bomba. É notório, no vídeo, que Sérgio Moro não atua como magistrado, mas como um rancoroso beleguim, um verdadeiro inimigo do réu e dos advogados de defesa, imitando o estilo Joaquim Barbosa.

Emblemático que ambos, Joaquim Barbosa e Sérgio Moro, tenham ganho o prêmio Faz Diferença da Globo. Quer dizer, prêmio não. Propina. O prêmio Faz Diferença deveria ser encarado como propina e os magistrados que o recebem deveriam ser acusados de corrupção, porque é um prêmio que vale mais que dinheiro. Com esse prêmio em mãos, os magistrados podem ganhar dinheiro como celebridades políticas, fazendo palestras pagas com dinheiro público, como está fazendo, sem nenhuma vergonha, Joaquim Barbosa.

Qualquer um pode ganhar prêmio: políticos, empresários, artistas. Juiz não. Juiz não deve ganhar nenhum prêmio. O que ele faz é um dever público, uma obrigação, pela qual recebe os maiores salários e as maiores regalias oferecidas pelo contribuinte a um servidor: almoço, transporte, habitação até roupa grátis, longas férias anuais.

Por tudo isso, juízes tem de ser sérios, moderados e justos. Nunca devem se deixar levar por pressões de mídia e jamais devem se portar como acusadores ou inimigos dos réus.

Assista a seguir o trecho principal do vídeo. Crédito do vídeo: Nilton Araújo. O original, mais longo, foi publicado no site Consultor Jurídico.

***
A outra notícia bombástica é um regaste de uma informação publicada, ano passado, num dos blogs da CartaCapital.

O post confirma uma denúncia que já fizemos aqui, com base num depoimento de Roberto Bertholdo, advogado condenado na 2ª Vara Criminal de Curitiba, onde atua Sérgio Moro.

Segundo consta em matéria da Folha de 11 de março de 2006, Bertholdo declarou que seria “condenado por um esquema montado na 2ª Vara Federal Criminal, que criou a ‘indústria da delação premiada’. Segundo ele, Youssef entregou doleiros no Brasil inteiro e se apropriou de seus clientes.”

Eu gostaria de saber: nenhum jornal jamais quis saber a validade dessa denúncia? Que indústria da delação é essa? E que história é essa de que o esquema foi montado dentro da 2ª Vara Federal Criminal, a mesma onde atuava e atua Sérgio Moro?

Não vale falar que Bertholo é um condenado. Se a voz de Youssef é ouvida pela justiça, pelo Ministério Público e pela imprensa, por que não ouvir Bertholo?

A matéria publicada num dos blogs da CartaCapital, o blog do Serapião, confirma a denúncia de Bertholdo. Youssef delatou os principais doleiros do país, por ocasião da “delação premiada” que lhe foi oferecida por Moro e pelos mesmos procuradores que hoje integram esta conspiração judicial em que se transformou a Lava-Jato.

O doleiro vem operando, há tempos, como o personagem da série The BlackList, estrelada por James Spader: manipulando a delação para jogar o Estado contra seus inimigos e concorrentes, e beneficiar a si mesmo.

O “prêmio” que Youssef obteve, após suas primeiras delações, feitas em 2003, para o mesmo Sérgio Moro, não foi uma mera redução de pena. Foi muito mais! Youssef tornou-se o maior doleiro do país, e ampliou suas conexões ilegais com figuras estratégicas da elite política.

É incrível que depois de ter feito isso, Youssef ainda tenha credibilidade na mídia e lhe seja oferecida novamente o privilégio da delação premiada, pelo mesmo Sérgio Moro e pelos mesmos procuradores.

A indústria da delação premiada não só dá lucro como parece ser intocável. O sujeito delata seus concorrentes, conta uma porção de mentiras à justiça, é solto, volta a roubar, agora na condição de maior doleiro do país, e se torna um herói da mídia, sendo paparicado novamente por um juiz supostamente vingador e procuradores midiáticos (os mesmos da primeira delação!), e tudo porque aceita representar, com seu imenso talento para manipulação e a mentira, o papel de pivô de uma conspiração judicial.

A Lava-Jato é uma repetição grotesca do que aconteceu na Ação Penal 470 e traz vários personagens repetidos, a começar por Sérgio Moro, que escreveu o texto fascistoide com o qual Rosa Weber condenou Dirceu: aquele que traz uma frase que resumirá toda uma era de arbítrios midiático-judiciais: “Não tenho provas contra Dirceu, mas vou condená-lo porque a literatura assim me permite”.

3 Respostas to “Em vídeo, advogados enfrentam Moro e procuradores em audiência da Lava-Jato”

  1. William Ferreira Rabelo Says:

    Muito fraquinhos os argumentos de quem postou o texto la na página. A exceção de juízo pode ser arguida no STJ, e nenhuma delas foi julgada improcedente ou incompetente para o Juíz Sérgio Moro ou para o MPF do Paraná.
    O advogado pode ter 200 anos de direito, e ele dizer isso ou aquilo, que ele nunca viu ou deixou de ver, não é argumento para defesa. Inclusive o advogado fala em “século passado” e em constituição na mesma frase, me parece que ele não sabe que a CF de 1988 seja do século passado.
    A OAB também se manifestou em favor de o processo permanecer totalmente sob o tribunal federal do Paraná, ao passo que o STF começou agora a desmontar o processo, não por competência, mas tão somente por qualidade processual que se dará aos julgamentos.

  2. Haroldo Rogério Bonancio Says:

    A santa inquisição na república do Paraná! O retorno da idade das trevas!

  3. Anderson Bomfim Says:

    Os advogados são pagos pra inocentar o acusado ,, só que neste caso não tem como defender

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